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Geraldo Nunes

Os festejos do ano-novo são diferentes pelo mundo afora

por Geraldo Nunes.

 
No Brasil, apesar da “festa da virada” se brinda pouco o ano – novo com músicas. Uma antiga canção gravada por João Dias, em 1964, chamada Fim de Ano, ainda é muito cantada nessa época. Francisco Alves, considerado o “Rei da Voz” dizia que João Dias seria seu sucessor. De fato as duas vozes eram belas e muito parecidas, mas os sucessos de João Dias foram poucos se comparados ao antecessor. Mas ficou o registro da gravação que saiu em 78 rpm. 

Réveillon é uma derivação do verbo francês réveiller que significa, despertar.  No século XVII, o termo passou a ser usado designar longos e chiques encontros seguidos de vários jantares realizados em qualquer época do ano. Com o tempo, é que a palavra foi se enquadrando ao sinônimo de festa de passagem de ano, mas a comemoração do ano - novo tem ligação com a natureza e o plantio. Dois mil anos antes da era cristã, os antigos babilônios festejavam a entrada de um novo ciclo por volta do início da primavera no hemisfério norte, o que equivale ao dia 23 de março do calendário cristão. Nessa data era feita a plantação das novas safras, daí a noção de reinício, preservada até hoje entre os ocidentais. 
 
Os gregos celebravam o início do novo ciclo entre 21 e 22 de dezembro, mas o ritual representava fertilidade, pelo renascimento anual do deus Dionísio, a quem se homenageava desfilando com um bebê em um cesto. Para os egípcios a comemoração do ano-novo se dava quando a estrela Sirius surgia no horizonte de Mênfis, a cidade dos primeiros faraós. A data 16 de julho é ainda simbólica para esse povo, porque marca o começo da cheia anual do rio Nilo.
 
Na Alemanha, o porco simboliza boa sorte na comemoração do Réveillon. As celebrações muitas vezes incluem banquetes tendo o leitão como um dos pratos. As mesas são decoradas com porcos em miniatura feitos de marzipã, uma massa doce de biscoito ou chocolate. Entre os povos germânicos, os porcos significam sinal de fartura, fertilidade e riqueza. Na idade média quem possuísse porcos era considerado abastado.
 
No Camboja, as crianças lavam os pés de seus pais e avós para demonstrar respeito aos mais velhos e obter bênçãos em troca. Elas seguem a tradição de borrifar água no rosto, umas das outras, durante a manhã, e nos pés, à noite para que os desejos sejam atendidos no novo período que se inicia.  Naquele país, devastado por uma guerra no passado, o ano - novo é comemorado por três dias seguidos, sendo chamado de “Chaul Chnam Thmey”, que na língua nativa significa “entre, ano - novo”.  
 
Em 1995, os moradores de Talca, pequena cidade do Chile, iniciaram a tradição de passar a véspera do ano-novo junto aos familiares mortos.  Lá, as famílias comemoram a data no cemitério, perto das covas dos parentes. Esta prática vem sendo repetida todos os anos por cerca de cinco mil pessoas.
 
Datas diferentes, sentidos iguais
 
Os judeus têm sua celebração de Ano Novo no primeiro dia do mês de Tishrei, que é o primeiro mês do calendário judaico. O ano novo judaico começa em meados de setembro ou começo de outubro: é o Rosh Hashaná, a “festa das trombetas". Na China, a passagem do ano cai no fim de janeiro ou início de fevereiro, porque lá se segue o calendário lunar.
 
Entre os islâmicos, o ano novo se inicia em maio, pois a contagem islâmica corresponde ao aniversário da Hégira, que em árabe significa emigração. O ano primeiro dos islâmicos corresponde ao 622 da era cristã, ocasião em que o profeta Maomé deixou a Cidade de Meca e se estabeleceu em Medina.
 
Em terras brasileiras
 
No Brasil muita gente gosta de entrar o ano novo na praia e geralmente vestindo roupas brancas. A passagem de ano à meia noite é sempre marcada pela queima de fogos de artifícios, mas a virada também é recheada de comidas e frutas, além do   misticismo que muitos aproveitam para fazer simpatias, molhando os pés no mar ou saltando três ondas para saudar Iemanjá. Para o brasileiro, o ano - novo é época de renovar e renovar sonhos. Deste modo, seja feliz em 2014.