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Geraldo Nunes

Arnesto lembrava com gratidão do amigo Adoniran Barbosa

por Geraldo Nunes.

 
Ao receber a notícia do falecimento de Ernesto Paulelli na semana que antecedeu o carnaval busquei no arquivo a entrevista que fiz com ele para a Rádio Eldorado e transcrevi no formato de reportagem aquilo que me foi contado em março de 2005. Ele confirma que morou no Brás, mas o restante do enredo foi inventado pelo compositor Adoniran Barbosa. Ele não deixou os amigos esperando na porta de sua casa. Penso inclusive que ele preferia não ter morrido tão perto do carnaval. Por ele, aguardaria pelos mais uns dias até a festa passar. Mas como diria Adoniran: “Pacência”. Segue a transcrição.
 
O Samba do Arnesto conta a história de um anfitrião que convida os amigos para ir à sua casa, mas quando chegam dão com a cara na porta e nem há um bilhete dando recado se voltaria logo, ou não. Pura falta de educação em um tempo onde quase ninguém tinha telefone em casa.   Entretanto, Ernesto Paulelli dizia que nunca deu cano em ninguém e que tudo não passou de uma ficção imaginada pelo amigo dele, Adoniran Barbosa, que um dia prometeu fazer uma música em sua homenagem. Essa canção foi o “Samba do Arnesto”  que fez de Paulelli um personagem real do samba paulista e da cidade. Semana passada Ernesto Paulelli se foi, aos 99 anos.  “O Adoniran me chamava de Arnesto porque dizia que ficava mais sonoro e engraçado, ele me rebatizou sabia? Hoje quase todos me chamam assim, de Arnesto e nem ligo mais, agora me sinto orgulhoso porque ele fez uma música para mim”. Logo em seguida ele reclama dizendo que o compositor arrumou uma “treta” para ele, “porque acham que eu fui mesmo um ‘tratante’, um ‘furão’ e não recebi os amigos em casa, mas eu garanto isso nunca aconteceu”, explicou Arnesto, digo, Ernesto Paulelli na entrevista à Rádio Eldorado.
 
Seu nascimento se deu no Brás, em 1914 e morou bairro por muitos anos, depois ja adulto se mudou para a vizinha Mooca. Foi engraxate na infância e depois na adolescência aprendeu tocar violão com os boêmios que circulavam por lá. Passou a acompanhar artistas no rádio entre os quais uma cantora conhecida por Nhá Zéfa que se apresentava aos domingos à tarde em uma emissora concorrente da Record, então a mais ouvida da cidade. Um dia Nhá Zéfa foi convidada para se apresentar na Record e pediu para Ernesto acompanhá-la. Foi então que ele e Adoniran se conheceram e ficaram amigos. Um dia Adoniran lhe pede um cartão de visitas e ao receber pronuncia, “Arnesto” sendo corrigido pelo companheiro. “Meu nome correto é Ernesto”, explicou, mas o artista insistiu em pronunciar errado. Indagado por que fazia aquilo, Adoniran disse que pronunciar Arnesto, era mais fácil e que ficasse tranquilo, porque não sairia por aí falando o nome dele errado, mas que ainda faria um samba para com este nome.
 
Depois dessa conversa quinze anos se passam. Paulelli torna-se advogado pelas Faculdades Integradas de Guarulhos, obtendo registro na OAB sob no. 40532. Certo dia, com o rádio ligado em casa, ouve pela primeira vez o Samba do Arnesto, cantado pelos Demônios da Garoa e se emociona. “Eu me lembrei da promessa que ele fez”, da música que faria para mim. Naquele dia resolve nem ir trabalhar e se dirige à Rádio Record para encontrar o amigo Adoniran e cumprimentá-lo.  Logo que chega o encontra e se abraçam e o compositor se referindo ao samba, o chama de compadre e diz: “Você batizou uma de minhas filhas”, porque Adoniran considerava que suas músicas eram como se fossem verdadeiras filhas dele.  Quanto ao parceiro na composição, Alocin, Ernesto conta que também o conheceu. “O nome dele é Nicola, mas escrito de maneira invertida, porque o Adoniran tinha esse costume de modificar as nomenclaturas, fez até com ele mesmo, seu nome verdadeiro era João Rubinato”.
 
Ao longo da vida, Ernesto e Adoniran continuaram amigos, mas nunca foram próximos. Voltaram a se rever em 1979 na extinta TV Tupi em um programa que se chamava “Almoço com as Estrelas”, onde os dois foram entrevistados pelos apresentadores Ayrton e Lolita Rodrigues. “Naquela oportunidade a história do ‘Samba do Arnesto’, foi contada pela primeira vez em público e depois daquele dia, só fui ver o Adoniran no velório dele”, contou para arrematar que aquele dia também foi inusitado: “as pessoas ficavam lembrando as piadas que ele contava e riam quase na frente do defunto enquanto a Matilde, esposa dele chorava”, explicou afirmando que até ele ficou constrangido quando foram lhe pedir autógrafos.  
 
Quem comunicou o falecimento de Ernesto Paulelli, foi sua filha Valéria, de 67 anos, que sonhava em ver o pai chegar ao centenário. Faltou pouco, ele faria aniversário em dezembro.
 
Samba do Arnesto (Adoniran Barbosa e Alocin)

O Arnesto nos convidou pra um samba, ele mora no Brás
Nós fumos não encontremos ninguém
Nós “vortemos” com uma baita de uma “réiva”
Da outra vez nós “num” vai mais
Nós não “semos” tatu!
(Bis)
No outro dia “encontremo” com o Arnesto
Que pediu desculpas mais nós não “aceitemos”
Isso não se faz, Arnesto, nós não se importa
Mas bem que você devia ter “ponhado” um recado na porta…
… Um recado assim ói: “Ói, turma, num deu pra esperá
Aduvido que isso, num faz mar, num tem importância,
Assinado em cruz porque não sei escrever”.

Samba-enredo, do apogeu à queda

por Geraldo Nunes.

Que o carnaval já foi muito mais animado, isso não se discute, mas até o que restava de interessante nos dias do reinado de Momo, os desfiles das escolas de samba do Rio e de São Paulo, vem se mostrando há algum tempo repetitivos e cansativos.
 
 
 
Não se canta mais no carnaval, apesar dos sambas de enredo mudarem a cada ano. Mas não há um que fique na lembrança, após a quarta-feira de cinzas. No passado foram feitos sambas-enredo que entraram para a história, é o caso de “Aquarela Brasileira”, composição de Silas de Oliveira, para a Império Serrano no carnaval de 1964. De tão belo continuou sendo cantado levando Martinho da Vila a gravá-lo em 1974, eternizando essa verdadeira página do carnaval brasileiro. A própria Império Serrano decidiu de novo apresentá-lo na Marquês de Sapucaí em 2004, tamanha a tradição. Sua letra diz: “Vejam esta maravilha de cenário, é um episódio relicário que o artista num sonho genial, escolheu pra este carnaval”... 

Este é só um exemplo de sambas-enredo até hoje cantados e lembrados, existem outros tanto no Rio como em São Paulo, o problema é que de uns tempos para cá, não temais surgido um samba marcante.
 
Levei essa questão aos entendidos em música e carnaval e eles concordaram. Desse jeito, a atual geração de sambistas não deixará um legado para as novas gerações. O jornalista Maurício Coutinho, especialista em carnaval, entende que como a quantidade de exigências para escola fazer um bom desfile aumentou, o carnavalesco acaba interferindo na elaboração da música para o congraçamento do samba com as alegorias. “Isso acaba tirando a inspiração dos compositores”, diz Maurício. Outro entendido, o repórter Gilberto Rodrigues que cobre há mais de dez anos os desfiles em São Paulo, aponta outro motivo. “Como os desfiles estão cada vez mais caros, as escolas correm durante o ano em busca de patrocinadores como organismos internacionais e empresas estrangeiras”, explica citando o exemplo da escola paulistana Unidos de Vila Maria que no ano passado precisou falar da Coreia do Sul. “Os compositores da escola não conseguiram criar uma letra agradável para o tema e o samba ficou cansativo”, lembra o repórter informando 
que o resultado foi o descenso da escola. 
 
O musicólogo Ricardo Cravo Albin, do Rio Janeiro, é outro que vê com preocupação a situação dos sambas-enredo. “Antes – diz ele - havia um ou dois compositores no máximo em cada samba e hoje há até seis pessoas participando da composição, ou seja, “cada um faz uma parte e isso obviamente não vai resultar em uma boa música”, lamenta o especialista, temendo não a decadência dos desfiles, mas o desinteresse da população pelo que acontece no sambódromo. “No Rio de Janeiro, a procura pelo samba de rua e pelas bandas carnavalescas vem aumentando a cada ano, a ponto da prefeitura ter adotado um esquema de infra-estrutura para manter a cidade limpa após os eventos”, ressalta Cravo Albin, assinalando que o sambódromo e os desfiles da Sapucaí, assim como em São Paulo, já atraem mais turistas que moradores da cidade, além das pessoas ligadas ao samba. 
 
Maurício Coutinho que é paulistano concorda com o musicólogo carioca e acrescenta que só quando começar a diminuir o público nas arquibancadas é que os organizadores do carnaval pensarão em fórmulas para voltar a valorizar o samba-enredo. “Estou tomando por base o resultado positivo das bandas pré – carnavalescas que estão crescendo em interesse do público a cada ano”, ressalta Maurício apontando que no último fim de semana 43 blocos desfilaram na Avenida Sumaré atraindo cerca de 50 mil pessoas da classe média. 
Esses foliões certamente deixarão São Paulo durante o carnaval viajando em busca das praias e do lazer, coisa comum por aqui nessa época do ano. Ao mesmo tempo o samba seguirá seu destino confinado a um canto da Marginal do Tietê onde se localiza o sambódromo do Anhembi.
 
Um pouco da história do samba
 
 
O samba é brasileiro e se formatou na Bahia, nas senzalas do século XIX, da mistura dos ritmos africanos trazidos pelos escravos vindos de várias partes daquele continente ao longo dos anos. Mas foi no Rio de Janeiro que o samba criou raízes e se desenvolveu, mesmo perseguido, a ponto de até o final da década de 1920, quem fosse pego dançando ou cantando samba corria um grande risco de ir batucar atrás das grades, o samba era malvisto pela sociedade. 
 
Nesse aspecto Noel Rosa merece ser citado. Ele foi um dos primeiros brancos a compor sambas e quem sabe até por suas canções o ritmo passou a ser aceito. Ele cantava, “ninguém aprende samba no colégio” e assim surgiram as escolas especializadas no ritmo que passaram a desfilar nas ruas do Rio de Janeiro, a partir da metade dos anos 30 interpretando no carnaval aquilo que já se cantava, não havia o samba de enredo.
 
Foi então que surgiram as escolas de samba levando para a avenida e depois aos sambódromos um tema diferente a cada ano. Esses temas surgiam da inspiração dos compositores e assim nasceu o samba de enredo. À medida que a qualidade dos desfiles evoluiu, a quantidade de exigências aumentou.
 
As escolas criaram uma linha de compositores e intérpretes para tocar e cantar em cada ano um samba diferente. Surgiram também os organizadores do desfile que fazem o congraçamento das fantasias e alegorias com o que está sendo cantado, é o carnavalesco. Hoje em dia é o carnavalesco que estipula o que deve ser dito no samba enredo atrapalhando a inspiração do compositor.Alguns especialistas sugerem mudanças senão os sambas de enredo poderão entrar em decadência como aconteceu com as marchinhas.
 
Lembre a letra do samba Aquarela Brasileira, de Silas de Oliveira
 
Vejam esta maravilha de cenário
É um episódio relicário
Que o artista num sonho genial
Escolheu pra este carnaval
E o asfalto como passarela
Será a tela do Brasil em forma de aquarela
Passeando pelas cercanias do Amazonas
Conheci vastos seringais
No Pará a ilha de Marajó
E a velha cabana do Timbó.
Caminhando ainda um pouco mais
Deparei com lindos coqueirais
Estava no Ceará,terra de Irapuã
De Iracema e Tupa.
Fiquei radiante de alegria
Quando cheguei na Bahia
Bahia de Castro Alves,do acarajé
Das noites de magia do cadomblé
Depois de atravessar as matas do Ipu
Assisti em Pernambuco
A festa do frevo e do maracatu.
Brasília tem o seu destaque
Na arte, na Beleza e arquitetura
Feitiço de garoa pela serra
São Paulo engrandece a nossa terra
Do leste por todo centro-oeste
Tudo é belo e tem lindo matiz
O Rio do samba e das batucadas
dos malandros e mulatas
de requebros febris
Brasil, essas nossas verdes matas
cachoeiras e cascatas
de colorido sutil
e este lindo céu azul de anil
emolduram aquarela o meu Brasil
 
Lá rá rá rá rá
Lá rá rá rá rá

Raio-X das comemorações São Paulo 460 anos

por Geraldo Nunes.

Em plena festa de aniversário, paulistanos mostram o que esperam e o que pensam da cidade onde vivem e trabalham
 
 
Hibou é o nome de uma empresa de monitoramento de mercado que realizou uma pesquisa com 510 paulistanos durante as comemorações dos 460 anos da cidade, entre 24 e 25 de janeiro. O levantamento revelou expectativas e impressões do paulistano em relação à cidade. Entre os entrevistados, 71% pertencem a uma nova geração que já nasceu na capital paulista e revelou gostar daqui. Desses, 53% disseram se sentir bem em São Paulo mesmo enfrentando todos os problemas que envolvem o trânsito e a segurança. Uma parcela de 35% disse gostar muito, e apenas 1% afirmam não gostar nem um pouco da cidade.
 
 
“Notamos que o paulistano se confunde ao ser questionado sobre algum lugar ou alguma coisa que identifique São Paulo e alguns acabam misturando ícones da cidade com sensações sobre o modo de ser do paulistano”, revela Lígia Mello coordenadora da pesquisa. A quantidade de moradores que disseram ser a Avenida Paulista o lugar que mais gostam chegou a 16%, enquanto que outros 15% consideram que o mais interessante de São Paulo são as pessoas que aqui vivem e a presença delas no convívio social garante a preferência em aqui ficar. 11% curtem na metrópole sua agitação constante e 8% o caos;  7% a noite com muitas opções de lazer e cultura; 7% o trânsito, 6% o Parque Ibirapuera, 5% o centro da cidade, 4% a diversidade e 2% o abandono.
 
Paulistanos Conscientes
 
Questionados sobre a limpeza e manutenção dos monumentos públicos, 73% dos paulistanos entrevistados afirmaram que percebem a falta de higiene e da manutenção na maioria deles. “O morador daqui se mostra preocupado com a preservação da cidade”, diz Lígia Mello, salientando, no entanto, que somente 13% responderam que nunca repararam na má conservação enquanto outros 14% acreditam que nossos monumentos são bem conservados sim.
 
O Melhor e o Pior de SP
 

 
Foi pedido aos entrevistados na pesquisa da Hibou que citassem  até três coisas que consideram o melhor e o pior da cidade de São Paulo. Observou-se que as oportunidades profissionais e o acesso variado à cultura são as grandes forças que a cidade apresenta junto aos paulistanos. Já a violência e o trânsito são os maiores problemas citados, consolidando a posição de uma metrópole com dificuldades para solucionar questões urbanas. A corrupção foi citada apenas por três dos 510 entrevistados.
 
São Paulo em 2024
 
Para finalizar a pesquisa os entrevistados foram questionados sobre como eles acreditam que a cidade estará em 10 anos. A grande maioria, com 71%, acha que o trânsito vai causar um colapso na questão da mobilidade. 45% estão preocupados com os preços que estarão ainda mais altos. 41% acreditam que daqui a uma década muitas pessoas terão deixado São Paulo buscando lugares mais tranquilos. Apenas uma minoria acredita que as pessoas serão mais solidárias e que a cidade será mais sustentável com melhor qualidade de vida. “Os dados nos mostraram que os paulistanos andam descrentes de uma melhoria na cidade, a tendência é de uma São Paulo mais difícil de morar” finaliza Lígia Mello, coordenadora da pesquisa promovida pela Hibou, empresa que estudou a vida e o futuro de São Paulo, no dia em que a cidade completou os seus 460 anos. 

Festa em São Paulo do Ano Novo Chinês

por Geraldo Nunes.

 
Outro destaque é a aproximação do ano novo lunar que se inicia entre 1º e 2 de fevereiro. Para marcar a passagem, a capital paulista vai se pintar, no bairro da Liberdade, nas cores vermelho, amarelo e dourado para comemorar a entrada do Ano do Cavalo. Para os chineses é época para fortalecer a amizade e o amor. 
 
Dia a lenda que o calendário remonta a 2.600 a. C.,  quando o mítico Imperador Amarelo começou o primeiro ciclo do zodíaco chinês e nomeou um animal para representar cada ano no ciclo de doze anos. Os doze signos animais são: rato, boi, tigre, coelho, dragão, serpente, cavalo, cabra, galo, macaco, cão e porco. “A ordem de cada um está diretamente ligada a uma crença”, comenta o descendente de chineses Benjamin Ting, da JCI Brasil-China, entidade internacional que congrega jovens com a missão de difundir e promover a integração cultural entre os dois países e
organizadora da festa na Liberdade. Ele explica: “Se você nasceu em 1918, 1930, 1942, 1954, 1966, 1978, 1990 ou 2002, faz parte de uma gama de pessoas pertencentes ao signo do cavalo que é o sétimo entre os doze animais do zodíaco chinês”.
 
Pessoas nascidas no ano do cavalo são muito animadas, ativas e enérgicas. Elas são, normalmente, elegantes, independentes, gentis e trabalhadoras. A característica mais marcante é a forte autoconfiança. Pelo nono ano consecutivo, a comemoração acontece entre a Praça da Liberdade e a Rua Galvão Bueno com um publico estimado em 150 mil pessoas com direito de apreciar a culinária e a diversificada programação cultural como as tradicionais danças do dragão e do leão, lutas marciais, atrações musicais e até miniaulas de mandarim e feng shui.  
 
 
Para os orientais é o ano 4712 que irá se estender por 13 meses, tempo necessário para compatibilizar a volta da terra em torno do sol. O ano do Cavalo, segundo o mestre I Ming, presidente da Sociedade Feng Shui do Brasil, exige tolerância para solucionar questões inconvenientes, por isso ele recomenda; “use tons de vermelho, azul e verde, as cores da sorte nesse ano”.
 
Astrólogos que se baseiam no calendário chinês preveem para o Brasil neste ano novo lunar, problemas na área da saúde, mas progresso na agricultura e educação. Pessoas dos signos de Tigre, Cão e Cabra terão um ano repleto de boas notícias. Será mais difícil para os nascidos no signo do Rato e do Boi.
 
No País de Origem
 
O Ano Novo Chinês é o feriado mais importante de toda a Ásia. No período dos festejos, o país para por quinze dias devido aos preparativos, viagens e rituais que marcam a passagem. Geralmente, são realizados grandes banquetes em casa ou em restaurantes e nestes jantares, é comum uma grande variedade de pratos, muitos à base de peixe, o símbolo da fartura.
Na China é uma época em que muitos voltam para suas cidades de origem para visitar parentes e amigos, levando presentes e os tradicionais envelopes vermelhos – hong bao – que contêm dinheiro. O momento mais esperado da comemoração é a queima de fogos de artifício que, asegundo a crença, atrai sorte e espanta as energias negativas.
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460 anos e várias razões para amar São Paulo

por Geraldo Nunes.

 
Para comemorar o aniversário de São Paulo não é preciso fazer festa em sua casa e nem soltar rojão. Deixe os festejos oficiais para a prefeitura, basta comemorar intimamente, de coração aberto, em silêncio, mas com pensamento positivo em favor da cidade, afinal São Paulo que tanto de ajuda merece um segundo de atenção.
 
Ainda é a maior cidade japonesa fora do Japão, a maior cidade libanesa fora do Líbano e uma das cinco maiores cidades italianas de todo o mundo. A cidade que tem por costume receber a todos de braços abertos possui as melhores escolas, hospitais e empregos  Por isso todos que aqui chegam, ainda que com o objetivo de um dia voltar à terra natal acabam ficando. 
 
O italiano Francesco Amendola, que entrevistei em um de meus programas de rádio, morou no Brás, e serve de exemplo de quem veio, ficou e se apaixonou pela cidade.  Os filhos dele que nasceram no Brasil sabem falar duas línguas, porque na escola aprenderam o português, mas dentro de casa ainda hoje só se fala italiano.
 
Bexiga

São Paulo possui um bairro que tem apelido, a Bela Vista é também conhecida como Bexiga, ou melhor, “Bixiga”, com i, por exigência de Armando Puglisi, que dizia não conhecer ninguém que pronunciasse essa palavra com “e”. “Todos pronunciam Bixiga”, insistia.  Existem várias versões para explicar este apelido. Uma delas é que no passado o lugar servia de refúgio aos portadores da varíola, uma doença contagiosa. Outra explica que havia a estalagem de um português conhecido como João Bexiga. Ele ganhou fama porque não pedia dinheiro a quem quisesse dormir em sua casa, só cobrava para tomar conta do cavalo dos viajantes. No século 20 a Bela Vista passou a receber imigrantes italianos, geralmente calabreses, que trouxeram seus costumes e suas festas como a de N. senhora Achiropita, mas o apelido permaneceu, Bexiga e isto faz do bairro uma história à parte em São Paulo.  
Hoje seu morador símbolo tenta manter as tradições do bairro. Seu nome é Walter Taverna, que todos anos faz um bolo com o tamanho em metros que corresponde à idade que São Paulo tem. Este apego ao Bexiga tem uma explicação. Ele nasceu na Rua Treze de Maio e depois, após a família ser despejada dormiu várias noites na escadaria da Praça do Orione, mas sobreviveu graças à ajuda de moradores.
 
Avenida Paulista

Não dá para falar de São Paulo sem citar Avenida Paulista, uma referência para todos nós.  A Paulista é o nosso ponto de encontro e também um lugar de lembranças sejam elas boas ou ruins. Quem nunca foi à Paulista para encontrar alguém que atire a primeira pedra. Ela ostentou casarões até os anos 70 foi a primeira a ser previamente planejada por um empreendedor chamado Joaquim Eugênio de  Lima. Hoje recebe por dia mais de um milhão e meio de pessoas daqui e de vários lugares. São 103 edifícios, sendo 87 comerciais e 13 residenciais. Desses se destacam o Conjunto Nacional que ocupa todo um quarteirão, o prédio da Fiesp, no formato de uma pirâmide e a sede do Masp - Museu de Arte de São Paulo que tem a forma de um paralelepípedo sustentado por duas pilastras separadas entre si pelo maior vão livre do mundo numa distância de 74 metros. Metade do PIB brasileiro passa pela avenida Paulista. São 52 bancos e 15 consulados, além de 15 hospitais, muitas empresas e escritórios. 
Em média 280 ônibus por hora e 90 mil carros trafegando todos os dias. Todos querem a Paulista para si ou para alguma coisa. Por isso a prefeitura estipulou que só duas vezes por ano a avenida ficará fechada aos carros para dar dá lugar às pessoas.  Durante a Parada Gay e na corrida de São Silvestre que agora acontece pela manhã e antecede à festa do réveillon. Mesmo assim, em 2013 a Paulista voltou a ser palco de manifestações a partir de junho com o Movimento Passe Livre e outros grupos terminando as passeatas muitas vezes em pancadaria. Avenida Paulista é viva, a prova é a época do natal onde ela fica toda enfeitada.
 
Praça da Sé

Para gostar de São Paulo é preciso entender a cidade e aprender com a vida. Melhor aprendizado não há do que visitar a Praça da Sé onde as contradições se escancaram entre as orações ouvidas dentro catedral e as pregações dos evangélicos do lado de fora em meio aos pedintes, aos desempregados, aos sem – teto que por lá perambulam sem ter para onde ir e às pessoas apressadas buscando suas conduções. Lá está o marco zero, um momento que de tão pequeno dá para debruçar sobre ele, serve de mesa para uma eventual refeição dos “moradores” da Sé e até para um carteado. Porém, pedimos respeito porque este monumento é o marco zero das distâncias. Isso desde os tempos dos jesuítas, ponto de partida e de chegada dos bandeirantes e o Largo da Sé dos caipiras que é hoje a Praça da Sé dos nordestinos se constitui neste século XXI no resumo de um imenso Brasil. Entendendo a Praça da Sé aprenderemos a gostar de São Paulo.
 
Parque do Ibirapuera

Você já imaginou São Paulo sem o sangue arterial rico em oxigênio de todas as manhãs?  Estou perguntando se você já pensou em São Paulo sem o Parque do Ibirapuera.  Não dá para pensar na cidade que aniversaria sem esta área verde, tão nobre, tão central,  tão necessária! O Ibirapuera nasceu da ideia de Francisco Matarazzo Sobrinho, o Ciccilo.  Filho de uma família tradicional, das tantas que vivem em São Paulo, este mecenas que também idealizou o MAM – Museu de Arte Moderna, sugeriu que a cidade construísse um parque para comemorar seu Quarto Centenário de fundação, em 1954. Assim nasceu a proposta, levada adiante pelo projeto do arquiteto Oscar Niemeyer e pelo paisagista Burle Marx.  O Ibirapuera deve ser encarado como o melhor presente que a cidade já ganhou em seus 455 anos de existência.  Refugio para o descanso e o lazer, próximo a um lago com chafariz gigante, o parque é tão bom que dá até para entrar de carro em alguns pontos.  
 
Há quem reclame disso, mas no Ibirapuera também há prédios como o Pavilhão da Bienal que nos anos pares reúne o que há de melhor em artes plásticas e um belo teatro para shows e atrações. 
Sob a marquise dá para patinar, brincar de bicicleta e há locais destinados aos exercícios físicos e ao Cooper.  No pavilhão japonês há um lago onde carpas coloridas ornamentam o lugar em que foi montado um palácio imperial construído em Kioto.  Também há o viveiro de plantas Manequinho Lopes porque no Parque do Ibirapuera a natureza jamais é esquecida.
 
São Paulo e sua história

Voltemos no tempo 460 anos atrás para avistar uma colina e logo abaixo dela rios, peixes e tamanduás. Este foi o lugar escolhido para a construção de um colégio que deu origem a São Paulo. A primeira razão da escolha foi o clima parecido ao da Península Ibérica, depois porque ali perto passavam dois rios, o Tamanduateí e o Anhangabaú. Para compreender este ambiente não basta apenas conhecer a língua portuguesa, mas também o dialeto indígena de poucas e repetitivas palavras que definem o nome Piratininga que significa peixe seco. Os peixes eram tantos que quando as águas baixavam não conseguiam voltar, morriam e secavam às margens. 
 
Em torno do colégio de Piratininga foram surgindo as ruas que formaram uma triângulo.  Primeiro a Direita de quem vai para Santo Antonio, depois a Rua São Bento e além dessa, a Rua do Rosário que hoje é a XV de Novembro. Em torno de igrejas nascia São Paulo e suas ruas. Talvez por isso a cidade seja santificada no ato de acolher e de “fazer a vida” de tantas pessoas.  Quando a cidade começou a crescer foi preciso construir o primeiro viaduto sobre uma chácara onde se plantava Chá. Ali nascia um novo centro e vieram bairros como República, Consolação e os grandes arranha - céus, como o edifício Itália, ainda o mais alto da cidade.
 
O centro se expandiu a outras regiões e o que existe lá se esvaziou, mas assim é São Paulo que cresceu nos Jardins, no Itaim, Pinheiros, no Morumbi e se esparramou por uma imensa periferia. A cidade cresceu porque só havia essa ordem: crescer. Deste crescimento surgiu a São Paulo que hoje conhecemos com tantos problemas e o seu trânsito caótico.  Mas para tudo há soluções e como aqui a filosofia é trabalho, os moradores seguem essa trilha chamada progresso. Aonde chegará esse gigante? O tempo dirá. Viva São Paulo.