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São Paulo de Todos Nós

por Marilu Torres.

Muito já se escreveu sobre S. Paulo, a capital.
Muitos foram os ângulos mostrados desta cidade.
Nascida de um pequeno colégio, construído em taipa de pilão,
S. Paulo cresceu em barro e se estabeleceu em aço e cristal.
Quinta maior metrópole do mundo,
maior centro industrial, financeiro e cultural da América Latina.
Nenhum desses títulos, no entanto, livrou a cidade da fama de
Metrópole hostil e cinzenta.
Não será esse o perfil da “minha” S. Paulo.
Vamos desvendar passo a passo esta cidade
Descobrindo alguns de seus segredos.
Vamos saborear, não apenas a nossa festejada gastronomia,
Resultado de imensa diversidade cultural.
Vamos revelar rostos anônimos ou não,
Histórias de vida e trabalho, sonhos e fracassos.
Que ao longo dos séculos teceram a extraordinária História desta
S. Paulo de Todos Nós.
 
O Centro Velho
 
Se você é um cidadão do mundo, gosta de viajar, deve saber que toda grande capital da Europa, África ou América, tem a sua “old town”, o centro velho,local onde a cidade nasceu, cresceu e onde se encontram  preservadas  suas referências históricas. 
A nossa “old town”, está localizada no antigo triângulo histórico, definido entre as Igrejas de S. Francisco, Sé e o Mosteiro de S. Bento, onde a cidade nasceu. 
Outro dia, resolvi percorrer a pé esse triângulo, identificando prédios e ruas, que ainda hoje, contam um pouco da história de S. Paulo. E não é que gostei do passeio?  Gostei tanto que convido vocês a me acompanhar. É um roteiro a pé pelas origens da cidade. Pode ser feito em apenas um dia. Comece onde nasceu S. Paulo.
 
Pátio do Colégio
 
pateo 
Em 1554, ano de sua fundação, S. Paulo era apenas uma colina alta e quase plana, delimitada por dois cursos d’água: os rios Tamanduateí e o Anhangabaú. No local da pequena cabana construída pelo índio Tibiriçá, padres jesuítas vindos de Portugal, construíram um colégio para catequizar os índios da região. 
Ali, num altar improvisado numa cabana de pau a pique, o jesuíta Manuel de Paiva, rezou a primeira missa no planalto - 25 de Janeiro, data da fundação da cidade.
Em torno desse colégio foram se formando as primeiras construções de taipa, cercadas por uma amurada, que protegia a área central do povoado de ataques indígenas.  O local até hoje é conhecido como Pátio do Colégio. 
Vale visitar o museu Anchieta, cujo acervo é constituído de obras de arte sacra, peças retiradas do antigo colégio dos jesuítas, telas de pintores famosos e uma maquete que mostra o início da cidade de S. Paulo. 
Na Capela, estão expostas as relíquias do Beato José de Anchieta. 
 
Museu Padre Anchieta
Endereço: Praça Pátio do Colégio, 2 -Centro
Tel : ( 0**11- 3105 6899)
Horário:de Terça a Domingo das 9:00 às 17:00 hrs.
Agenda de eventos- www.pateodocolegio.com.br
 
Solar da Marquesa de Santos
 
marquesa
 
 
Não é preciso caminhar muito para chegar ao velho solar de altas janelas, onde viveu  de 1822 a  1826, Domitila de Castro do Canto e Mello -jovem dama elegante e formosa,  amante de D. Pedro I - quando recebeu o título de Marquesa de Santos. 
A ligação entre eles foi definitivamente rompida em 1829, depois da morte de D. Leopoldina, primeira esposa do monarca. Sua presença na Corte criava dificuldades para o segundo casamento de D. Pedro I.
O Solar, um raro exemplar de residência urbana do século 18 foi cenário de saraus literários e bailes de máscaras promovidos por Domitila.
A Marquesa de Santos morreu em 1867 e foi enterrada no cemitério da Consolação cujas terras foram doadas por ela ao Município. Estas e outras histórias estão documentadas no segundo andar do Solar.
 

 
 Solar da Marquesa de Santos
Endereço: R. Roberto Simonsen, 136 - Centro
Tel: (0**11- 3105 – 6118)
Horário: de Terça a Domingo das 9:00 às 17:00 hrs.
 
Em algum lugar do passado
 
Imagine tílburis trafegando pelas ruas do velho centro, ao som dos violinos que tocavam à tarde no Bar Viaduto,  rua Direita.
Minha mãe viveu essa época de ouro da S. Paulo chic e refinada.
Ela contava que em suas vindas do interior trazia enxoval completo. 
Para ir ao Centro (o transporte era em bondes puxados a burro!) era preciso usar chapéu e luvas, que eram retiradas cerimoniosamente, para tomar chá na Vienense, em xícaras de porcelana francesa ou para ir à missa celebrada em latim na Catedral da Sé.
 
Catedral e Praça da Sé
 
A construção da Igreja da Sé, Matriz de S. Paulo, data da época da fundação da cidade. Imagine que as paredes da primeira Matriz foram erguidas em 1591, em taipa de pilão. Como parte de um plano de reurbanização da cidade, outra igreja foi construída no mesmo local e ficou conhecida como a Velha Sé.
 
catedral
 
O desenvolvimento da cidade e o aumento da imigração para as lavouras de café
contribuiram para despertar a necessidade da construção de uma nova catedral. 
Dom Duarte Leopoldo e Silva, primeiro arcebispo de S. Paulo, e algumas das famílias paulistanas mais abastadas encamparam o projeto.
Mas foram precisos 40 anos para que a Catedral Metropolitana fosse entregue à população, em 25 de Janeiro de 1954, data do aniversário da cidade.
111 metros de comprimento, 46 de largura, 65 de cúpula, 5 naves !!!
Na Cripta, traçada em forma de cruz latina, repousam os restos mortais do cacique Tibiriçá, Pe. Diogo Feijó e D. Duarte Leopoldo e Silva.
A imponente fachada em estilo gótico, projeto do arquiteto Max Hehl, ergue-se ao fundo da Praça da Sé, fechando um vasto espaço ladeado de palmeiras imperiais.
 
Catedral Metropolitana de São Paulo
Endereço: Praça da Sé, s / nº
Tel: (11) 3107-6832
 
Programação de Natal
Dia 24/12 (Segunda-feira) – 23h – Concerto Natalino
Dia 24/12 (Segunda-feira) – 24h – Missa da Vigília do Natal
Dia 25/12 (Terça-feira) – 9h, 11h e 17h – Missas de Natal
 
A Bagdá Paulistana- Rua 25 de Março
 
Conhecida como a “Bagdá Paulistana”, a região da Rua 25 de Março, era o reduto de imigrantes sírios e libaneses que aqui chegaram no começo do século XX. Estabeleceram - se com suas famílias, nos andares superiores de pequenas lojas, e  transformaram a região no maior mercado atacadista da América Latina. 
Com o passar dos anos , a 25 foi perdendo suas características mais marcantes- os comerciantes já não moram no andar de cima de suas lojas, suas mulheres não mais frequentam a Igreja Ortodoxa de Nossa senhora,nem suas crianças brincam na várzea do Glicério depois que o curso do rio Tamanduateí foi desviado.
 
25
 
 
 
 
 
 
 
Já não se ouve o alarido do idioma árabe falado pelos  mascates, já não existem mais os laços de amizade entre os primeiros "patrícios" que buscavam no apoio mútuo o consolo de viver longe de sua terra natal.
 
 
 
 
 
 
 
25m
 
 
 
 
Hoje, invadida por camelôs, a região perdeu muito de sua tradição, assim mesmo é uma autêntica aventura percorrer a 25, tentando driblar o transito, os camelôs, as sacoleiras, que substituíram os antigos  mascates.
 
 
 
Se você se perder no emaranhado das ruas - de olho nas pechinchas das lojas de tecidos e armarinhos que fizeram a fama local - pergunte onde fica o Mercadão, assim mesmo, com a intimidade de quem já conhece o maior templo de gastronomia da cidade .Ele fica logo ali, na rua da Cantareira.
 
mercado
 
Tombado pelo Patrimônio Histórico, o majestoso edifício do Mercado Municipal de São Paulo, foi projetado no início da década de 30, pelo arquiteto Ramos de Azevedo. Seus 55 vitrais criados por Conrado Sogernicht Filho, representam cenas da produção agrícola e pecuária do interior do estado.
O Mercadão movimenta por dia, 20 toneladas de alimentos e recebe  até 15.000 pessoas, entre as compras em atacado e varejo. Caminhar pelas 23 “ruas” do Mercado é descobrir aromas e sabores desconhecidos: de frutas saborosas e coloridas ao antipasto “próprio all’uso nostro” como anuncia o empório Chiapetta família que está presente no mercado desde a sua fundação.
 
Endereço : R. da Cantareira, 306 - Centro
Tel : ( 0**11) 228 – 0673
Horário : de 2a a Sábado das 5h às 16h
 
Café Girondino
 
Quatro da tarde.  Bateu a fome? Não me diga que você não beliscou queijos e salames no Mercadão! Calma, o Café Girondino - um dos mais famosos cafés literários da velha S. Paulo,fica bem pertinho.  As tortas são irrepreensíveis, os sanduíches criativos, o café expresso quente e saboroso.
Do café dá até para você ouvir, pontualmente às 17:15 hs., o toque de sinos que anuncia as vésperas no Mosteiro de S. Bento. 
(na liturgia católica, vésperas significam horário canônico, ao cair da tarde). 
 
Mosteiro de São Bento
 
Fundado em Julho de 1598, pelo discípulo do padre José de Anchieta, Frei Mauro Teixeira, o Mosteiro de S. Bento assistiu à trajetória histórica da cidade de S. Paulo. O prédio atual surgiu em 1650 graças ao bandeirante Fernão Dias Paes Leme, que está enterrado na nave principal da Igreja. Repare nas esculturas de madeira, nos altares de granito italiano, nos belos vitrais do Mosteiro.
Os padres beneditinos são também responsáveis pela fundação do Colégio de S. Bento, da primeira Faculdade de Filosofia do Brasil e da primeira abadia de monjas beneditinas da América.
 
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Gastronomia no Mosteiro
 
Há séculos, os monges beneditinos guardam uma tradição que nasceu da primeira regra da ordem de S. Bento - Ora et Labora ( reze e trabalhe). Para S. Bento, a ociosidade é inimiga da alma, por isso, na Europa muitos mosteiros beneditinos são conhecidos por suas produções gastronômicas e os monges em S. Paulo, não fogem à regra.Na cozinha do mosteiro são manipulados quase 100 kg. de farinha por semana, na confecção de bolos e pães. Depois das missas, na lojinha do Mosteiro há filas para disputar o Bolo dos Monges, o de Santa Escolástica, o de São Bernardo, além de mel e geleias artesanais.
 
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Mosteiro de São Bento
Endereço: Largo de  São Bento,s /nº
Tel: 3325- 8799
Loja de Doces à esquerda da entrada principal
 
Programação de Natal
 
De 17 a 22 de Dezembro
17h30 Vésperas Solenes – Antífonas do “Ó”
 
Natal de Nosso Senhor Jesus Cristo
Dia 24 de Dezembro – Segunda-feira
17h I Vésperas Solenes e Bênção do Presépio
22h20 Vigílias de Natal (leituras cantadas)
Meia-noite: Missa da Noite do Natal
 
Dia 25 de Dezembro - Terça-feira
7h30 Laudes Cantadas
8h30 Missa
10h Missa do Dia do Natal
16h45 II Vésperas Pontificais e Bênção do Santíssimo
 
Festa da Sagrada Familia
Dia 30 de Dezembro – Domingo
8h30 Missa
10h Missa Solene 
17h Vésperas Solenes e Bênção do Santíssimo
 
Caminhada Noturna
 
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As ruas da região central da cidade de São Paulo ficam mais animadas às quintas-feiras, a partir das 20h. De 50 a 100 pessoas participam todas as semanas do projeto Caminhada Noturna, que promove um percurso cultural e gratuito, de duas horas, pelas imediações do Teatro Municipal - seu ponto de início e fim.
A Caminhada Noturna é um presente aos paulistanos e a todos os turistas interessados nos aspectos históricos e arquitetônicos da cidade. O Centro é berço da cidade, que tem 555 anos de história: foi pela região que os jesuitas "de gatinhas", subiram a escarpada serra do mar e escolheram este planalto, atingindo a área depois chamada Pateo do Colegio - marco inicial do nascimento da cidade.
A Caminhada, que já ultrapassou a marca de 300 edições, conta com a participação de especialistas e personalidades de segmentos como Arquitetura, Artes Plásticas, Administração Pública, História e Urbanismo. É uma oportunidade para todos aqueles que desconhecem o centro de São Paulo e neste passeio, o simples ato de caminhar, observar e contar histórias nos revelam o significado e a grandiosidade desta metrópole.