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Na Rota das Lavandas, Provence- FR

por Marilu Torres.

Também conhecida pelo nome Alfazema, de origem árabe, as Lavandas fazem parte das maravilhas da natureza.  Seu óleo essencial  já era utilizado pelos romanos para lavar roupa, tomar banho, aromatizar ambientes e como produto curativo (indicado para insônia e como calmante). Entre os maiores produtores de lavanda do mundo, a França se destaca por seus campos na Provence, ao sul do país, que na época de  floração - meses de Julho e meados de Agosto – atraem, com a magia das cores e o perfume suave das lavandas, visitantes de todo o mundo.
 

 
Quando cheguei à cidade de Aix, antiga capital da Provence (Aix-en-Provence), já sabia de sua origem anterior ao Cristianismo, moldada pela magia dos povos celtas que habitavam a região e de suas férteis águas, transformadas em banhos termais nos tempos dos romanos.  Mas a majestade de suas avenidas, a harmonia de sua arquitetura, o charme de suas fontes, foi um legado dos séculos 17 e 18.
 

 
O traçado da Velha Aix é uma sucessão de avenidas pontuadas de árvores centenárias, pátios e fontes, palácios e igrejas. A Torre do Relógio, o Museu das Tapeçarias, a Catedral de Saint- Saveur, a praça da Universidade,  são algumas visitas imperdíveis no centro histórico de Aix. 
 
Restaurantes, cafés, lojas de grife convivem em plena harmonia. Mas é no Museu Granet que você terá seu encontro com a figura mais importante da cidade - Paul Cézanne.
 
Paul Cézanne
 
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Nascido em Aix-en- Provence, em 19 de Janeiro de 1839,  Paul Cézanne é conhecido por formar uma ponte entre o impressionismo do final do século 19 e a nova linha de expressão do início do século 20 - o Cubismo.  
 
 
 
 
 
 
 
O domínio do design, tom, da composição e cor que abrange o trabalho de sua vida é muito característico e agora reconhecível em todo o mundo. Seu pai não via com bons olhos sua carreira artística e o fez estudar Direito na Universidade de Aix. Enquanto cursava advocacia, Cézanne se inscreveu no curso de Design da Escola de Belas Artes onde permaneceu até 1861. Viveu em Paris, conviveu com grandes pintores da época, foi influenciado por alguns, influenciou outros. 
É considerado o pai da pintura moderna. 
 

 
Em Aix- en- Provence, as feiras acontecem as terças, quintas e sábados, das 8 às 13 horas. Há tecidos estampados à moda da Provence, linguiças e biscoitos artesanais, azeitonas, vinhos e flores. Ah! E também óleos Lavanda, sachés perfumados, pequenos buquês da flor símbolo da Provence.
Eu havia pesquisado a rota mais curta aos campos de Lavanda e nosso "concierge" confirmou minha escolha. Deu a direção da saída da cidade (apesar do GPS) e lá fomos nós, bem cedo.
 
Nossa Rota da Lavanda
Aix en Provence - Saída D7/ A51 sentido Mirabeau
Mirabeau - Pegar a D996 sentido Manosque/ Valensole 
 

 
A lavanda começa a florescer no final do mês de maio e já em junho é possível ver os campos ganharem a tonalidade violeta que estampa vários cartões postais da região da Alta Provença. A colheita geralmente é feita entre 15 de julho e 15 de agosto sempre em função das temperaturas mais ou menos quentes durante o período de primavera e verão. 
 

 
No inicio de julho começam as festividades em torno da cultura da lavanda na região da Provence e elas duram até o primeiro fim de semana de setembro, sendo que o principal evento é o "Corso de la Lavande" que acontece na cidade de Digne-les-Bains, à 110km de Aix.  Para saber mais acesse www.dignes-les-bains.com

Madrid – Cidade Real

por Marilu Torres.

Minhas lembranças de Madri, intensas e românticas, se concentravam em algumas décadas atrás, quando Nilton e eu passamos alguns dias na cidade, em plena lua de mel. Quando neste Julho de 2013 pensamos em voltar à Espanha, fiquei apreensiva com os problemas econômicos que a Europa em geral, e alguns países em particular, entre eles a Espanha, estão enfrentando. Mesmo receosa de encontrar uma cidade desgastada por manifestações populares, conflitos internos, decadência social, entrei no avião que nos levaria a Madri.
 
 
Já no trajeto entre o aeroporto Madrid- Barajas e o nosso hotel, fui reconhecendo a majestosa Madri das minhas melhores lembranças: a Gran Via, cortando a cidade de leste a oeste, manteve intactos seus belos edifícios da virada do século XIX; suas praças espetaculares continuam floridas e bem cuidadas. O esplendor do Palácio Real, da Plaza de Oriente, da Puerta de Alcalá, dos adornos da requintada arquitetura da cidade, continuavam desfilando pela janela do nosso taxi, como que para me assegurar que Madri continuava a mesma- bela e requintada- a Cidade Real. Focamos nossos dias em rever a cidade e locais que nos fizeram suspirar nos anos 60. Neste espaço destaco as visitas que considero imperdíveis na capital da Espanha.
 
 
O local onde está erguido o Palácio Real de Madri existe desde o século IX, quando o reino muçulmano de Toledo construiu ali uma edificação defensiva. Reconstruído após um incêndio, a partir de 1755, tornou-se residência oficial dos reis de Espanha. A decoração  interna do Palácio Real  vem mudando ao longo dos tempos, obedecendo a estilos diferentes conforme a época. Visita-lo, considero programa imperdível.
 
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O Salão do Trono permanece intacto desde o tempo de Carlos III.  A mobília talhada a ouro veio de Nápoles, os espelhos, de Veneza, os formidáveis leões dourados foram trazidos de Roma, por ninguém menos que Velásquez, o célebre pintos espanhol.
 
 
 
 
 
 
 
 
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Apesar do Palácio Real de Madri não ser a residência oficial dos atuais reis de Espanha, é lá que se realizam festas, jantares e recepções. O chamado Comedor de Gala acolhe 120 convidados sentados, e toda a iluminação foi renovada recentemente, quando 998 lâmpadas de tecnologia LED foram instaladas nos 14 lustres de bronze que iluminam o salão.
Um verdadeiro esplendor! 
 
 
 
 
 
 
 
 

 
Saindo do Palácio Real de Madri, o caminho natural é a grande praça localizada ao lado leste do Palácio. Os destaques dessa praça super agradável são a estátua equestre de Felipe IV, esculpida através  de  esboços de Velásquez -  um  a cavalo  e  outro  a meio  corpo - e as duas fontes do século XIX. Aí está também o Teatro Real e a  Ópera de Madrid, sempre com excelente programação cultural.
 
Teatro Real- Plaza Isabel II, s/nº- Madrid
 
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Se você estiver por aí em horário de almoço, é só escolher uma mesa  num dos terraços do tradicional Café de Oriente, defronte à praça.
Uma boa pedida é a "Tabla de quesos del pais" ( deliciosa tábua de queijos espanhóis) e por que não, uma porção  de Jamón Ibérico,compota de tomates e  pan tostado. Acompanha um vivo tinto da região.Para sentar no "terraço" você paga um suplemento de 6 euros, mas garanto que vale a pena... 
Café Oriente
Plaza de Oriente, 2
 
 
Estamos agora, em pleno  Centro Histórico de Madri, por onde, sempre a pé, vamos redescobrindo ruelas estreitas, pequenas igrejas e praças. A mais famosa delas, sem dúvida, é a Plaza Mayor, no coração da velha Madri.
A Plaza Mayor é um dos símbolos de Madri, começou a ser construída no século XVII por Felipe III, cuja imponente estátua equestre foi colocada no centro da praça.Em tempos passados, a praça centralizava os acontecimentos mais importantes da cidade: atos públicos, procissões, festas, corridas de touros e até julgamentos do Tribunal da Inquisição. Hoje, a Plaza Mayor reune um número inalculávell de turistas que frequentam seus inúmeros bares e restaurantes.
 

 
Mas não é na Plaza Mayor que estão os melhores restaurantes da cidade. Eles se espalham por toda a Espanha num conglomerado gastronômico inacreditável.
Entretanto, havíamos levado na bagagem um endereço muito especial – o do nosso primeiro jantar em Madri, em 1962.Sabíamos que ele ficava entre os pórticos da Plaza Mayor, mas foi impossível localiza-lo sem perguntar.Descemos as escadarias de uma 9 portas da praça e lá estava ele -" Sobrino del Botin".
 
madrid8Fundado em 1725 pelo francês Jean Botin e sua esposa, o restaurante  foi herdado por seu sobrinho, o que explica o nome " Sobrino del Botin", que permanece até hoje.
O restaurante aparece na lista do Guiness Book como o mais antigo do mundo em atividade.Faz parte do folclore local a historia de que o grande pintor espanhol Goya teria trabalhado lá lavando pratos, enquanto esperava uma vaga na "Real Academia de Artes" de Madri.
Pedi o mesmo prato da minha primeira vez, o sabor do Cordero Assado, ainda estava na minha memória...
"Sobrino Del Botin" - Calle Cuchilleros, 17, Madrid
Tel:+34 913 66 42 17 
 
 
 
 
O prédio atual do Museu Nacional do Prado, projetado pelo arquiteto Juan de Villanueva, em 1785, foi erguido quase sem destino, talvez a sede de um  Gabinete de Ciências Naturais.  Fernando VII, herdeiro do trono, impulsionado por sua mulher Maria Isabel de Braganza, decidiu criar no belo espaço, o Museu Nacional de Pinturas e Esculturas, mais tarde, Museu Nacional do Prado.Suas portas foram abertas ao pública em 1819,e constavam de seu primeiro catálogo, 311 pinturas.Hoje, o Museu do Prado acolhe alguns dos tesouros mais emblemáticos de arte do mundo.
 
 
 
 
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A exibição pública das famosas "Majas" de Francisco de Goya, ocorreu em meados do século XIX, depois de um largo período  em que elas estiveram escondidas nas dependências do Tribunal da Inquisição.
 
 
 
 
 
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A "Maja Desnuda", por questões de decoro foi apresentada ao público mais tarde, no início do século vinte, quando o interesse por nus femininos começou a ser popularizado.
Ainda hoje paira o mistério sobre a identidade da modela e sua relação com o pintor.
 
 
 
 
 
O Parque Del Retiro, localizado no chamado Triângulo de Ouro da cidade, próximo ao Museu do Prado, é muito mais que o pulmão verde de Madri. Na manhã em que lá estivemos havia um "exercito" de jardineiros trabalhando em seus jardins- a beleza do paisagismo, a limpeza das alamedas e lagos, a minuciosa colocação das esculturas, tudo isso nos encantou. O parque foi inaugurado em fins do século XIX e tem abrigado exposições internacionais. Reserve um tempo em sua agenda para um passeio por lá. 
 

 
 
Novidade:
A Prefeitura de Madri acaba de criar um aplicativo para celulares que oferece todos os dados essenciais para preparar sua viagem à cidade: informações geo- localizadas sobre mais de 600 pontos de interesse, visitas guiadas oficiais, áudio-guias, rotas turísticas e uma agenda completa de eventos.
Para saber mais acesse: http://www.esmadrid.com/
 
Até o próximo encontro!

Frankfurt- Portal da Alemanha

por Marilu Torres.

Desde o início dos tempos o rio Main vem percorrendo estas terras.
Ele viu as tribos germânicas se instalarem em suas margens
E a cidade se transformar em florescente entreposto comercial.
Ele também assistiu a cidade explodir em chamas durante a 2a Guerra Mundial. 
Tamanha cumplicidade uniu o rio à cidade.
E nasceu Frankfurt am Main.
 

 
Quinta maior cidade da Alemanha, Frankfurt sempre foi cruzamento de rotas comerciais, ponto de chegada e ponto de partida, para aqueles que querem conhecer a Alemanha.
Frankfurt mudou muito nos últimos sessenta anos. Reconstruída dos escombros da Segunda Guerra mundial, tornou – se o centro financeiro do país, desde que os Rothschilds abriram seu primeiro banco em 1798. Suas feiras anuais atraem perto de 1 milhão e meio de visitantes por ano e seu  Centro de Convenções é um dos  mais importantes da Europa .
Terra de Schiller e de Goëthe, expoentes da literatura alemã, Frankfurt é uma das cidades da Europa que mais investe em cultura.
Prova disso são seus museus. Ao longo do rio Main,a famosa "Museum Mile", reúne alguns dos museus mais importantes da Alemanha.
A frequência aos museus de Frankfurt impressiona. Há sempre grupos de estudo e pessoas interessadas em conhecer de perto as obras de arte produzidas em pelo menos sete séculos de arte europeia.
 
 

Museu de Cinema 


 
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O museu mais divertido de Frankfurt é o Deutches Filmmuseum – o museu de cinema.
Durante séculos as pessoas desejaram criar figuras e contar histórias com movimento. A exposição permanente do Museu conta cronologicamente como tudo isso aconteceu.
O Museu revela ilusões de ótica, mostra o inicio da projeção de imagens através da Lanterna Mágica, presta homenagem à Louis Lumière , criador do cinema e chega aos  dias de hoje com referencias à Hollywood.
 
 
 
 

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O "Deutches Filmmuseum" reserva ao público programas que incluem filmes antigos e obras do cinema alemão. Para quem curte cinema é visita obrigatória.
 
Museu de Cinema : Schaumainkai 41, Frankfurt- AM- Main 
 
 
 
 

Museu e Casa de Goethe


 
 
Em Frankfurt há sempre referências a seu filho mais famoso. Nesta casa nasceu Johann Wolfgang Goethe – autor de gigantesca produção literária é considerado um dos maiores escritores de língua alemã. Goethe viveu aqui entre 1749, ano em que nasceu até 1775. Faleceu em março de 1832, aos 82 anos, na cidade de  Weimar. Os ambientes distribuídos nos 5 andares da casa contêm peças originais e  refletem o estilo de vida da família de Goethe. Em um dos escritórios dessa casa  ele teria escrito a primeira parte de  “Dr. Fausto”, sua obra prima. 
Anexo ao museu há uma biblioteca com 120.000 volumes e mais de 30.000 manuscritos de trabalhos de Goethe
Museu e Casa de Goethe 
Grosser Hirschgraben 23-25
Frankfurt-Am-Main
 
Römerberg- a velha Frankfurt
 
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Desde suas origens, Frankfurt foi ponto estratégico de cruzamento de rotas, escala de caravanas de mercadores, local de encontro de muitos povos. Parece que a cidade até hoje mantêm essa vocação. A praça principal da cidade antiga, de arquitetura típica alemã, sempre foi local de eventos políticos, comerciais e religiosos.
 
 
 
 
 

 
Cada edifício do Bairro Velho evoca um momento da história de Frankfurt. A Pauluskirche (igreja de S. Paulo) nunca foi usada como templo religioso. Representa um memorial à democracia - o painel pintado é quase uma charge e descreve  o povo escutando atentamente os deputados que discutiam sobre a nova Constituição.
 
 
A Catedral Imperial de Frankfurt é um ícone na cidade. A silhueta de sua torre possue 95 metros de altura e  se destaca na arquitetura do centro histórico.
Construída entre os séculos XIV e XV, foi sagrada a São Bartolomeu e durante séculos, assistiu a coroação de reis e imperadores. Foi reconstruída duas vezes – em 1867 por causa de um incêndio  e em 1945, após a Segunda Guerra mundial, que destruiu parte de suas dependências.

Museu Judaico 

 

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A cultura e a história judaicas tem sua história documentada desde os primórdios do século XII até seu recomeço após 1945. O museu judaico, "Jüdisches Museum", nos salões históricos do Palácio Rothschild, e a sucursal do museu no Beco dos Judeus, dão um testemunho autêntico e emocionante da vida da comunidade judaica de Frankfurt, a maior da Alemanha, depois de Berlim.

 

Museu Judaico
Untermainkai-14/15 Frankfurt am Main 

 

 
 
Nos meses de Primavera e Verão, o charme antigo de Frankfurt exerce um enorme  fascínio sobre sua população. As águas do rio Main abrigam restaurantes flutuantes com música ao vivo e gente de todas as idades pedala nas ciclovias criadas às suas margens. Dizem que o velho Main jamais esteve tão orgulhoso de sua cidade.
 
Frankfurt – Arte e Cultura
 
 
Mais de 20 teatros, 30 companhias teatrais, uma das melhores orquestras da Alemanha, a "Opera Haus" e o fantástico "ballet" de Frankfurt, fazem a alegria das noites nesta cidade. Enjoy! 

Terra das Oliveiras

por Marilu Torres.

Se você já conhece o "circuito hollywoodiano" da Itália: Milão, Veneza, Florença e Roma, saiba que a 230kms. da capital italiana, sentido sudeste, existe uma região chamada Molise – terra de horizontes infinitos, onde montanhas e vales se fundem com o céu formando cenários mágicos.
 
 
Sua origem é contada através de monumentos arqueológicos e fortalezas, antigas cidades debruçadas sobre o mar.
 
 
Nas planícies silenciosas, a terra é cultivada com sabedoria e amor.
 
Em 2005, realizei um documentário sobre o processo de produção de azeite extravirgem e visitei as regiões de Molise e Puglia, onde é produzido 50% do azeite extravirgem da Itália. Foi uma viagem rápida, fulgurante, onde informações e emoções ficaram profundamente gravadas na minha  memória. Confesso que fiquei tão apaixonada pelos cenários por onde passei, pelo trabalho e carinho das famílias que cuidam daquelas terras, que desejo dividir com vocês tudo o que vi e aprendi na Terra das Oliveiras.
 
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Desde os tempos antigos a oliveira tem sido considerada uma planta sagrada, um presente dos deuses aos homens. No antigo Egito o óleo de oliva era utilizado na higiene do corpo e também como proteção contra maus espíritos. Na Itália foram identificadas cerca de 500 qualidades de oliveiras e a maioria delas está nessa região, onde o solo e a temperatura- frio e calor em doses exatas- resultam em frutos de excelente qualidade e sabor.
 
 
 
 
 
 
 
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As Oliveiras começam a dar frutos aos 5 anos de idade e não param mais. Há árvores de 2.500 anos que ainda produzem  azeitonas! Eu achei que pela primeira vez na vida, ia provar azeitonas no pé. Nada disso.  Esse tipo de azeitona é muito amarga só serve mesmo para fazer azeite.
Que tal saber um pouco mais sobre o assunto?
 
 
 
 
 
 
 
 Da Colheita ao Azeite
 
A colheita, feita entre os meses de Novembro e Janeiro, chama- se raccòlta, um belo espetáculo. De manhã, bem cedo, munidos de escadas e redes (colocadas sob a árvore que vão colher) os lavradores começam seu dia de trabalho. As azeitonas são colhidas à mão, uma a uma, e colocadas numa espécie de sacola na cintura do colhedor. Em algumas regiões usam um mini ancinho com o qual vão raspando os galhos e soltando as azeitonas, que caem na rede. Elas devem ser colhidas 50% maduras, 50% verdes. Só assim resultarão num azeite de qualidade.
 
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Da colheita, as azeitonas devem seguir em menos de 48 horas para o Frantoio, local onde se processa o azeite. Começa então o processo que envolve várias máquinas: 
o Desfolhador ( para separar as folhas dos frutos) a Vasca (que tritura a azeitona inteira, com caroço ) a Prensa (que pressiona a massa obtida separando água e óleo). 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Ao final do processo o azeite jorra dourado e espesso, é o Azeite Extra Virgem usado na cozinha e na mesa de todo italiano que se preza.
 
Mas nem só de azeitonas vive a Terra das Oliveiras.
Se você decidir desvendar esse pedaço da Itália, garanto que não vai se arrepender. Comece por Campobasso, capital de Molise, a cidade será apenas o ponto de partida para visitar importantes zonas históricas da região.
 
Altilia- Saepino
 
 
 
De Campobasso tome a SS 87 (Strada Statale) direção Benevento.
Em menos de meia hora você está em Altília antiga Saepino, uma cidade romana do século II A. C. cujas ruínas estão super bem conservadas. 
O lugar tem um astral incrível e muito para se ver : o foro romano, as colunas do templo, as portas monumentais, o teatro, as escadarias de pedra, a fonte do Griffo. Um deslumbramento!
 
 
Toda essa região é pontilhada de cidadezinhas que se equilibram, majestosas, no alto das montanhas. Erguidas no período medieval estão no alto para se defenderem dos ataques inimigos-: Morrone Del Sannio, Casacalenda, Larino. Todas possuem um centro histórico que vale visitar, um hotelzinho simples para ficar. E sobretudo, uma gastronomia a enfrentar – não se admite uma refeição com menos de 5 pratos!!! 
 
No mapa da Itália, a região de Molise, ao sul,  faz fronteira  com a Puglia e ainda nessa região, próxima ao litoral, encontramos mais oliveiras – beirando o azul do mar Adriático, escalando montanhas da selva de Fasano. 
 
Bari – capital da Puglia
 
Depois de quase 3.000 anos de dominação de gregos, romanos, árabes, bizantinos, normandos, espanhóis e austríacos, Bari tem muita história para contar. Situada no "calcanhar" do país em forma de bota, Bari é considerada a segunda cidade mais importante do sul da Itália,  famosa por suas praias, a "cittá vecchia", o mercado ao ar livre, a diversificada gastronomia.
 
 
Destino de férias cada vez mais popular, Bari é a capital comercial e administrativa da Puglia e também uma vibrante cidade universitária.
É também  um dos pontos de partida para a Croácia, um dos destino de viagem mais em moda, atualmente.a travessia até dubrovnik pode ser feita através de  inúmeros serviços de " ferry boats".
Não saia de Bari sem visitar a cidade velha, onde estão seus monumentos mais importantes - o castelo, a catedral, a igreja de S. Gregório onde está enterrado S. Nicolau- patrono da cidade.
 
Prepare seu coração. Percorrendo apenas os 33 kms do  litoral da Puglia, ao sul de Bari, vamos ao encontro do mais espetacular refúgio da região- 
 
Pollignanno A Mare.  
 
O núcleo mais antigo da cidade fica sobre um complexo rochoso de magníficas falésias, voltadas  para o mar Adriático. A cidadela mescla ruas mevievais que terminam à beira de um mar turqueza como nunca vi,  belos monumentos, igrejas medievais e restaurantes de altíssima gastronomia. Além do astral incrível da cidade, a costa rochosa de Polignanno A Mare é pontilhada com inúmeras cavernas naturais, muitas das quais remontam a tempos pré-históricos.   
 
 
 
A Grotta Palazzese  é a maior das cavernas e uma das atrações turísticas mais populares, assim como a abadia beneditina de Villaggio San Vito, situada nos arredores da cidade.
Saindo da costa, mais 36 kms. e conhecemos uma cidade única no Mundo!
 
Alberobello
 
Conhecida por suas moradias características, Alberobello, desde 1996, faz parte do Patrimônio Mundial da Humanidade.( UNESCO)
Já na estrada, antes de chegar à cidade, suas construções chamadas  "trulli"chamam a atenção, parecendo tendas  petrificadas .A cidade  nasceu na segunda metade do XVI quando alguns agricultores foram autorizados pela família feudal dos Acquaviva, o Conde de Conversano, a construir as próprias casas. Para não pagar o imposto feudal da época, foram orientados a construir suas casas de modo a que pudessem "desmonta-las" rapidamente, quando da visita de alguma autoridade. Simplesmente surreal! Em 1797, a cidade adquiriu o título de cidade real e ganhou o direito de manter suas casas em pé...
 
 
 
Viajar por essas regiões da Italia, é fazer um curso intensivo, não apenas sobre Azeite Extra Virgem, mas também sobre Natureza, Arte e Cultura.
E também sobre Hospitalidade, Prazer, Belezas naturais, Alegria, Paz.
Assim vivem os habitantes da Terra das Oliveiras. 
 
Marilú Torres
22/05/2013

Santo Expedito

por Marilu Torres.

O Santo das causas urgentes
Celebrado em 19 de Abril
 
 
Nem bem o dia 19 de Abril amanhece centenas de pessoas vão surgindo das escadas da estação do metrô Tiradentes, próximo ao Batalhão Tobias de Aguiar, sede da ROTA, na região central de São Paulo. Eles chegam movidos pela gratidão e pela esperança. Muitos vêm agradecer uma graça alcançada, outras, implorar por um milagre. A Rua Jorge de Miranda, onde se localiza a Capela de Santo Expedito em São Paulo se transforma numa imensa feira livre, nos tabuleiros dos ambulantes a realidade mística transforma os mais variados objetos (medalhas, terços, chaveiros, imagens) em amuletos, objetos mágicos, que as devoções populares acreditam capazes de proteger contra perigos e doenças. Nas situações de desespero, o devoto precisa de um herói, no caso, um guerreiro, alguém cujas forças estão acima da compreensão humana, alguém, cujo prestígio junto a Deus, garanta que sua prece seja fortalecida e prontamente atendida.
Se você percorrer a nave lateral de qualquer das 1.300 igrejas paulistanas, vai logo localizá-lo. Seu rosto é jovem, bem barbeado, seus cabelos são curtos, como convém a um militar do exército romano. A túnica vermelha, displicentemente jogada ao ombro, cobre parte do uniforme de legionário; seu elmo está pousado ao chão, onde o rude coturno de guerreiro esmaga um corvo negro - histórica figura demoníaca que ousara desafiá-lo. 
Conta a tradição, que séculos atrás, quando o guerreiro decidiu se converter ao Cristianismo, o mesmo corvo não parava de persegui-lo, grasnando seguidamente: “Cras, Cras” - que em latim quer dizer – “amanhã, amanhã”, com o intuito de adiar indefinidamente sua conversão. Mas o jovem tribuno, que tinha sob seu comando uma Legião de quase 7.000 homens, livrou-se das asas negras da ave maligna e gritou-lhe: “Hodie”- "Hoje", reafirmando, bravamente, a sua resolução de abraçar a nova fé, apresentada por Jesus Cristo. Sua representação nos altares, com a cruz que traz em uma das mãos e a folha de palma na outra, exemplificam sua morte como um mártir do Cristianismo.
 
 
Sant´Espedito di Melitene
 
Dentre os quase 6.800 santos e beatos do Martiriológio Romano, devidamente atualizado em 2001, encontrei muito poucas e desanimadoras informações sobre o tribuno que comandava a XII Legião do exército romano, chamada “Fulminata”. 
Segundo a tradição, Santo Expedito era natural da Armênia, provavelmente da região de Melitene, local onde sofreu seu martírio. 
Situada ao Sul do Cáucaso, entre o Mar Negro e o Mar Cáspio, às margens dos Rios Tigre e Eufrates, a Ásia Ocidental sempre foi considerada uma terra de predileções religiosas. Pelo testemunho da Sagrada Escritura, foi sobre as montanhas da Armênia – o Monte Ararat - que a Arca de Noé teria pousado quando as águas do dilúvio baixaram (Gênesis, 8.5). 
Essa região foi uma das primeiras a receber a pregação dos apóstolos Judas Tadeu, Simão e Batolomeu; é também marcada por inúmeras perseguições aos cristãos, terra regada com o sangue dos mártires.
 
 
Vale lembrar...
No final do século I o Império Romano atingia sua máxima extensão; já tinha conquistado toda a Itália e muitos outros territórios da Europa, do norte da África e do Oriente Médio. Foram tempos memoráveis, em especial pelas construções feitas em Roma e outras cidades, e pelo grande desenvolvimento da arte e da literatura. A cultura romana – suas leis, seus costumes, sua língua e seus templos – espalhou-se pelas províncias, principalmente europeias e asiáticas, e para proteger esse Império guarnições militares foram fixadas ao longo das fronteiras. Entre elas, a duodécima Legião Romana, conhecida como "Fulminata", vinha de várias campanhas vitoriosas; a bravura de seus soldados tornara-se mitológica. Disciplinados e bem treinados, os legionários eram auxiliados por uma cavalaria agressiva e enfrentavam contingentes de forças muito superiores às suas, graças à coesão e às táticas de luta que empregavam. Entre os primicerius (espécie de general de divisão) da XII Legião Romana, estava Expedito,  nosso herói.
 
O Milagre da Chuva
A Legião Fulminata, em sua campanha contra os quadi,  povo que habitava a região onde hoje é a Eslováquia, achava-se em  campo  de batalha, quando se sentiu sitiada pelo inimigo. Em pleno verão, o sol brilhava inclemente sobre a interminável planície, faltava água no acampamento. Entre os legionários, muitos haviam se convertido ao Cristianismo seguindo o exemplo de seu comandante, e era costume entre os  bravos soldados da Legião Fulminata orar antes das batalhas. Naquele dia  a resposta às orações foi imediata. Dos céus sem nuvens caiu uma chuva abundante, miraculosa, os raios e granizos eram tão fortes, que surpreenderam o inimigo. O exército romano saciou sua sede e, recuperado, venceu a batalha. O imperador Diocleciano, conhecido perseguidor dos cristãos, informado do ardor religioso do comandante da Legião Fulminata ofereceu a ele títulos, posses e riquezas para que ele abdicasse de sua fé em Cristo. Expedito não aceitou, decretando assim, sua própria morte. Seu martírio teria ocorrido em data equivalente hoje a 19 de Abril, quando Expedito e alguns companheiros foram decapitados e seus corpos enterrados em vala comum.  
 
A devoção a Santo Expedito
A devoção à memória de Santo Expedito começou em sua cidade, Melitene onde ele nasceu e viveu. É de se supor, que seus contemporâneos cristãos tenham se encarregado de contar as circunstâncias de seu martírio, muitos eram soldados que se deslocavam em constantes campanhas de guerra o que, com certeza, facilitou a divulgação de sua história. Da Armênia o culto a Santo Expedito se expandiu para a toda a Europa alcançando a Itália, Espanha, França e a Alemanha. Às Americas o culto teria chegado mais tarde, em fins do século XIX, com a imigração dos italianos, espanhóis e alemães, todos católicos.
 
Entretanto, a devoção a Santo Expedito precisou de décadas para decolar e crescer.
O primeiro trabalho neste sentido começou com um famoso radialista de São Paulo, Eli Corrêa, que em seu programa rezava a Oração a Santo Expedito tão enfaticamente, que o número de devotos começou a crescer. 
Muitas pessoas que ouviam seu programa ligavam para contar sobre graças alcançadas. Santo Expedito foi eleito por seus devotos para resolver casos práticos do dia a dia – falta de emprego, aumento de salário, papéis engavetados pela morosidade jurídica, entretanto, ele tem se revelado o Santo de Todas as Horas, decidindo de forma rápida e eficaz qualquer problema. Palavra de seus devotos.
 
Testemunho de Fé
Capitão Otacílio José de Souza- Coordenador Operacional da ROTA 
(Rondas Ostensivas Tobias de Aguiar) São Paulo - 2008
 
"Santo Expedito entrou na minha vida em 1996, um ano após eu ter sido promovido a Capitão da Polícia Militar do Estado de S. Paulo". Na época, meu filho de um ano de idade, passava por um sério problema de saúde e precisava ser operado. Era uma operação delicada, e talvez, uma só intervenção não resolvesse. 
Uma noite, voltando pra casa, achei um santinho com a foto de santo Expedito, e no silencio da noite, tivemos uma conversa: 
- “Eu sempre soube que você é o padroeiro da Polícia Militar desde 1942, vamos combinar o seguinte: se meu filho fizer a cirurgia uma só vez, eu prometo que vou levar sua devoção durante toda a minha carreira na Polícia Militar. Vou te honrar, distribuir medalhas e imagens, vou dar o meu testemunho até quando eu viver, pra contar a todos que você me atendeu. Dois dias depois, fui a Araraquara visitar um amigo e ganhei dele uma imagem de Santo Expedito. Aquele sinal foi muito forte. Hoje meu filho está bem, ele sarou  com apenas uma cirurgia e nunca mais deixei de dar meu testemunho de fé na intercessão de Santo Expedito”
 

Seguramente Santo Expedito é um fenômeno das situações criadas pelo mundo moderno: demandas jurídicas, dívidas, problemas familiares situações de estresse financeiro. Em tempos de “time is money", a rapidez do comandante da Fulminata, sem dúvida, é preciosa, e o “boca a boca” de seus milagres imediatos transcende o campo espiritual. 

Extraído do livro Brasil – Terra de Todos os Santos (a ser publicado)

Marilu Torres