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TUDO AQUILO QUE NOS UNE (Common ground)

por Redação.

09/10/2017 20:44:00
 
Em 2016, Donald Trump foi eleito presidente dos Estados Unidos com um discurso extremamente conservador em relação aos mais diversos assuntos – entre eles imigração, política externa e saúde das mulheres. Cerca de um ano antes, Justin Trudeau havia liderado o Partido Liberal do Canadá numa vitória histórica, garantindo importante maioria parlamentar e tornando-se o primeiro-ministro do país. Embora sejam contemporâneos e governem países vizinhos, os dois são constantemente citados em posições antagônicas, já que o canadense tem chamado a atenção do mundo por sua abordagem política liberal e altamente progressista. A ideia de que uma das maiores forças do Canadá é sua diversidade é um dos pilares do seu discurso, e permeia todo o texto de "Tudo aquilo que nos une", autobiografia de Trudeau, que a BestSeller coloca nas livrarias em outubro.
 
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Quando Justin Trudeau nasceu, seu pai, Pierre Trudeau, era o primeiro-ministro do Canadá. Um dos mais admirados líderes políticos da história do país, Pierre foi uma influência determinante na vida de Justin. Ele começa o relato narrando as aventuras ao ar livre com o pai e os dois irmãos, os altos e baixos da infância na residência oficial, suas viagens pelo mundo ao lado de Pierre e alguns engraçados encontros infantis com nomes importantes da política na época, como o presidente americano Ronald Reagan e a Princesa Diana.
 
Mas, apesar de não negar sua influência, o líder canadense faz questão de apontar suas diferenças – que ficaram claras pela primeira vez, ele conta, ao ser reprovado em uma matéria na escola, onde o pai também havia estudado e sido um aluno exemplar. O jeito rígido de lidar com as pessoas e a intelectualidade um tanto conservadora não foram hereditárias: ao contrário de seu pai, Justin diz gostar de estabelecer conexões pessoais, nas ruas. E é famoso também por gostar de cultura pop – ele causou comoção na internet ao aparecer vestindo uma blusa de "O guia do mochileiro das galáxias", por exemplo.
 
Justin Trudeau não foge de momentos difíceis, e fala no livro sobre a separação dos pais, que foi prato cheio para os jornais à época, quando ele ainda era criança. O político conta como a luta da mãe contra o transtorno bipolar moldou sua relação com os filhos, e destaca ainda as divergências irreconciliáveis de personalidade entre os pais, cuja diferença de idade era de 30 anos.  Outra passagem emocionante é a morte de Michel, seu irmão mais novo, aos 23 anos. Ele desapareceu após uma avalanche enquanto esquiava, e a perda foi especialmente difícil para o pai, que acabou falecendo dois anos depois.
 
Em ordem cronológica, o premier canadense fala ainda da adolescência, com suas divertidas "tentativas de desenvolver uma identidade social", a "acne terrível", e o mau jeito com as meninas; conta sobre seu período na faculdade e a "breve fase de farra"; e narra como foi afetado por uma viagem de um ano pelo mundo feita em meio à faculdade. Trudeau relata ainda suas experiências como professor em escolas e instrutor de snowboard, seu amor pelo boxe e o começo de sua família, ao conhecer a hoje esposa, Sophie.
 
A entrada para a política, que sempre pareceu inevitável, acabou vindo mais tarde. Relutante em seguir os passos do pai, foi só em 2006 que ele decidiu participar mais de perto: quando os liberais perderam a eleição em janeiro, Trudeau sentiu que poderia oferecer algo à renovação do partido. Começou fazendo pesquisas, elaborando relatórios e, no ano seguinte, decidiu disputar um cargo no parlamento pelo distrito de Papineau, em Montreal. Desacreditado pelo próprio partido, por comentaristas e jornalistas, investiu numa campanha de "corpo a corpo", conhecendo os eleitores nas ruas. A estratégia deu certo e, a partir daí, sua subida foi constante.
 
No relato, ele faz uma autocrítica importante da atuação do Partido Liberal que, em 2011, sofreu uma grande derrota. "O principal motivo foi o Partido Liberal ter perdido o contato com os canadenses, e nós estávamos ocupados demais com brigas internas para perceber. Acabamos pagando caro pelo erro", escreve. Em suas campanhas seguintes, para a liderança do partido e, por fim, para o cargo de primeiro-ministro, Trudeau investiu em ouvir os jovens, abraçar as minorias e usar a internet com inteligência – algo muito parecido com o que Barack Obama havia feito nos EUA anos antes.
 
O livro ajuda a entender por que Trudeau é personagem habitual de reportagens que destacam suas opiniões progressistas sobre a legalização do aborto e da maconha, por exemplo, ou sua decisão de abrir as portas do país para mais de 40 mil refugiados em meio à crise no Oriente Médio e na Europa. Seu gabinete, um grupo heterogêneo formado por homens e mulheres das mais distintas ascendências e etnias, também chamou atenção na época de sua posse. Ao ser perguntado por que havia escolhido um grupo tão diverso, ele respondeu apenas: "Porque estamos em 2015.".
 
O livro traz ainda um encarte com dezenas de fotos, oficiais e pessoais, que ilustram desde a infância de Trudeau até sua relação com os filhos e suas campanhas políticas; além de um apêndice que reproduz cinco de seus principais discursos. 
 
TRECHO
 
"Quando eu tinha uns 17 anos, o grupo saiu para uma de nossas primeiras refeições chiques em um restaurante sofisticado no centro de Montreal. Como a maioria dos atos feitos por garotos de 17 anos, a saída foi organizada para impressionar garotas. Eu pedi carnard au vinaigre de framboise [pato com vinagre de framboesa] e fiz questão de inspirar profundamente ao emitir essas palavras para o garçom. Até hoje, meus amigos ainda falam em "bater no Justin até o pato sair" quando parece que estou deixando a situação me subir à cabeça. É um ótimo puxão de orelhas. Nos anos seguintes, independentemente de eu ser aluno, professor, monitor de acampamento ou de partido, esses bons amigos sempre me trataram da mesma forma. Para eles eu sou, e sempre serei, 'apenas Justin'."
 
Justin Trudeau é primeiro-ministro do Canadá e líder do Partido Liberal. Antes de ser eleito, foi professor, defensor do meio-ambiente e porta-voz da juventude. Nascido em 25 de dezembro de 1971, é o filho mais velho do ex-primeiro ministro Pierre Elliot Trudeau. É casado com Sophie Grégoire desde 2005, e eles têm três filhos: Xavier, Ella-Grace e Hadrien.
 
TUDO AQUILO QUE NOS UNE
(Common ground)
JUSTIN TRUDEAU
Páginas: 238
Preço: R$ 44,90
Tradução: Patricia Azeredo
Editora: BestSeller | Grupo Editorial Record

DEGAS, RENOIR E O RELÓGIO DE ORFEU

por Redação.

08/10/2017 15:58:00
 
Herdeiro de banqueiros judeus, Simon Goodman narra a saga da investigação e recuperação de obras de arte de sua família roubadas pelos nazistas na Segunda Guerra
 
No outono de 1994, dezenas de caixas com papéis, entre cartas e documentos governamentais, escritos em inglês, holandês, francês, italiano e tcheco, chegaram à casa de Nick Goodman, em Los Angeles. Nick e seu irmão, Simon Goodman, não desconfiavam, mas ali, entre recibos, escrituras, passaportes, catálogos de museus e negativos de fotografias guardados por meio século pelo pai deles, Bernard Goodman, estavam não só a história de seus antepassados judeus, mas também os rastros de um tesouro pilhado pelos nazistas que, anos depois, a família começaria a recuperar. Coube a Simon não só buscar as obras de arte roubadas como contar essa história no livro “Degas, Renoir e o Relógio de Orfeu”.
 
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Simon Goodman é herdeiro da dinastia bancária dos Gutmann. Seu bisavô, Eugen Gutmann, dirigia o Dresdner Bank e era um dos homens mais ricos da Alemanha. A família colecionava obras de Degas, Renoir, Botticelli e Guardi, entre muitas outras, e um fabuloso relógio de Orfeu do século XIX. O regime nazista, porém, destruiria tudo: o incrível acervo artístico, a imensa riqueza, a posição social de destaque e as próprias vidas da família. Seu pai, que morreu aos 80 anos, em Veneza, era um homem recluso, que não gostava de falar do passado e que guardara segredo sobre a sua busca incessante pela recuperação das obras da família.
 
Descobri que, durante meio século após a guerra, papai lutou uma amarga e geralmente malsucedida batalha para recuperar as inestimáveis obras de arte roubadas de sua família – primeiro pelos nazistas, e, depois, por burocratas de mente vazia. Inescrupulosos negociantes de arte e casas de leilão, que agiam com negligência, assim como diretores de museus e colecionadores abastados, todos participantes desse roubo, muito depois de a guerra ter terminado”, escreve Simon Goodman, no primeiro capítulo da obra.
 
Mesmo antes de a guerra ter início, Bernard começara a se anglicizar. Mudara o sobrenome para Goodman e alistara-se no exército inglês. Simon cresceria em Londres. Quando começou as buscas, descobriu que uma parte da coleção da família tinha ido para Adolf Hitler e Hermann Göring; outra havia sido contrabandeada através da Suíça, vendida e revendida para colecionadores e comerciantes; e muitas peças estavam em famosos museus. Com o auxílio de alguns parentes, deu início ao primeiro caso de saque nazista a ser resolvido nos Estados Unidos.
 
Tem sido uma empreitada longa, frustrante e, às vezes, tão cara que beira a ruína. Mas, através dos anos, recuperamos dezenas de pinturas e muitas obras roubadas de nossa família – embora muitas estejam desaparecidas até hoje. Nesse processo, ajudamos a mudar a maneira como é conduzido o aspecto comercial do mundo da arte, frequentemente brutal, e a implementar os novos protocolos e regulamentações governamentais em relação à posse de objetos pilhados. (...) Embora os mortos não possam ser trazidos à vida, ao recuperar o legado roubado de minha família, espero conseguir um senso de justiça há muito buscado”, afirma o autor.
 
                A obra chega às livrarias em outubro, pela editora José Olympio.
 
 
RESENHAS ESTRANGEIRAS
 
 
TRECHO
 
Cada vez que eu recuperava uma peça de sua coleção, por menor que fosse, eu sentia uma significativa vindicação da minha família outrora ferida. Muitos me disseram o quanto Bernard, Fritz e Louise estariam orgulhosos. Para ser honesto, eu frequentemente os senti olhando por sobre meus ombros. Muitas vezes me perguntei se seria possível que eles estivessem vendo tudo que está acontecendo. Certamente espero que haja uma maneira de saberem que nós ainda nos importamos.”
 
SOBRE O AUTOR
 
Nascido em Londres logo após a Segunda Guerra Mundial e educado no Liceu Francês em Londres e na Universidade de Munique, Simon Goodman entrou no ramo musical no fim dos anos 1960. Após se especializar na divulgação internacional de novos artistas ingleses, ele estabeleceu uma rede alternativa de distribuição nos Estados Unidos no fim da década de 1980. Foi seu pai quem secretamente começou a busca pelos tesouros perdidos e as obras saqueadas de seu avô, tomados pelos nazistas; um legado que ele mais tarde assumiria. Goodman é casado com a atriz May Quiley e tem um filho e três filhas. Vive em Los Angeles, onde as buscas pelos tesouros de sua família ainda continuam.
 
DEGAS, RENOIR E O RELÓGIO DE ORFEU
Simon Goodman
Tradução: Alessandra Bonrruquer
Páginas: 378
Preço: R$ 59,90
Editora: José Olympio / Grupo Editorial Record

"Diário do Conde D'Eu" lança nova luz sobre a Guerra do Paraguai

por Redação.

01/10/2017 18:05:00
 
Por Rafael Sento Sé
 
"Foi uma luta obstinada: Pedra, que comandava a infantaria foi ligeiramente ferido por um golpe de lança que parou com o braço. Desde a manhã, as granadas passavam por cima de nossas cabeças e, amiúde, as balas de fuzil, perto de nossas orelhas. Quando granadas explodiam perto de mim, rapidamente se formava coro em meu Estado-Maior". A viva descrição da Batalha de Campo Grande, pródiga em detalhes, integra o diário de campanha do Conde D'Eu, que comandou as tropas brasileiras no último ano da Guerra do Paraguai. Escrito em francês, língua-materna do marido da Princesa Isabel, o documento permaneceu inédito, recolhido no arquivo do Museu Imperial, por quase 120 anos. Encontrado pelo historiador e cientista político carioca Rodrigo Goyena Soares, especialista no estudo do conflito, o documento chega às mãos dos leitores em edição ilustrada e cuidadosamente anotada pelo pesquisador.
 
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Diário do Conde D'Eu – Comandante em chefe das tropas brasileiras em operação na República do Paraguai (Paz & Terra) lança nova luz sobre a própria imagem do autor do relato de campanha, bem distante do militar facínora que conservadores e liberais republicanos, polos opostos do espectro político de então, chegaram a lhe incutir.
 
O historiador Rodrigo Goyena Soares, que resgatou um dos raros diários escrito no calor dos acontecimentos da guerra, assina um artigo crítico repleto de citações a correspondências trocadas entre o príncipe consorte com seu sogro, D. Pedro II, e figuras proeminentes do Império que ajudam a compreender as consequências da guerra para o Brasil. Ao mesmo tempo que representou o apogeu do governo monárquico, o conflito também marca o início de seu declínio com o surgimento do Exército como força política, em meio à disputa entre a elite escravocrata e abolicionistas que gozavam da simpatia do Conde D'Eu, entre estes o engenheiro André Rebouças e o escritor Joaquim Manuel de Macedo, citados frequentemente ao longo deste lançamento essencial da editora Paz & Terra, do Grupo Editorial Record. A obra traz ainda prefácio de Ricardo Salles e posfácio de Lilia Moritz Schwarcz.
 
Naquele momento, na segunda metade do século XIX, emergem ainda heróis de guerra como Floriano Peixoto e Deodoro da Fonseca, que viriam a proclamar e consolidar a República, assim como tantos outros nomes que hoje batizam ruas, praças e cidades em todo o país, tais quais General Osório, General Polidoro, Marechal Câmara, Marques do Heval, Francisco Otaviano e tantos outros. "O Exército ganhou expressividade política, a ponto de formular uma agenda de reformas que transcendia reivindicações corporativas. Falavam da abolição da escravatura, de industrialização, de proteção alfandegária, do soerguimento das classes médias, da restrição eleitoral e da purificação das instituições políticas. Aqui há algumas semelhanças com os militares do século XX", compara o organizador de Diário do Conde D'Eu – Comandante em chefe das tropas brasileiras em operação na República do Paraguai .
 
Substituto de Duque de Caxias , Conde D'Eu assumiu a chefia das tropas num momento em que as forças adversárias já estavam praticamente subjugadas, restando a missão principal de capturar o ditador paraguaio Francisco Solano López. Portanto, já não eram tão frequentes os embates diretos contra as derradeiras tropas de Solano López, que não passavam de pelotões maltrapilhos e que chegaram a recrutar crianças  para pegar em armas.
 
DIÁRIO DO CONDE D'EU
Org. Rodrigo Goyena Soares
336 páginas
R$ 54,90
Editora Paz & Terra
(Grupo Editorial Record)

NÓS SOMOS A MUDANÇA QUE BUSCAMOS

por Redação.

28/09/2017 22:10:00
 
Os discursos de Barack Obama
 
De 2008, quando foi eleito o 44º presidente dos Estados Unidos, a 2016, quando entregou o cargo, já no segundo mandato, Barack Obama inspirou os americanos e o mundo com seus discursos firmes, conciliadores, eloquentes e emocionantes. O primeiro presidente negro a dirigir a nação mais poderosa do mundo, filho de um queniano com uma americana do Kansas e nascido no Havaí, se posicionou sobre todos os temas, internos e externos, e foi um dos mais influentes governantes deste início de século XXI.
 
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O livro “Nós somos a mudança que buscamos”, que a editora BestSeller lança agora no Brasil, reúne 27 de suas falas, começando em 2002, antes de sua primeira eleição ao governo, quando ele fez uma severa crítica à guerra no Iraque, ainda como senador. O último texto é o de despedida, lido em Chicago, em janeiro de 2017.
 
Com a posse de Donald Trump, os discursos ganham ainda maior significado histórico pelo contraste com as falas e as medidas que estão sendo colocadas em prática pelo republicano, totalmente contrárias ao que pregava seu antecessor nos seus oito anos de mandato. No discurso do Estado da União de 2013, por exemplo, Obama pregava a necessidade de uma reforma nas leis de imigração, não só para tentar barrar a entrada em massa, mas para acolher os que já estavam no país, desde que em condições de trabalho e de se regularizar. Em Washington, Trump começa a cumprir suas promessas de campanha e já anunciou que vai acabar com o programa de proteção aos filhos de imigrantes ilegais.
 
Nossa economia fica mais forte quando canalizamos os talentos e as habilidades de imigrantes esforçados e cheios de expectativas. E, neste exato momento, líderes das comunidades empresariais, trabalhistas, jurídicas e religiosas concordam que chegou a hora de aprovar uma abrangente reforma da imigração. É agora o momento de fazê-lo. (...) Uma verdadeira reforma significa estabelecer um caminho responsável para a cidadania conquistada — um caminho que inclua se submeter à verificação de antecedentes, ao pagamento de impostos e a uma penalidade significativa, a aprender inglês e entrar no fim da fila, depois das pessoas que tentam entrar legalmente no país. E uma verdadeira reforma significa reformar o sistema de imigração legal para diminuir os períodos de espera e atrair os empreendedores e engenheiros altamente especializados que nos ajudarão a criar empregos e expandir nossa economia”, discursou o ex-presidente.
 
No momento em que o país vê ressurgirem movimentos de supremacia branca e conflitos raciais que pareciam relegados ao passado sangrento voltarem à tona, é crucial revisitar as falas de Obama sobre o assunto. No início deste mês de agosto, Trump foi criticado por dizer que havia culpa dos dois lados, ao se pronunciar sobre os confrontos entre grupos neonazistas e antirracistas em Charlottesville, na Virgínia. Em junho de 2015, Obama foi até a histórica igreja metodista de Mother Emanuel, onde o reverendo Clementa Pinckney fora assassinado, junto com oito dos seus paroquianos, e fez um de seus mais belos discursos. Ele emocionou a plateia também ao cantar com a congregação a oração fúnebre “Amazing grace”.
 
Durante muito tempo nos mantivemos cegos à dor que a bandeira dos Confederados causava em um número muito grande dos nossos cidadãos.  Claro que uma bandeira não causou esses assassinatos. Mas como reconhecem hoje pessoas de todas as camadas da sociedade, republicanos e democratas — entre elas o governador Haley, cuja eloquência recente nessa questão é digna de elogio —, como todos nós temos de reconhecer, a bandeira sempre representou mais que apenas um orgulho ancestral. Para muitos, negros e brancos, essa bandeira era um lembrete de uma opressão sistêmica e da subjugação racial. É o que vemos agora. Retirar a bandeira da assembleia estadual não seria um ato de correção política; não seria um insulto ao heroísmo dos soldados confederados. Seria simplesmente o reconhecimento de que a causa pela qual lutaram — a causa da escravidão — era equivocada, de que a imposição de Jim Crow depois da Guerra Civil e a resistência aos direitos civis para todos eram coisas equivocadas. Seria um passo para um relato honesto da história dos Estados Unidos; um bálsamo modesto mas significativo para tantas feridas ainda abertas. Seria uma expressão das incríveis mudanças que transformaram este estado e este país para melhor, em virtude da ação de tantas pessoas de boa vontade, pessoas de todas as raças lutando para formar uma união mais perfeita. Retirando essa bandeira, nós manifestamos a graça de Deus.”
 
Em outro momento pujante do livro, Obama fala, em julho de 2013, sobre o julgamento do assassino de Trayvon Martin, jovem morto a tiros por um vigia na Flórida, quando voltava para casa depois de fazer compras. “Como sabem, quando Trayvon Martin foi morto, eu disse que ele podia ser meu filho. Outra forma de dizer a mesma coisa é que Trayvon Martin podia ter sido eu 35 anos atrás. E quando tentamos entender por que há tanta dor na comunidade afro-americana em torno do que aconteceu aqui, acho importante reconhecer que a comunidade afro-americana encara essa questão por meio de um conjunto de experiências e de uma história que se recusa a ir embora. São poucos os homens negros em nosso país que não tiveram a experiência de ser seguidos ao fazer compras em uma loja de departamentos. E isso me inclui. São poucos os homens negros que não tiveram a experiência de percorrer uma rua e ouvir as trancas serem acionadas nas portas dos carros. É o que acontecia comigo — pelo menos até eu ser eleito senador. São poucos 
os negros que não tiveram a experiência de entrar em um elevador e ver uma mulher agarrando a própria bolsa, nervosa, ou contendo a respiração até poder sair dali. Isso acontece com frequência. Não quero exagerar, mas todas essas experiências informam a maneira como a comunidade afro-americana interpreta o que aconteceu certa noite na Flórida. E é inevitável que essas experiências se reflitam no julgamento das pessoas. A comunidade afro-americana também sabe que existe uma história de disparidades raciais na aplicação das nossas leis penais — desde a pena de morte até a aplicação da legislação sobre drogas. E isso acaba tendo um impacto no modo como as pessoas interpretam o caso.”
 
No discurso de despedida, que nem todos os presidentes americanos fazem ao deixarem os cargos, Obama fez questão de defender o seu legado diante da campanha de difamação feita por Trump durante a campanha presidencial, e se mostrou preocupado com os rumos da democracia americana. Ele elogiou os progressos alcançados na saúde, nos direitos dos LGBT, dos imigrantes e no combate às mudanças climáticas.
 
Os discursos foram organizados por E.J. Dionne Jr., colunista do Washington Post e professor da universidade de Georgetown; e pela analista política Joy-Ann Reid. Nos textos, Obama fala de sua trajetória na política, de economia, desigualdade, questões raciais, violência armada e direitos humanos. Cada discurso é precedido de notas e contexto histórico. O livro chega às livrarias em outubro.
*Do romance “O sol é para todos”, de Harper Lee (José Olympio)
 
NÓS SOMOS A MUDANÇA QUE BUSCAMOS
Os discursos de Barack Obama
Organizado por E.J. Dionne Jr. e Joy-Ann (Joy) Reid
Páginas 332
Preço R$ 42,90
Editora BestSeller/ Grupo Editorial Record

O espelho secreto

por Redação.

27/09/2017 00:05:00
 
Putney mantém o ritmo ágil da narrativa, acrescenta uma pitada de suspense e traz fatos históricos como pano de fundo, proporcionando muito entretenimento neste seu primeiro romance para jovens” – Kirkus Reviews
 
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Até o fim do século XVII, Londres era um lugar seguro para quem possuía magia. Porém, nem todos a usavam com discernimento. Era comum ver aqueles que se aproveitavam dos poderes para trapacear, persuadir ou até mesmo seduzir alguém. Outros preferiam usar a magia para influenciar no clima e favorecer suas terras, por exemplo. Mas quando a magia começou a atrapalhar os interesses da nobreza, eles decidiram bani-la da sociedade aristocrata. Agora marginalizada, quem possui poderes precisa escondê-los a todo custo. É o caso de Lady Victoria Mansfield, que aos 16 anos descobre ter habilidade de voar. Ela é a filha caçula do conde Fairmount, nascida em uma tradicional família londrina. Ninguém pode saber sobre o seu dom ou Victoria pode ser exilada na Abadia de Lackland, um temido reformatório capaz de “curar” quem nasceu com magia.
 
É nesta Londres histórica e cheia de encantamento que M.J Putney, alter ego de Mary Jo Putney, ambienta o seu “O espelho secreto”. Este é o primeiro livro juvenil da autora. A obra chega às livrarias em setembro pela Bertrand Brasil.
 
O espelho secreto
M.J. Putney
Páginas: 308
Preço: R$ 44,90
Tradução: Sibele Menegazzi
Editora: Bertrand Brasil | Grupo Editorial Record