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Terra das Oliveiras

por Marilu Torres.

Se você já conhece o "circuito hollywoodiano" da Itália: Milão, Veneza, Florença e Roma, saiba que a 230kms. da capital italiana, sentido sudeste, existe uma região chamada Molise – terra de horizontes infinitos, onde montanhas e vales se fundem com o céu formando cenários mágicos.
 
 
Sua origem é contada através de monumentos arqueológicos e fortalezas, antigas cidades debruçadas sobre o mar.
 
 
Nas planícies silenciosas, a terra é cultivada com sabedoria e amor.
 
Em 2005, realizei um documentário sobre o processo de produção de azeite extravirgem e visitei as regiões de Molise e Puglia, onde é produzido 50% do azeite extravirgem da Itália. Foi uma viagem rápida, fulgurante, onde informações e emoções ficaram profundamente gravadas na minha  memória. Confesso que fiquei tão apaixonada pelos cenários por onde passei, pelo trabalho e carinho das famílias que cuidam daquelas terras, que desejo dividir com vocês tudo o que vi e aprendi na Terra das Oliveiras.
 
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Desde os tempos antigos a oliveira tem sido considerada uma planta sagrada, um presente dos deuses aos homens. No antigo Egito o óleo de oliva era utilizado na higiene do corpo e também como proteção contra maus espíritos. Na Itália foram identificadas cerca de 500 qualidades de oliveiras e a maioria delas está nessa região, onde o solo e a temperatura- frio e calor em doses exatas- resultam em frutos de excelente qualidade e sabor.
 
 
 
 
 
 
 
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As Oliveiras começam a dar frutos aos 5 anos de idade e não param mais. Há árvores de 2.500 anos que ainda produzem  azeitonas! Eu achei que pela primeira vez na vida, ia provar azeitonas no pé. Nada disso.  Esse tipo de azeitona é muito amarga só serve mesmo para fazer azeite.
Que tal saber um pouco mais sobre o assunto?
 
 
 
 
 
 
 
 Da Colheita ao Azeite
 
A colheita, feita entre os meses de Novembro e Janeiro, chama- se raccòlta, um belo espetáculo. De manhã, bem cedo, munidos de escadas e redes (colocadas sob a árvore que vão colher) os lavradores começam seu dia de trabalho. As azeitonas são colhidas à mão, uma a uma, e colocadas numa espécie de sacola na cintura do colhedor. Em algumas regiões usam um mini ancinho com o qual vão raspando os galhos e soltando as azeitonas, que caem na rede. Elas devem ser colhidas 50% maduras, 50% verdes. Só assim resultarão num azeite de qualidade.
 
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Da colheita, as azeitonas devem seguir em menos de 48 horas para o Frantoio, local onde se processa o azeite. Começa então o processo que envolve várias máquinas: 
o Desfolhador ( para separar as folhas dos frutos) a Vasca (que tritura a azeitona inteira, com caroço ) a Prensa (que pressiona a massa obtida separando água e óleo). 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Ao final do processo o azeite jorra dourado e espesso, é o Azeite Extra Virgem usado na cozinha e na mesa de todo italiano que se preza.
 
Mas nem só de azeitonas vive a Terra das Oliveiras.
Se você decidir desvendar esse pedaço da Itália, garanto que não vai se arrepender. Comece por Campobasso, capital de Molise, a cidade será apenas o ponto de partida para visitar importantes zonas históricas da região.
 
Altilia- Saepino
 
 
 
De Campobasso tome a SS 87 (Strada Statale) direção Benevento.
Em menos de meia hora você está em Altília antiga Saepino, uma cidade romana do século II A. C. cujas ruínas estão super bem conservadas. 
O lugar tem um astral incrível e muito para se ver : o foro romano, as colunas do templo, as portas monumentais, o teatro, as escadarias de pedra, a fonte do Griffo. Um deslumbramento!
 
 
Toda essa região é pontilhada de cidadezinhas que se equilibram, majestosas, no alto das montanhas. Erguidas no período medieval estão no alto para se defenderem dos ataques inimigos-: Morrone Del Sannio, Casacalenda, Larino. Todas possuem um centro histórico que vale visitar, um hotelzinho simples para ficar. E sobretudo, uma gastronomia a enfrentar – não se admite uma refeição com menos de 5 pratos!!! 
 
No mapa da Itália, a região de Molise, ao sul,  faz fronteira  com a Puglia e ainda nessa região, próxima ao litoral, encontramos mais oliveiras – beirando o azul do mar Adriático, escalando montanhas da selva de Fasano. 
 
Bari – capital da Puglia
 
Depois de quase 3.000 anos de dominação de gregos, romanos, árabes, bizantinos, normandos, espanhóis e austríacos, Bari tem muita história para contar. Situada no "calcanhar" do país em forma de bota, Bari é considerada a segunda cidade mais importante do sul da Itália,  famosa por suas praias, a "cittá vecchia", o mercado ao ar livre, a diversificada gastronomia.
 
 
Destino de férias cada vez mais popular, Bari é a capital comercial e administrativa da Puglia e também uma vibrante cidade universitária.
É também  um dos pontos de partida para a Croácia, um dos destino de viagem mais em moda, atualmente.a travessia até dubrovnik pode ser feita através de  inúmeros serviços de " ferry boats".
Não saia de Bari sem visitar a cidade velha, onde estão seus monumentos mais importantes - o castelo, a catedral, a igreja de S. Gregório onde está enterrado S. Nicolau- patrono da cidade.
 
Prepare seu coração. Percorrendo apenas os 33 kms do  litoral da Puglia, ao sul de Bari, vamos ao encontro do mais espetacular refúgio da região- 
 
Pollignanno A Mare.  
 
O núcleo mais antigo da cidade fica sobre um complexo rochoso de magníficas falésias, voltadas  para o mar Adriático. A cidadela mescla ruas mevievais que terminam à beira de um mar turqueza como nunca vi,  belos monumentos, igrejas medievais e restaurantes de altíssima gastronomia. Além do astral incrível da cidade, a costa rochosa de Polignanno A Mare é pontilhada com inúmeras cavernas naturais, muitas das quais remontam a tempos pré-históricos.   
 
 
 
A Grotta Palazzese  é a maior das cavernas e uma das atrações turísticas mais populares, assim como a abadia beneditina de Villaggio San Vito, situada nos arredores da cidade.
Saindo da costa, mais 36 kms. e conhecemos uma cidade única no Mundo!
 
Alberobello
 
Conhecida por suas moradias características, Alberobello, desde 1996, faz parte do Patrimônio Mundial da Humanidade.( UNESCO)
Já na estrada, antes de chegar à cidade, suas construções chamadas  "trulli"chamam a atenção, parecendo tendas  petrificadas .A cidade  nasceu na segunda metade do XVI quando alguns agricultores foram autorizados pela família feudal dos Acquaviva, o Conde de Conversano, a construir as próprias casas. Para não pagar o imposto feudal da época, foram orientados a construir suas casas de modo a que pudessem "desmonta-las" rapidamente, quando da visita de alguma autoridade. Simplesmente surreal! Em 1797, a cidade adquiriu o título de cidade real e ganhou o direito de manter suas casas em pé...
 
 
 
Viajar por essas regiões da Italia, é fazer um curso intensivo, não apenas sobre Azeite Extra Virgem, mas também sobre Natureza, Arte e Cultura.
E também sobre Hospitalidade, Prazer, Belezas naturais, Alegria, Paz.
Assim vivem os habitantes da Terra das Oliveiras. 
 
Marilú Torres
22/05/2013