Espaço Vinil
selo Anuncieaqui duplo

Geraldo Nunes

Antiga estação desativada de energia vira espaço de experimentação de artes e música no centro de SP

por Geraldo Nunes.

 
Um novo espaço cultural voltado às artes e a música foi criado em São Paulo num prédio bem conhecido dos paulistanos, mas nem sempre lembrado. O lugar se localiza na Praça da Bandeira, ao lado da Avenida 23 de Maio onde funcionou a subestação Riachuelo de eletricidade, criada pela antiga Light & Power, em 1926 e que agora levará o nome de Red Bull Station. 
 
O prédio é tombado desde 2002 pelo Conpresp - Conselho Municipal de Preservação do Patrimônio Histórico, Cultural e Ambiental da Cidade de São Paulo e alguns leitores e ouvintes andaram reclamando, mas de nossa parte não vemos nada de mal em se utilizar um espaço tombado desde que sejam respeitadas as normas arquitetônicas da construção. A informação inicial é que   houve uma longa reforma para adaptação ao novo uso do espaço e restauro seguindo-se as regras do Conpresp e que o espaço ocupará os cinco andares do prédio. 
 
As atividades já começaram, mas a partir do início de 2014 ganharão força com os participantes trabalhando em ateliês individuais, onde originalmente funcionavam as salas de transformadores de energia, podendo cada um apresentar suas obras no espaço expositivo chamado de Galeria Transitória. Com foco no desenvolvimento de artistas, ocorrerão palestras e workshops com produtores e pesquisadores com foco em artes plásticas e música.
 
O prédio ainda abrigará um estúdio para gravações e ensaios.  O Red Bull Studio, é um projeto internacional já presente em outras cidades como Nova York, Los Angeles, Madri, Cidade do Cabo, Copenhague, Auckland, Londres, Amsterdã e Paris. O estúdio se coloca como um espaço de experimentação e produção musical para artistas novos onde poderão ser gravados programas especiais para a web, além de workshops ministrados por grandes nomes da música nacional e internacional. A curadora do projeto é Paula Borghi
 
As reformas estão sob responsabilidade do escritório Triptyque, que, no entanto, vai criar um novo ambiente no topo do prédio, uma espécie de heliponto que não se destinará ao pouso de helicópteros mas para uma área de convivência com coquetéis ao ar livre, com vista para o centro da cidade. A reforma também restaura e reativa um antigo chafariz que fica no topo do edifício. A Lock Engenharia é o escritório responsável pela execução e coordenação da obra civil. O espaço está dividido em cinco níveis: porão (subsolo), térreo, mezanino, piso superior e laje (cobertura). O porão abriga um espaço expositivo, camarim, lounge e área livre para ensaios.
 
O estúdio de música (Red Bull Studio) fica no térreo, assim como o café, espaço expositivo principal e um lounge; O mezanino é ocupado por escritórios e parte técnica. No andar superior estão os ateliês dos integrantes da residência artística e a Galeria Transitória – onde os artistas poderão testar seus trabalhos antes de descerem para a galeria principal – além de salas para workshops e palestras. A bomba de água original da sala de máquinas foi integrada à decoração do restaurante que funcionará no local. 
 
Esse antigo prédio foi construído pela Light & Power Company em uma região antes chamada de Baixo Piques, um lugar lamacento pela confluência dos córregos Saracura e Itororó, com o Anhangabaú. Estudantes da faculdade de Direito, bem próxima dali, se aventuravam nos finais de semana em caçadas às perdizes existentes em grande número. Ali se localizava a estalagem de um português cujo apelido era João Bexiga que não cobrava para que as pessoas dormissem em sua casa, mas cobrava para guardar os animais. Da Praça da Bandeira, onde há hoje um terminal de ônibus partiam os caminhos de tropeiros e boiadeiros que seguiam a Santo Amaro e a Pinheiros. Esses caminhos tinham início onde estão hoje respectivamente as ruas Santo Amaro e Santo Antônio. Havia também nas proximidades, no século XIX,  um matadouro, cujos tripeiros comercializavam a bexiga de boi e deste comércio, além do apelido do dono da estalagem, surgiram as versões para o nome do bairro que ali se instalou morro acima, o Bexiga, cujo nome oficial é Bela Vista.O novo espaço cultural surge, portanto, repleto de muitas histórias da São Paulo antiga e o restauro completo da fachada do prédio, que poderá ser visto iluminado nas noites de trânsito na Avenida 23 de Maio, será finalizado em janeiro de 2014.