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Geraldo Nunes

A cerimônia do Oscar, sua história e sua glória

por Geraldo Nunes.

 
A Academia de Artes e Ciências Cinematográficas de Hollywood anunciou os ganhadores do Oscar 2013. A cerimônia de entrega aconteceu em Los Angeles. O principal destaque foi "Lincoln", de Steven Spielberg, que disputou 12 categorias, incluindo melhor filme, melhor diretor e melhor ator, para Daniel Day-Lewis. Em seguida, veio "As aventuras de Pi", de Ang Lee, com 11indicações. Quem chamou mesmo atenção foi a pequena Quvenzhané Wallis, de 9 anos, indicada a melhor atriz por "Indomável Sonhadora".  A menina teve que mentir sua idade quando foi fazer o teste para o papel: embora tivesse apenas cinco anos, ela declarou ter seis, o mínimo exigido para se candidatar à vaga. 
 
 
A entrega do Oscar pela Academia de Ciências Cinematográficas de Hollywood, que é uma escola de cinema para os norte – americanos e para o mundo, acontece desde 1929. Outras cerimônias como o Grammy, o Emmy e Globo de Ouro, foram inspiradas no Oscar onde os indicados comparecem para a cerimônia, mas só ficam sabendo da vitória ali, naquele exato momento. É também a mais antiga cerimônia de premiação de mídia. Este ano foi a 85ª. entrega do Oscar.
 
A estatueta é de ouro e ninguém sabe direito porque recebe este nome. A versão mais popular e conhecida é a de que uma secretária-executiva da academia, Margareth Herrick, comentou que o troféu se parecia muito com um tio dela, chamado Oscar e todos passaram a chamar o troféu assim. Outra versão dá conta que a atriz Bette Davis o teria apelidado assim, dado a semelhança da estatueta com seu primeiro marido. 
 
O Oscar em si – cujo nome oficial é Prêmio de Mérito da Academia – é uma pequena estatueta de 35 cm de altura pesando quase quatro quilos, feita de estanho folheado a ouro de catorze quilates, em forma de um homem sobre um pedestal no formato de um rolo de filme, com uma espada descendo verticalmente na altura do peito. Seu valor real é de 200 dólares, mas seu valor simbólico é incomensurável, pelo prestígio profissional e popular que concede ao premiado e pelo faturamento que pode dar a um filme. Por isso a cada ano ocorrem fatos e até gafes históricas. A maior delas talvez tenha sido a de Humprey Bogart em 1943 que acreditava fielmente ter sido vencedor por seu desempenho no filme Casablanca. Na hora que anunciaram a escolha do melhor ator, Bogart ficou de pé antes que anunciassem seu nome para seu azar o nome anunciado foi outro. Ele então para disfarçar, passou a aplaudir efusivamente o adversário. 
 
Outra passagem dá conta que em 1976, Steven Spielberg contratou uma equipe para filmar suas reações na hora em que seu nome fosse anunciado como melhor diretor pelo filme Tubarão, só que isso não aconteceu, ele não ganhou nenhuma estátua e seu dinheiro aplicado em sua filmagem particular foi por água abaixo. 
 
Neste ano de 2013, a ansiedade pré-Oscar levou a cantora Adele a fazer sessões de hipnoterapia. Ela foi incumbida de interpretar no palco a canção título do filme "007 - operação Skyfall". 
Ocorre que a artista, desde que recebeu a indicação ao Oscar de melhor canção e o convite da Academia para se apresentar na festa, passou por momentos de angústia ao receber a notícia de que um de seus maiores ídolos, a cantora e atriz Barbra Streisand, também iria cantar na noite do Oscar. Adele buscou no psicólogo especialista em hipnose, ajuda para encarar o desafio.
 
A estatueta do Oscar, concebida em 1929 pelo diretor de arte Cedric Gibbons e pelo escultor George Stanley, não sofreu mudanças até hoje, nos mais de 80 anos em que já foi entregue. Apenas durante a Segunda Guerra Mundial foi confeccionada em gesso pintado com tinta dourada, devido ao esforço de guerra americano na época, que procurava racionar todos os tipos de metal. Após o conflito, os agraciados com estes Oscars tiveram seus prêmios trocados pela estatueta original.

Histórias das Canções de Tom Jobim em livro e show

por Geraldo Nunes.

 
 
O terceiro livro do escritor e pesquisador musical, Wagner Homem, contando histórias ligadas às canções de Tom Jobim ganhou formato de show cuja apresentação acontece em São Paulo no Café Paon, - Moema nesta sexta-feira a partir das 22 horas. Lá o autor estará contando com leveza e precisão aquilo que é contado no livro, ilustrado pelas canções ao vivo do conjunto Bossa Nova formado por Rogério Oliveira (violão e voz), Mário Carvalho (piano), Denilson Oliveira (percussão) e Fernando Barros (contrabaixo). 
 
 
O roteiro desfia uma sucessão de clássicos entre eles “Chega de Saudade”, “Teresa da Praia”, “Retrato em Branco e Preto” e “Por Causa de Você” numa trajetória não exatamente cronológica onde são citadas as parcerias de Tom Jobim com Vinicius de Moraes, Billy Blanco, Chico Buarque, Dolores Duran e Frank Sinatra que gravou suas canções em um álbum maravilhoso editado em 1967 com direito a um segundo volume no ano seguinte. O livro se chama Histórias de Canções – Tom Jobim com a assinatura de Wagner Homem em parceria com Luiz Roberto Oliveira e o lançamento aconteceu em novembro. “A ideia era essa, se lançar o livro primeiro e depois sair pelo Brasil apresentações contidas no texto”, explica Wagner Homem que entrevistou amigos, jornalistas e as ex-mulheres de Tom para elaborar a obra.
 
Antônio Carlos Brasileiro de Almeida Jobim nasceu no bairro da Tijuca, em 25 de janeiro 1927.  Poderia ter sido arquiteto se quisesse, mas a paixão pelo piano mudou o rumo de sua vida e consequentemente a história da MPB. “Histórias de canções – Tom Jobim” além de mergulhar nos fatos que marcaram e moldaram as letras das composições de Tom, narra também os encontros que fizeram surgir suas grandes parcerias, dentre as quais a que teve com Vinicius de Moraes.
 
 
A canção “Garota de Ipanema” foi composta por Tom e Vinicius para um musical que se chamaria Blimp. Hoje é a canção brasileira mais executada no mundo que, entretanto, não enriqueceu os compositores.  Para “Corcovado”, a inspiração de Tom teria sido a vista de seu apartamento, na Rua Nascimento Silva, 107.  O bar Veloso, que ele preferia chamar de Tom bar, foi cenário de mais uma grande história.  “Foi no telefone deste bar, diz a lenda, que o próprio Sinatra ligou para Tom o convidando para gravar um disco”, explica Wagner Homem, relembrando grandes amores, belas mulheres, paisagens de tirar o fôlego e as amizades de Tom, especialmente com um cantor e violonista muito afinado cujo nome é João Gilberto. Tom Jobim maestro, pianista, compositor, cantor, arranjador e acima de tudo brasileiro, morreu em 8 de dezembro de 1994, mas permanece imortal na nossa música .
Ficha Técnica do Livro
Título: Histórias de canções - Tom Jobim
Editora LeYa 
Autores: Wagner Homem, Luiz Roberto Oliveira
Formato: 16x23
Preço: R$44,90
Show:
Data: 22 de fevereiro de 2013 – 22 hs
Avenida Pavão, 950 - Moema - São Paulo 
Reservas: Fone: - (11) 5041 6738 / 5533 5100

 

Bento XVI primeiro papa do século 21 renuncia ao cargo

por Geraldo Nunes.

 
O Motu Próprio Ecclesiae Sanctae de Paulo VI estabeleceu a idade limite de 75 anos para a renúncia dos bispos e extensivo ao papa, bispo de Roma, com os cardeais de até 80 anos podendo votar na eleição de um novo pontífice
 
João Paulo II alquebrado pela idade avançada poderia ter renunciado se quisesse, mas preferiu manter-se no cargo, pois um papa emérito à sua época levaria uma legião em torno dele desviando as atenções dentro da Igreja. Como Bento XVI não dispõe do mesmo carisma a renúncia não provoca temeridade. Antes dele, o único papa a renunciar voluntariamente foi Celestino V, em 1294. Outros papas renunciaram ao cargo por forças políticas como aconteceu com Gregório XII, em 1415. 
A história dos papas é interessante, São Pedro foi o primeiro deles e Bento XVI o 265º. O século XX teve oito Papas à frente da Igreja Católica: São Pio X e Bento XV durante a Primeira Guerra Mundial, Pio XI conviveu com o nazi-facismo e o avanço comunismo, Pio XII conhecido como o "Pastor Angélico", João XXIII e Paulo VI os Pontífices do Concílio Vaticano II, João Paulo I que teve um pontificado de apenas 33 dias e João Paulo II que teve um dos pontificados mais longos da história da Igreja, com 27 anos.
O italiano Leão XIII eleito em 1878 foi o papa da virada de século e faleceu em 1903 com o conclave dos cardeais elegendo o também italiano Pio X único do século 20 a ser canonizado até agora. O polonês João Paulo II comandou a igreja na virada para o século 21 deixando o cargo para o alemão Joseph Ratzinger, o primeiro a abandonar o pontificado em seis séculos.
O conservador Bento XVI deve passar para a história como um papa frio, de grande conhecimento teológico é verdade, mas que não conseguiu, melhorar as relações da Igreja com as outras religiões e nem com os próprios fiéis. Renunciou devido a causas estritamente humanas, doença e idade, sem choro e nem vela. Celestino V ficou como o grande “refutador”. Dante Alighieri, seu inimigo, reservou a ele um lugar no inferno em sua obra a “Divina Comédia”. A alusão ao antigo papa está no canto III, da porta do inferno, onde estão as almas ingratas que não foram tementes a Deus. Escreveu Dante: “A grâ renúncia fez ignobilmente ... pois tornara sua casa em seita de almas aviltadas e que Deus repele”.

 

Elites criaram o carnaval brasileiro e o negro aperfeiçoou

por Geraldo Nunes.

Os primeiros movimentos em direção ao que é o carnaval de hoje surgiram ainda no século XIX, a partir da formação das primeiras sociedades carnavalescas surgidas no Rio de Janeiro em 1830  
 
 
O carnaval surgiu no Brasil por influência dos franceses que promoviam em Paris grandiosos bailes de máscara, ou a fantasia. No sentido político tal influência interessava à corte que assim se afastava dos costumes portugueses onde se fazia, nessa época do ano, a brincadeira do entrudo que consistia em atirar limõezinhos de cheiro, uns nos outros.
Para organizar e promover esses bailes foram criadas sociedades carnavalescas que tornaram o fato de se deslocar da sede desses locais para os bailes, em um desfile por si só com os ricos da época seguindo pelas ruas em carruagens abertas, exibindo à população suas caras fantasias, geralmente importadas da França tornando cada trajeto uma verdadeira atração, mesmo entre própria burguesia durante os dias de carnaval.
 

 
A população do Rio de Janeiro assistia a passagem desses grupos fantasiados com grande interesse, saudando a cada um com os limões de cheiro da tradição colonial para a irritação deles. Para evitar esse confronto, os passeios passaram a ser organizados em verdadeiros séquitos de carruagens, criando a idéia de um desfile de carros alegóricos, cuja moda se espalharia para outras cidades como Recife, Salvador e São Paulo. 
Na capital paulista, pelo início do século XX,  os primeiros carros motorizados e sem capota passaram a ser enfeitados para levar às ruas seus proprietários e familiares aos bailes em trajetos ainda organizados pelas sociedades carnavalescas. Logo depois surgiria o corso carnavalesco, ou simplesmente corso, nome dado aos passeios que buscavam reproduzir no país as batalhas de flores dos carnavais mais sofisticados da virada do século, como por exemplo, o da cidade de Nice, no sul da França. Ao se cruzarem, os ocupantes dos veículos, geralmente fantasiados lançavam uns nos outros, confetes, serpentinas e lança-perfume.
 

 
O corso começava em torno das cinco da tarde terminando por volta das nove da noite. Entre as brincadeiras, tudo era pretexto para a ostentação. À frente seguiam o chofer e o chefe da família. Atrás, a esposa e as filhas solteiras nas extremidades. A mãe ficava entre elas, porque o carnaval servia de oportunidade para a exibição das filhas em busca de um casamento.
Pudemos na década de 1990 entrevistar uma senhora nascida em 1915,  Diva Sampaio, que passeou nos corsos que aconteciam na Avenida Paulista. “Aos 14 anos fui levada ao corso no carro do meu tio, Joaquim Meira Botelho, um Packard, cuja placa tinha numeração semelhante ano da fabricação do carro, 1929”. Diva  Sampaio contou que durante o corso o trânsito parava algumas vezes, porque a guerra de serpentinas era muito grande e as mesmas ficavam enroscadas nas rodas dos carros. “Os motoristas então desciam para retirá-las e quem vinha atrás ficava parado aguardando, era a oportunidade para a paquera, porque os rapazes ficavam  nas calçadas, esperando o momento de vir até nós e ficar conversando”, relembrou Diva, acrescentando que após o desfile na Paulista os participantes do corso seguiam para requintados jantares no Trianon, ponto intermediário para quem fosse dançar nos bailes do clube Paulistano ou Harmonia, após às 22 horas.
O corso entrou em decadência a partir dos anos 1940, quando o carro começou a deixar de ser um privilégio das elites. Nesta época, classes mais populares começaram a alugar caminhões e seguir com eles para o corso na Avenida Paulista, irritando os moradores da requintada via. “Além disso, as manifestações de protesto passaram a ser vistas”, citou Diva Sampaio citando um carro que exibia a figura de um tubarão, numa crítica aos donos de indústria e comerciantes também chamados de tubarões.
O carnaval já efetivado aos festejos do Rio de Janeiro foi aceito em São Paulo oficialmente, em 1935, por decreto do prefeito Fábio Prado, acabando assim com o caráter marginal da festa. Foi permitido aos negros, por exemplo, que promovessem carnavais de rua que passaram a acontecer na Rua Direita onde se deram também os primeiros desfiles de escola de samba, delineando o carnaval que se faz hoje na cidade. Aliás, foi o negro quem introduziu o samba no carnaval e deu formato de samba às marchinhas que durante ilustraram os bailes de salão nas diversas entidades e clubes. O carnaval hoje é puramente brasileiro mas adquire os costumes de cada lugar onde acontece, provando ainda ter caráter popular. Hoje o carnaval de Salvador e Recife possuem formatos diferentes dos carnavais que se realizam no Rio de Janeiro ou em São Paulo e assim em cada cidade. Neles todos há algo em comum, a alegria de poder gritar “É carnaval”.   

 

Fotos antigas relembram São Paulo em mais um aniversário

por Geraldo Nunes.

Cidade completa 459 anos e momento melhor que este para ver antigas fotos não há, especialmente as enviadas por ouvintes
 
O advento das redes sociais pela internet aproximou os ouvintes dos programas de rádio e basta aos microfones e relatar algum caso ou situação passada pela cidade que inúmeras fotos daquele local ou acontecimento são postadas pelos ouvintes no twitter ou facebook. Sendo assim aproveito esse espaço que me é dedicado no City Portal para divulgá-las. Algumas fotos pertencem a agências noticiosas ou a profissionais e não nos cabe aqui publicá-las, mas outras que pertencem a acervos pessoais ou remetem a paisagens históricas merecem divulgação desde que autorizadas pelos seus proprietários. De um ouvinte chamado Pedro Oswaldo Scattoni, recebi uma foto do Brás tirada na Avenida Rangel Pestana na década de 1940 e nela se percebe o quanto o bairro era movimentado pelo trânsito, pessoas e o comércio.
 
 
Durante o programa Estadão Notícias levado ao ar nas madrugadas pela Rádio Estadão/ESPN falei certa vez das comemorações do IV Centenário de fundação da cidade de São Paulo que aconteceram não em 25 de janeiro de 1954 como nós mais jovens presumimos, mas em 9 de julho daquele ano, uma data também importante para os paulistas. Logo depois dessa informação, a ouvinte Flávia Marques postou uma foto que mostra autoridades desembarcando de seus automóveis, em frente à população aglomerada na Praça da Sé, para a missa campal em frente à catedral recém - inaugurada marcando o início das comemorações.
 
 
Neste mesmo ano de 1954 o fotógrafo Antonio Aguillar fazia registro do casarão que serviu de sede à Rádio América, na esquina entre a Rua da Consolação e a Rua Martins Fontes, próximo de onde está hoje o prédio do Hotel Jaraguá, mesmo edifício que já abrigou as redações dos jornais O Estado de São Paulo, Gazeta Mercantil e Diário Popular.  Era ano eleitoral e além do casarão por isso aparece quase no telhado do casarão um pôster do então candidato Adhemar de Barros ao mesmo tempo em que na rua passa um bonde aberto com um cidadão pendurado no estribo e um carro passando pelo bonde em sentido oposto. 
Na esquina dois carros aguardam a abertura do semáforo e ao fundo ainda não aparece o edifício Copan que seria construído anos mais tarde. No ano em que essa foto foi tirada, 1954, o locutor Salomão Esper, recém-chegado a São Paulo das bandas de Santa Rita do Passa Quatro, integrava o cast da América. Já o autor da foto, Antonio Aguillar, se tornaria radialista ocupando espaço nessa emissora hoje desativada. Aguillar ainda hoje, com 84 anos, apresenta um programa nos finais de semana pela Rádio Capital. O casarão fotografado seria demolido dois anos depois.
 
 
Foi também a ouvinte Flávia Marques quem me enviou essa foto do Rio Tietê onde aparecem dois barcos e seus respectivos barqueiros tentando passar por baixo de uma ponte de concreto onde hoje está a atual Ponte da Vila Guilherme. Segundo a ouvinte, a rua que segue após a ponte é a Carlos de Campos,  no Pari, embora a visão que se tenha é a da zona norte. Percebe-se que o rio estava cheio, pois os barcos estão quase esbarrando na ponte.  Antigamente, ao longo do Tietê,  não havia tantas pontes como hoje e para se atravessar de um lado ao outro havia barqueiros que cobravam pelo serviço. Por isso acreditamos que a foto em questão remonta ao início dos anos 1940. A foto foi tirada na direção da zona norte e as casas da região eram muito simples, pois costumeiramente eram invadidas pelas águas todas as vezes em que o rio transbordava.
 
 
Como resido na Aclimação, o ouvinte Francisco de Assis fez questão de me presentear com uma foto da Rua Apeninos cujo nome se encaixa à geografia do trajeto. Na Itália os montes apeninos seguem pelo país do litoral do golfo de Genova aos Alpes Marítimos e neste bairro paulistano segue um trajeto de aclive e declive entre as ruas Paraíso e Pires da Mota. A foto tirada em 1958 é justamente desse trecho onde se avista o antigo prédio da Cervejaria Brahma, sua chaminé e ainda a cúpula da Catedral Ortodoxa do Paraíso que é de 1951, localizada na Rua Vergueiro, 1515. O prédio da Brahma hoje está fora dessa paisagem, foi demolido na década de 1990 e durante anos os terrenos permaneceram vazios porque se temia que uma nova construção pudesse se atingir as estruturas da estação Paraíso do metrô, vizinha ao conjunto. Depois de um longo e detalhado estudo três torres residenciais foram construídas no quadrilátero entre as ruas Vergueiro, Correa Dias, Paraíso e Apeninos, durante a década de 2000, cobrindo a visão da cúpula da igreja na Rua Apeninos.
 
 
Obras nunca faltaram na cidade como se percebe nessa foto do final da década de 1940 onde aparece o viaduto Santa Ifigênia e mais abaixo a Avenida Prestes Maia sendo alargada. A paisagem da região hoje está bem mudada porque mais edifícios foram construídos. Dessa época permanecem o Colégio São Bento, os edifícios Martinelli e Banespa. 
 
 
A obra na Avenida Prestes Maia resultaria na passagem subterrânea que ganhou o apelido “buraco do Adhemar”. Os dois atuais túneis do Anhangabaú só seriam construídos em substituição entre 1988 e 1990.
 
 
Como o centro tornou-se uma ilha em torno da cidade que se modifica a todo instante, a foto remetida pelo ouvinte Eduardo Britto, do edifício Banespa, em 2012, indica que por mais que se mexa e se construa alguns lugares de São Paulo continuarão sendo os mesmos ainda que se tente modificá-los. Ou seja, modifica-se a roupa, mas o rosto da cidade permanece o mesmo.
Parabéns São Paulo pelos seus 459 anos.