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A NONA SINFONIA

por Redação.

02/11/2017 17:18:00
 
José Olympio lança "A Nona Sinfonia- a obra-prima de Beethoven e o mundo na época de sua criação"
 
A Nona Sinfonia, símbolo de liberdade e alegria, foi a mais impressionante tentativa de Beethoven de ajudar a humanidade a encontrar a saída da escuridão em direção à luz, do caos à paz. A obra surgiu numa época de repressão, em que as dinastias dos Bourbon, dos Habsburgo e dos Romanov, aterrorizadas, recorriam a todos os meios para esmagar a agitação populista que se seguiu à Revolução Francesa e às guerras napoleônicas.
 
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Ironicamente, a estreia desse hino à fraternidade universal – em 7 de maio de 1824 – teve lugar em Viena, capital de um país então transformado no primeiro Estado policial moderno. Ainda assim, foi o principal acontecimento artístico daquele ano, inscrevendo-se como marco de grandeza imediato, muito acima das questões políticas do tempo, ainda hoje uma das composições mais influentes da história da música – criação de um inconformado.
 
Em A Nona Sinfonia, contudo, o eminente historiador Harvey Sachs demonstra que Beethoven não estava sozinho na insatisfação com o mundo. Lorde Byron morreu, naquele em 1824, lutando para libertar a Grécia do domínio do Império Otomano; Delacroix pintou uma obra-prima para apoiar a mesma causa; Pushkin, sofrendo nas mãos de um tsar autocrático, começou a redigir sua peça libertária Boris Godunov; e Stendhal e Heine escreveram livros que zombavam do pensamento convencional.
 
A Nona Sinfonia era tão inovadora que deixou perplexos e confusos os ouvintes da estreia — relatada por Sachs de maneira vibrante —, mas se transformaria numa referência para posteriores gerações de artistas, para os quais Beethoven encarnaria o culto romântico do gênio. Neste livro provocante e avesso às convenções, a obra-prima do compositor impõe-se como prisma através do qual podemos divisar a política, a estética e o ambiente de uma época.
 
Ao mesmo tempo biografia, história e memória, A Nona Sinfonia explora com brilhantismo os desvãos da derradeira sinfonia de Beethoven, mostrando de que maneira trouxe a primeiro plano o poder do indivíduo, ao mesmo tempo em que celebrava o espírito coletivo da humanidade.
 
A NONA SINFONIA
Harvey Sachs
280 páginas
R$ 44,90
José Olympio
(Grupo Editorial Record)

UM LEGADO DE ESPIÕES

por Redação.

30/10/2017 19:34:00
 
John le Carré volta à Guerra Fria e a alguns de seus personagens icônicos, 27 anos depois
 
Em “Um legado de espiões”, o mestre da literatura de espionagem alterna o enredo entre os dias atuais e a década de 1960, cenário de seus mais famosos romances
 
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Ele mesmo um ex-espião, John le Carré mudou os parâmetros da literatura de espionagem mundial. O talento para narrativas e o conhecimento dos bastidores do assunto alçaram seus livros ambientados na Guerra Fria à categoria de clássicos, e os transformaram em referências para futuros autores do gênero. Em “Um legado de espiões”, que chega às livrarias no fim de outubro pela Record, Le Carré retoma as trajetórias de alguns de seus principais personagens 27 anos depois do lançamento de “O peregrino secreto”, até então último livro protagonizado por George Smiley, seu personagem mais famoso.
 
Na trama, Peter Guillam, parceiro e discípulo de Smiley na Circus – como é chamado o Serviço Secreto Britânico em suas histórias, inspirado no MI6 – vive tranquilo, mas um tanto atormentado, numa fazenda na Bretanha após sua aposentadoria. Um dia, recebe uma carta que o convoca, com urgência, a prestar esclarecimentos à antiga agência.
 
Assim, ele vai ser obrigado a relembrar um episódio difícil de sua trajetória profissional: a operação Windfall, que, na década de 1960, acabou dando muito errado e matando um casal de agentes e amigos de Guillam – em uma passagem que é parte do enredo do clássico “O espião que saiu do frio”.  Nos dias de hoje, os filhos do casal estão dispostos a descobrir exatamente o que aconteceu – e a arrancar muito dinheiro dos cofres britânicos no processo.
 
Le Carré vai alternando entre passado e presente, com as memórias e depoimentos de Guillam, mergulhando numa incrível retomada de seu familiar universo e dos temas que lhe são mais caros: a Guerra Fria e os conflitos morais da espionagem. E aqui ele vai além porque, ao relacionar os eventos do passado com os dias atuais, o personagem – e também o autor – compara o trabalho de agências de inteligência ontem e hoje, além de refletir sobre a legitimidade daquela guerra e até que ponto as ideologias que a guiaram permanecem vivas.
 
Um legado de espiões” é o nono romance da série George Smiley. Ele encerra a franquia iniciada com “O morto ao telefone”, de 1961, e que tem também entre seus títulos obras como “O espião que sabia demais”. Nos próximos meses, a Record lançará ainda novas edições dos outros oito livros, com capas novas e traduções revisadas.
 
TRECHO
 
Chegamos ao que parece ser o último andar, mas nada sinaliza isso. No mundo que um dia habitei, seus maiores segredos estavam sempre no último andar. Minha jovem acompanhante tem um punhado de fitas penduradas no pescoço contendo etiquetas eletrônicas. A menina abre uma porta também sem identificação, eu entro, ela fecha a porta. Tento girar a maçaneta. Nada acontece. Já fui trancafiado algumas vezes na vida, mas sempre pelo inimigo. Não há janelas ali; só pinturas infantis de flores e casas. Será que são os trabalhinhos da aula de artes dos filhos de A. Butterfield? Ou desenhos de ex-encarcerados?
E o que aconteceu com todos os barulhos? Quanto mais presto atenção, mais o silêncio piora. Nenhum ruído prazeroso de máquinas de escrever, nenhum telefone tocando sem parar, nenhum carrinho de pastas e arquivos chacoalhando como a van do leiteiro pelos corredores de tábuas corridas, nenhum urro furioso e gutural mandando parar essa porra de assobio! Em algum lugar no caminho entre Cambridge Circus e o Embankment, algo morreu, e não foi apenas o rangido de carrinhos de pastas e arquivos.”
 
JOHN LE CARRÉ
Páginas: 252
Preço: R$ 39,90
Tradução: Roberto Muggiati
Editora: Record

A MENTE IMPRUDENTE

por Redação.

21/10/2017 16:27:00
 
A mente imprudente” mostra como intelectuais do século XX apoiaram princípios tiranos e regimes totalitários
 
De Heidegger a Foucault, historiador da Universidade de Columbia analisa como pensadores foram influenciados por ideologias e paixões de suas épocas
 
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Ao longo da história, certos intelectuais receberam de braços abertos regimes totalitários fascistas e comunistas. Esta é a premissa do historiador americano Mark Lilla no livro “A mente imprudente”, lançamento da Editora Record. Em forma de ensaios, Lilla traça o perfil filosófico-político de seis pensadores do século XX, que, na visão do autor, se deixaram levar por ideologias e fecharam os olhos ao autoritarismo, à brutalidade e ao terrorismo de Estado.
 
O historiador conta a trajetória do filósofo alemão Martin Heidegger e sua entrada no partido nazista em maio de 1933, ainda que hoje já se saiba que pelo menos dois anos antes ele já tinha manifestado apoio a Hitler. A decisão de seguir o nazismo complicou a vida de seu amigo  Karl Jaspers e de Hannah Arendt, com quem Heidegger viveu um romance.
 
Jaspers era um amigo, Arendt fora sua amante, e ambos admiravam Heidegger como um pensador que, segundo acreditavam, tinha revivido sozinho o autêntico ato de filosofar. Agora eles tinham de se perguntar se sua decisão política refletia apenas uma fraqueza de caráter ou se havia sido preparada pelo que Arendt chamaria mais tarde de seu “pensamento apaixonado”. Neste último caso, significaria que seu próprio apego intelectual/erótico a ele como pensador estava comprometido? Acaso haviam se equivocado apenas a respeito de Heidegger ou também sobre a filosofia e sua relação com a realidade política?”, indaga o autor.
 
Assim como Heidegger, o filósofo alemão Carlos Schmitt apoiou publicamente os nazistas nos primeiros dias do Terceiro Reich.  Lilla analisa também como Walter Benjamin, considerado um dos intelectuais mais importantes do século XX, expressa em suas cartas que era um pensador teologicamente inspirado e politicamente instável. Ele conta que nos anos 30, Benjamin se mantivera calado sobre “processos exemplares” em Moscou e ao longo da década não foi capaz de criticar Stalin publicamente, nem quando a militante e diretora teatral Asja Lacis, com quem se envolveu amorosamente, foi levada a um gulag, campo de trabalho forçado para onde iam “inimigos” do Estado.
 
O historiador relata ainda aspectos controversos na trajetória do filósofo russo Alexandre Kojève, do franco-argelino Jacques Derrida e de Michel Foucalt,  que se declarava discípulo do Marquês de Sade e se divertia com as gravuras de Goya retratando a carnificina da guerra:
 
Assistimos ao processo mediante o qual uma obsessão intelectual com a transgressão culminou numa perigosa dança com a morte”, afirma.
 
A MENTE IMPRUDENTE
(The reckless mind: intellectuals in politics)
Mark Lilla
196 páginas
R$39,90
Editora Record
(Grupo Editorial Record)

SENHOR DAS SOMBRAS

por Redação.

15/10/2017 17:33:00
 
Cassandra Clare lança segundo volume da trilogia "Os artifícios das trevas"
 
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Cassandra Clare, autora do fenômeno "Os instrumentos mortais", já chegou à marca de 2 milhões de exemplares vendidos no Brasil. Em 2016, a Galera Record lançou sua nova trilogia ambientada no universo dos Caçadores de Sombras, "Os artifícios das trevas". Este mês, chega às livrarias o segundo volume da série, que alcançou os primeiros lugares das listas de mais vendidos em todo o mundo e no Brasil.
 
Em "Senhor das sombras", Emma Castairs está tentando lidar com o amor proibido que sente por Julian, seu parabatai — um parceiro Caçador de Sombras, unido a ela por um juramento de lealdade eterna e por quem Emma não poderia nunca se apaixonar, sob o risco de serem destruídos por uma maldição. No entanto, ela não só quebra essa regra como o sentimento também é recíproco.
 
Para proteger Julian, Emma começa a namorar Mark Blackthorn, irmão dele, que passou os últimos cinco anos preso no Reino das Fadas e não sabe se um dia conseguirá voltar a ser um Caçador das Sombras. Há, porém, um livro de magia negra que apenas os Blackthorn podem encontrar, o Volume Negro dos Mortos, que é a única esperança de Emma e Julian. Para tentar encontrá-lo, os dois se juntam a Mark e a Cristina, melhor amiga da protagonista, em uma viagem pelo Reino das Fadas.
 
Enquanto isso, as tensões entre os Nephilim e o Submundo parecem cada vez piores. Assim, surge um grupo extremista de Caçadores de Sombras disposto a interrogar e torturar quem quer que viole os acordos estabelecidos na Paz Fria. Algo que não se distancia muito da vida real, diz a autora. "À medida que passávamos por toda a nossa eleição dos EUA, eles [os personagens do livro] definitivamente foram se tornando um grupo mais xenófobo, fascista, mais nacionalista, e foi realmente interessante planejar tudo isso. Eu senti que estava refletindo coisas que estavam acontecendo no momento em que eu estava escrevendo", comentou Cassandra em entrevista a jornal Independent, que pode ser lida na íntegra aqui.
 
Do outro lado, os integrantes do Submundo se voltam contra a Clave dando origem a uma nova ameaça: o Senhor das Sombras. Para proteger tudo aquilo que mais amam, Emma, Julian e Mark contam com um plano arriscado, cujo sucesso pode ter um resultado terrível para eles.
 
A primeira edição de "Senhor das sombras" tem capa com tratamento holográfico e um capítulo extra.
 
SENHOR DAS SOMBRAS
OS ARTIFÍCIOS DAS TREVAS – VOL . 2
(Lord of shadows)
CASSANDRA CLARE
Preço: R$ 49,90
Tradução: Rita Sussekind e Ana Resende
Editora: Galera | Grupo Editorial Record

A VERDADE SOBRE A TRAGÉDIA DOS ROMANOV

por Redação.

15/10/2017 15:50:00
 
Em livro, historiador contesta versão oficial sobre assassinato dos Romanov
 
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Em 1917, a Revolução Russa mudou a configuração do país – e depois, consequentemente, do mundo – ao derrubar a monarquia e alçar o partido bolchevique e seu regime socialista soviético ao poder. Durante pouco mais de um ano, o tsar deposto, Nicolau II, viveu em prisão domiciliar e posterior exílio com a família – a esposa e cinco filhos. Em julho de 1918, toda a família foi executada na cidade de Ecaterimbugo, num dos mais emblemáticos episódios da revolução. Embora essa seja a história oficial, sempre houve teorias de que alguns dos membros do clã Romanov pudessem ter, secretamente, escapado da morte. O historiador Marc Ferro é um dos que questiona esta narrativa, como mostra em “A verdade sobre a tragédia dos Romanov”, que a Record lança em outubro.
 
Em intenso trabalho de pesquisa, Ferro consultou documentos, depoimentos e diários, analisou casos como os de juízes e testemunhas subitamente mortos ou executados, peças do dossiê de instrução subutilizadas e testes de DNA controversos. Por fim, chegou à conclusão de que a tsarina e suas filhas teriam sido salvas graças a um acordo secreto entre bolcheviques e alemães, a partir do qual – e para sempre – elas deveriam se calar sobre terem sobrevivido.
 
No livro, o especialista em história européia do início do século XX e em história da Rússia e da União Soviética constrói a sua tese: ele detalha seu processo de apuração, revisita as tensões da época e analisa a posterior investigação conduzida pela Rússia. O livro traz ainda um apêndice com a íntegra de alguns dos documentos citados por Ferro, uma cronologia dos acontecimentos e a genealogia da família Romanov, entre outros extras.
 
TRECHO
 
Neste inverno, recebi o telefonema de uma colega americana que ainda não conhecia, Marie Stravlo. De um fôlego só, ela disse: ‘Olá, Marc Ferro, encontrei o rastro de Olga, filha do tsar. Os documentos estão no Vaticano. Você tinha razão em Nicolau II. Suas filhas não foram executadas.’
Há um mês, Marie Stravlo bateu à minha porta, orgulhosa e feliz por ter em mãos o diário de Olga Romanov, escrito nos anos 1950 e intitulado Io vivo... [Eu vivo]. ‘Como você conseguiu descobrir a verdade?’, perguntou ela.
Eu lhe respondo neste livro.
Para ser honesto, minha hipótese, formulada pela primeira vez em 1990 em uma biografia de Nicolau II, foi recebida na França com uma indiferença e um silêncio glaciais. ‘Uma farsa!’, escreveu um jornal londrino.
Como se poderia pôr em dúvida o que se sabia há muito tempo, ou seja, que em 16 de julho de 1918, na casa Ipatiev, em Ecaterimburgo, Nicolau II, sua esposa, seu filho e suas quatro filhas foram selvagemente executados pelos bolcheviques?
 
Marc Ferro é historiador e diretor acadêmico da Escola de Altos Estudos em Ciências Sociais, em Paris, codiretor da revista Les Annales e coeditor do Journal of Contemporary History. É autor, entre outros, de “Cinema e história” e “Reviravolta da história: a queda do muro de Berlim" e o fim do comunismo, ambos pela Paz & Terra.
 
A VERDADE SOBRE A TRAGÉDIA DOS ROMANOV
(La vérité sur la tragédie des Romanov)
MARC FERRO
Páginas: 168
Preço: R$ 39,90
Tradução: Alessandra Bonrruquer
Editora: Record