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UMA HISTÓRIA CULTURAL DA RÚSSIA

por Redação.

10/08/2017 20:25:00
 
Em “Guerra e paz”, de Tolstoi, há uma cena em que a condessa Natasha Rostova vai com seu irmão Nikolai à cabana de um “tio”, depois de uma caçada, prova de petiscos russos e dança graciosamente “Lá vem uma donzela pela rua”, uma cantiga pastoril romântica que ela, criada em salões nobres, nunca ouvira antes. Segundo o autor russo, a facilidade com que a moça se apropriou da música e da dança camponesa mostra que ali, naquela melodia e letra, estavam o “espírito e os movimentos russos inimitáveis” presentes em todos os homens e mulheres do país. É nessa cena que o historiador inglês Orlando Figes se inspira para escrever “Uma história cultural da Rússia”, que a Record publica agora no Brasil.
 
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O que permitiu a Natasha captar tão instintivamente o ritmo da dança? Como pôde entrar tão facilmente nessa cultura de aldeia da qual, pela educação e pela classe social, estava tão afastada? Devemos supor, como Tolstoi nos pede nessa cena romântica, que uma nação como a Rússia pode se manter unida pelos fios invisíveis de uma sensibilidade nativa? A pergunta nos leva ao centro deste livro. Ele se denomina uma história cultural. Porém, os elementos de cultura que o leitor aqui encontrará não são apenas grandes obras criativas como Guerra e paz, mas também artefatos, desde os bordados populares do xale de Natasha às convenções musicais da canção camponesa. E são evocados não como monumentos à arte, mas como impressões da consciência nacional que se misturam à política e à ideologia, aos costumes e crenças sociais, ao folclore e à religião, aos hábitos e convenções e a todo o resto do bricabraque mental que constitui uma cultura e um modo de vida”, escreve o autor na introdução da obra.
 
Segundo Figes, nos últimos duzentos anos, na ausência de parlamento e imprensa livre, coube às artes do país refletir sobre política, filosofia e religião. Nesse livro monumental, ele apresenta aos leitores os bordados folclóricos, as canções camponesas, os ícones religiosos e todos os costumes do cotidiano, desde a comida e a bebida até os hábitos de banho, passando pelas crenças sobre o mundo espiritual. As personagens do historiador são múltiplas e diversas: vão de Tolstoi à serva Praskovia Sheremeteva, que se tornou a primeira estrela da ópera russa e chocou a sociedade quando casou com seu mestre, o conde Nikolai Petrovich, quase vinte anos mais velho.
               
De forma extraordinária, talvez exclusiva da Rússia, a energia artística do país foi quase inteiramente dedicada à busca da compreensão da ideia da sua nacionalidade. Em lugar nenhum o artista foi mais sobrecarregado com a tarefa da liderança moral e da profecia nacional, nem mais temido e perseguido pelo Estado. Alienados da Rússia oficial pela política e da Rússia camponesa pela educação, os artistas russos tomaram a si criar uma comunidade nacional de valores e ideias por meio da literatura e das artes plásticas. O que significava ser russo? Qual era o lugar e a missão da Rússia no mundo? E onde estava a verdadeira Rússia? Na Europa ou na Ásia? Em São Petersburgo ou em Moscou? No império do tsar ou na aldeia lamacenta de uma só rua onde morava o “tio” de Natasha? Estas eram as “malditas perguntas” que ocuparam a mente de todos os escritores, críticos literários e historiadores, pintores e compositores, teólogos e filósofos sérios na época de ouro da cultura russa, de Pushkin a Pasternak. São elas as perguntas que estão sob a superfície da arte neste livro. As obras aqui discutidas representam uma história das ideias e atitudes — conceitos da nação pelos quais a Rússia tentou se entender. Se olharmos com atenção, elas podem se tornar uma janela para a vida intima de uma nação”, escreve o autor.
 
Começando no século XIX com a construção de São Petersburgo – “uma janela ao oeste” – e culminando com os desafios impostos à identidade russa pelo regime soviético, Orlando Figes escreveu um livro que é considerado uma obra-prima sobre a Rússia. Ele chega às livrarias em agosto, pela Record.
 
TRECHO:
 
A dança de Natasha, no seu âmago, é um encontro entre dois mundos inteiramente diferentes: a cultura europeia das classes superiores e a cultura russa do campesinato. A guerra de 1812 foi o primeiro momento em que os dois se moveram juntos numa formação nacional. Movida pelo espírito patriótico dos servos, a aristocracia da geração de Natasha começou a se libertar das convenções estrangeiras da sua sociedade e buscar uma noção de nacionalidade baseada em princípios “russos”. Trocaram o francês que falavam pela língua nativa; russificaram os costumes e vestimentas, os hábitos alimentares e o gosto na decoração de interiores; foram ao campo aprender o folclore, a dança e a música camponesas, com a meta de criar um estilo nacional em todas as suas artes para alcançar e educar o homem comum; e, como o “tio” de Natasha (ou até mesmo o seu irmão, no final de Guerra e paz), alguns renunciaram à cultura da corte de São
Petersburgo e tentaram adotar um estilo de vida mais simples (mais “russo”) ao lado dos camponeses das suas propriedades.
 
A interação complexa entre esses dois mundos teve influência crucial sobre a consciência nacional e sobre todas as artes no século XIX. Essa interação é uma característica importante deste livro. Mas a história que ela conta não pretende sugerir que a consequência foi uma única cultura “nacional”. A Rússia era complexa demais, socialmente dividida, politicamente diversificada, mal definida em termos geográficos e, talvez, grande demais para uma cultura única se passar por herança nacional. Em vez disso, a minha intenção é me rejubilar com a enorme diversidade de formas culturais da Rússia. O que torna tão esclarecedor o trecho de Tolstoi é o modo como traz a dança tantas pessoas diferentes: Natasha e o irmão, a quem esse mundo estranho, mas encantador da aldeia e subitamente revelado; o “tio”, que vive nesse mundo mas não faz parte dele; Anisia, que é aldeã mas que também mora com o “tio” à margem do mundo de Natasha; e os servos caçadores e os outros servos domésticos, que observam, sem dúvida com diversão 
curiosa (e talvez com outros sentimentos também), a bela condessa executar a sua dança. A minha meta é explorar a cultura russa da mesma maneira que Tolstoi apresenta a dança de Natasha: como uma série de encontros ou atos sociais criativos que foram realizados e entendidos de muitas formas diferentes.
Ver uma cultura dessa maneira refratada e questionar a ideia de um núcleo puro, orgânico ou essencial. Não havia danca camponesa russa “autêntica” do tipo imaginado por Tolstoi e, assim como a melodia que Natasha danca, a maioria das “canções populares” russas, na verdade, vinha das cidades.”
 
UMA HISTÓRIA CULTURAL DA RÚSSIA
Orlando Figes
Tradução: Maria Beatriz de Medina
Páginas: 882
Preço: R$ 109,90
Editora: Record

A professora e o Nobel: Gabriel García Márquez

por Redação.

08/08/2017 22:18:00
 
Este belo romance da jornalista e escritora colombiana Beatriz Parga representa uma viagem no tempo entre encantamentos poéticos e informações preciosas sobre um dos maiores escritores do mundo. Este livro é uma longa entrevista romanceada feita por Beatriz Parga com Rosa Fergusson, a professora de Gabriel García Márquez, a pedido do próprio escritor.
 
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A história de ambos se inicia no pequeno povoado de Aracataca, quando a bela professora recebe em sua escola o menino Gabriel para iniciar seu processo de alfabetização. Ela o conhecia desde o berço, uma vez que suas famílias eram vizinhas e conhecidas a longo prazo.
 
Por várias vezes o ganhador do Nobel de Literatura afirmou que quem lhe ensinara a ler era uma professora muito bonita, graciosa, inteligente, que lhe ensinou o prazer de frequentar uma escola.
 
Quando García Márquez recebeu o Nobel de Literatura de 1982, em Estocolmo, suas primeiras palavras foram: “Dedico este prêmio à minha primeira professora, que me ensinou a escrever e a amar a literatura”. Uma narrativa apaixonante.
 
Sobre a autora:
 
Beatriz Parga iniciou sua carreira jornalística no El Tiempo de Bogotá, Colômbia. Foi reconhecida pela mídia da Espanha como uma dos “Cem Mais Influentes Jornalistas Hispânicos” nos EUA. Depois de ganhar o prêmio Inter American Press Association (IAPA) para estudar nos EUA, ela se mudou para Miami. Publicou numerosos artigos e colunas nos mais influentes jornais locais e internacionais (hispânicos), incluindo Diario Las Americas, El Nuevo Herald of Miami, Diario La Prensa of New York, e La Opinion of Los Angeles. Também escreveu para vários jornais latino-americanos e revistas hispânicas, como Cosmopolitan, Harper's Bazaar, Vanidades e íHola!. É autora de El Macho Latino - A Novel e da história de Columba Bush em La Cenicienta de la Casa Blanca. Na mídia Americana ela atua como consultora para The Miami Herald e como coordenadora editorial para a revista política Caribbean Review.
 
A professora e o Nobel: Gabriel García Márquez
16X23 cm
230 páginas
R$ 38,90

LOCK & MORI

por Luci Sciascia.

06/08/2017 17:48:00
 
Sherlock Holmes e Moriarty são personagens de romance juvenil em “Lock & Mori”
 
Um dos personagens mais icônicos da literatura mundial, Sherlock Holmes já inspirou as mais diferentes adaptações: filmes, séries, quadrinhos e até obras de arte. Agora, o detetive criado pelo escritor Arthur Conan Doyle aparece no universo das tramas juvenis. E quem conduz a trama é James Moriarty, outro nome importante da franquia escrita pelo britânico.
 
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Em "Lock & Mori", que chega às livrarias em agosto pela Galera, Sherlock Holmes é um adolescente brilhante, ainda lidando com as dificuldades do Ensino Médio. James Moriarty – que, nos livros de Doyle, é o arqui-inimigo do detetive – agora é uma menina, também bastante inteligente, colega de turma de Holmes.
 
O clima entre os dois geniozinhos é de disputa e, então, quando um assassinato acontece no Regent's Park, Holmes lança o desafio: ele duvida que Mori consiga solucionar o crime antes dele. Os dois selam o pacto, que tem uma única condição: eles precisam compartilhar todas as informações que encontrarem.
 
Mas, à medida que a investigação avança – e Mori fica cada vez mais atraída por Lock –, as coisas vão tomando um caminho sombrio: a menina descobre que o assassinato está ligado a seu próprio passado. E vai mentir não apenas para o parceiro, mas para todos à sua volta.
 
Para escrever seu primeiro livro, a autora Heather W. Petty, que é fã de histórias de mistério desde criança, recorreu a uma "brecha" na obra de Doyle: "Eu li um artigo sobre as relações de nêmesis que dizia que tudo que sabemos sobre Moriarty é o que Sherlock nos conta. E ele é o único que encontra com Moriarty nos livros originais. Isso me pareceu uma deliciosa lacuna na história, implorando para ser preenchida", diz, em seu site.
 
LOCK & MORI
(Lock & Mori)
HEATHER W. PETTY
Páginas: 256
Preço: R$ 39,90
Tradução: Regiane Winarski
Editora: Galera | Grupo Editorial Record

O QUE ACONTECEU NA NOSSA INFÂNCIA E O QUE FIZEMOS COM ISSO

por Redação.

02/08/2017 18:44:00
 
Autora do best-seller “A maternidade e o encontro com a própria sombra”, a psicoterapeuta argentina Laura Gutman é referência mundial na relação entre adultos e crianças. Em “O que aconteceu na nossa infância e o que fizemos com isso”, ela mostra como as experiências dos primeiros anos de vida, sobretudo no que diz respeito à interação das crianças com suas mães, influenciam na visão que temos sobre nós mesmos e estão ligadas às nossas angústias e aflições na vida adulta.
 
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Por meio de um método próprio chamado “biografia humana”, Laura propõe o resgate à infância para que o consultante, como ela chama seus pacientes, possa encontrar sua verdade interior, desconectando-se daquilo que lhe foi transmitido quando era pequeno:
 
Nossas lembranças, experiências e interpretações estabeleceram-se sobre a base daquilo que alguém muito importante nos disse. Esse alguém, na maioria dos casos, foi a nossa mãe. Nós, os beagadores (profissionais treinados para acompanhar as biografias humanas), temos de detectar e desativar essa lealdade emocional porque estamos tentando encontrar a criança real que esse indivíduo foi. Sem opiniões contra nem a favor.”, escreve no livro.
 
A autora apresenta no livro situações reais vividas com seus pacientes para mostrar como as pessoas criam personagens, denominados por ela como bunkers, para lidar com suas fragilidades emocionais que começaram a ser desenvolvidas na infância.
 
O que aconteceu na nossa infância e o que fizemos com isso” indica o caminho para que as pessoas possam olhar com novos olhos sobre sua própria trama.
 
Com mais de dez livros publicados, Laura Gutman é considerada autoridade nos temas maternidade, família e relacionamentos interpessoais. O livro A maternidade e o encontro com a própria sombra já vendeu mais de 30.000 exemplares. Ela também é autora de “Mulheres visíveis, mães invisíveis”, “A biografia humana” e “O poder do discurso materno.”
 
O QUE ACONTECEU NA NOSSA INFÂNCIA E O QUE FIZEMOS COM ISSO
(Qué nos pasó cuando fuimos niños y qué hicimos con eso)
Laura Gutman
Tradução: Mariana Corullón
252 páginas
R$ 42,90
Editora BestSeller
(Grupo Editorial Record)

Perto o bastante para tocar

por Redação.

01/08/2017 00:31:00
 
Engraçado e de aquecer o coração, o romance de Oakley é uma história de amor fora do comum com personagens cativantes e humor afiado. A jornada da reclusa Jubilee é fascinante.” — Publishers Weekly
 
Jubilee tem uma doença rara: ela é alérgica ao toque de outras pessoas, o que dificulta o seu convívio social. Sua vida se resume a roupas compridas e luvas para que nunca seja pega desprevenida. Até que certa vez, no colégio, ela foi beijada por um garoto e quase morreu. Além do fato de ter ficado hospitalizada, Jubilee ainda precisou lidar com a descoberta de que tudo não passou de uma aposta.
 
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Humilhada, ela decidiu ficar em casa. Isso foi há nove anos e desde então Jubilee não pisou mais na rua. Pouco tempo depois do incidente na escola, sua mãe se casou e foi morar com o marido. Mas isto não foi um problema para Jubilee. Ela até se surpreendeu com a quantidade de coisas que poderia resolver através de um computador: faculdade, compras, cursos em Havard, pagar contas, conversar com desconhecidos em chats... Mas um dia seu padrasto ligou informando o falecimento da esposa e agora, sem a mesada que recebia da mãe, a jovem vai precisar arranjar um emprego. O que significa ter contato direto com outras pessoas.
 
Jubilee começa a trabalhar na biblioteca da cidade e é lá que conhece Eric, um homem divorciado que adotou o afilhado após os pais do menino falecerem. Deste encontro surge um interesse mútuo e Eric e Jubilee precisarão superar diversas situações para ficarem juntos.
 
Perto o bastante para tocar
Colleen Oakley
Páginas: 350
Preço: R$ 39,90
Tradução: Valéria Lamim
Editora: Bertrand Brasil | Grupo Editorial Record