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Semana Santa em Minas Gerais | Abril de 2010

por Marilu Torres.


A palavra Páscoa tem origem em uma das mais antigas celebrações do povo de Israel, a Pessach. São sete dias em que se comemora a passagem, isto é, a libertação de seu povo da escravidão no Egito. Esta história é contada na Bíblia sob o título Êxodo.

Para os cristãos, a Páscoa tem um sentido mais metafísico, conforme afirma o teólogo Fernando Altmeyer Júnior, da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo. Representa a passagem de Cristo pela morte, referindo-se à tradição de que Jesus teria ressuscitado no terceiro dia após a crucificação. Ainda segundo o teólogo, a Páscoa cristã recebeu o nome da comemoração judaica porque a Paixão de Cristo aconteceu no início da Pessach. A cerimônia conhecida como Última Ceia, teria sido um “Séder”- o tradicional jantar realizado na véspera do início da Páscoa judaica. Apesar de receberem o mesmo nome, as duas celebrações não ocorrem necessariamente em datas coincidentes. A Páscoa cristã é comemorada no primeiro domingo de lua cheia depois do equinócio de primavera (aqui no hemisfério sul é outono). Já as comemorações da Páscoa judaica têm início na primeira lua cheia do mesmo equinócio.

A palavra Páscoa quer dizer “passagem” e deve ser entendida como um processo de mudança, de regeneração, sinal e antecipação de um mundo novo, um  projeto de transformação individual e universal.

  

Em Viagem...

De posse de todas essas informações, devidamente refrescadas em minha memória, resolvi passar o período da Páscoa em Minas Gerais; há tempos eu desejava assistir aos antigos ritos litúrgicos que as cidades mineiras realizam com minúcias memoráveis. Saímos bem cedo de S. Paulo, com céu cinzento e garoa fina. Na direção do carro, meu sobrinho Thiago Travesso, fotógrafo em início de carreira, aproveitava a oportunidade para conhecer Minas e realizar um trabalho intensivo sobre as revelações de fé que eu lhe prometi. A seu lado, o velho Guiga - Guilherme Lefèvre - responsável pelas belas imagens deste, e de outros trabalhos anteriores.

No banco detrás, faço o “check list” dos itens da produção e me delicio com a paisagem. Nosso carro, deslizando por curvas caprichosas, sinuosas, percorre quilômetros que mais parecem léguas a se multiplicar na travessia daquela região, onde montanhas serenas convivem com vales profundos, vestidos de muitas tonalidades de verde. A paisagem, num delírio impressionista, desenha manchas coloridas que dançam fora de foco, para em seguida se materializar em quaresmeiras, que exibem suas flores roxas durante o tempo da Quaresma. Penso que estão dispostas na paisagem, para indicar a cor exata dos veludos e sedas adamascadas, que devem cobrir as dramáticas imagens nos altares de ouro das Minas Gerais. É durante esse tempo de reflexão que algumas cidades mineiras vivem seus momentos mais admiráveis: nas igrejas, celebrações diárias convidam os devotos a entrar; vozes solitárias transbordam sua fé pelas estreitas ruas coloniais; os sinos, em múltiplos repiques, transmitem recados de Deus, e sobre mágicos tapetes coloridos, deslizam as procissões.

Vale lembrar...

Desde o início da colonização corria a lenda entre os índios sobre uma terra distante onde o ouro brotava do leito dos rios; ouvindo essas histórias, os estrangeiros se deram conta de que algo muito valioso se escondia no interior do Brasil. A coroa portuguesa não incentivava jornadas de exploração a esses lugares, temendo que lhe fugisse ao controle a fiscalização das riquezas que encontrassem.

As primeiras “Bandeiras” partiram do planalto de Piratininga e não foram bem sucedidas, mas desbravando os sertões, revelaram grande parte do nosso imenso território. A descoberta do ouro trouxe muitas riquezas para essa região: surgiram cidades, novos tipos de trabalho, influências importantes chegaram da Europa, renovando antigos costumes coloniais.

São João Del Rey

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Nossa primeira parada é São João

Del Rey, uma das mais antigas cidades do estado mineiro.

Localizada a 190 quilômetros de Belo Horizonte, capital de Minas Gerais, São João Del Rey é conhecida como centro da capitania desde os tempos da mineração do ouro. 

 

 

 

 

 

 

Nascida em 1838, com o nome de Arraial do Rio das Mortes, passou de vila à cidade, e seu nome São João Del Rey, é uma homenagem à D. João VI, rei de Portugal e a Tomás Portes Del Rey, seu fundador. A cidade vivenciou alguns dos períodos políticos mais importantes de nosso país e possui em seu acervo, um passado repleto de histórias. Durante a Semana Santa, a cidade apresenta pompas, ritos e iconografias únicas no mundo, sendo reconhecida pelo Vaticano como uma das cidades mais tradicionais do mundo católico. Nestes dias S. João Del Rey respira religiosidade.

 

 

Setenário das Dores de Maria

 

 

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Chegamos a S. João Del- Rei ao anoitecer, com a chamada dos sinos. Seu toque vigoroso convida os fiéis para as solenidades de conclusão do Setenário das Dores de Maria..

 

Realizada desde fins do século XVIII, pela Venerável Irmandade do Senhor Bom Jesus dos Passos, essa cerimônia encerra o ciclo da Quaresma. Sete dias antes do início da Semana Santa, seguindo o espírito das novenas, contempla-se a cada dia, uma das sete dores de Maria:

 

A profecia de Simão - que ela teria o coração transpassado por espadas, a fuga para o Egito. a perda de Jesus aos doze anos durante uma peregrinação à Cidade Santa, a caminhada de Jesus em direção ao Gólgota, a Crucificação, a Deposição da Cruz, o Sepultamento.

 

 

 

Na Catedral de Nossa Senhora do Pilar, vestida de roxo, cor litúrgica que simboliza penitência e contrição, lá está ela, imagem do desalento, figura impressionante da “Mater Dolorosa” assistindo à Paixão de seu Único Filho.

 

Sofrer por Ele! Pálida, ofegante,

Nossa Senhora aperta-o contra o seio,

E nas linhas tranquilas do semblante

Descem-lhe nuvens de magoado anseio...               

                                                                    Alphonsus de Guimaraens

 Durante a Idade Media o grande desejo dos cristãos europeus era fazer, pelo menos uma vez na vida, uma peregrinação á Terra Santa, refazendo em Jerusalém, os passos de Jesus a caminho do Calvário. Como nem todos pudessem realizar esse desejo, as antigas cidades coloniais construíam seus Passinhos - pequenas capelas que representam a Via Sacra- as estações da vida de Cristo - desde a sua prisão até o suplício na cruz. São João Del Rey possui cinco dessas capelas, que permanecem fechadas durante o ano e só abrem suas portas para visitação, durante a Semana Santa. Cada um desses Passinhos é visitado em procissão, nesta noite de reflexão sobre a Paixão de Cristo.

 

Encomendação das Almas

Durante as sextas feiras da Quaresma, um ritual folclórico – religioso atrai devotos, turistas curiosos e até almas penadas, apegadas a Terra e aos costumes humanos. É a encomendação das almas, tradição religiosa herdada de Portugal. A cena se passa na cidade quase deserta, quando janelas e portas já se fecharam, e os passos do grupo de rezadores ecoam nas ladeiras e becos do centro histórico. Eles visitam os cemitérios da cidade homenageando as almas de parentes e amigos já falecidos. Nas pequenas cidades do interior de Minas, os celebrantes se fazem acompanhar de instrumentos primitivos como o reco-reco, o zum-zum e a matraca; juntos, eles produzem um som harmonioso e profundo, extremamente perturbador. Muitos acreditam que as almas que estão no purgatório acompanham os caminhantes ao longo de todo a trajeto, que deve cruzar sete encruzilhadas até chegar ao cemitério. Antes de 1950, não se admitia a presença de mulheres durante esse ritual, mas a partir desta data, elas passaram a integrar o grupo e até participam da pequena orquestra que toca nos cemitérios enquanto o povo faz suas orações.

 

 

 “O sino é aventura, adrenalina, desafio”.

 

 

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Famosos são os sinos em São João Del

 

Rey. Essa “linguagem campanária”, no entanto, se diversifica nas diversas cidades históricas mineiras: Mariana, Ouro Preto, Sabará, Diamantina, tem seus próprios toques de sinos, o que enriquece ainda mais a tradição dos “falares sineiros” das Minas Gerais.

 

Os antigos sineiros têm a consciência de transmitir seu saber aos mais novos. 

 

 

 

Domingo de Ramos

O profeta Zacarias viveu 500 anos antes de Cristo e suas profecias, citadas no Antigo Testamento, falam de um futuro Rei que entraria em Jerusalém montado em um jumento. A tradição cristã nos conta que alguns dias antes da Páscoa judaica, Jesus e seus discípulos, aproximando-se de Jerusalém, fizeram uma parada em Betfagé, no monte das Oliveiras. O Mestre teria então pedido a seus discípulos:

 

-“Ide até o povoado mais próximo, lá encontrareis uma jumenta amarrada e com ela, um jumentinho. Desamarrai-a e trazei-os a mim. Se alguém vos disser alguma coisa, dizei-: “O Senhor precisa deles, mas logo os devolverá.” Assim foi feito. Naquele dia, ao entrar na cidade humildemente montado no animal que escolhera, Jesus de Nazaré foi aclamado pela multidão, que estendeu suas vestes pelo caminho enquanto  acenava com ramos cortados das árvores . Esse fato despertou a ira e a inveja entre os sacerdotes da lei, que temerosos de perder o poder, começaram uma trama para condenar Jesus à morte.

 

Em poucos dias, tudo foi consumado. Aprisionado, açoitado e coroado de espinhos, Jesus foi levado à cruz. E Jerusalém se cobriu de trevas.

Ofício de Trevas- Quarta feira Santa

Desde o século VII as comunidades cristãs celebram com orações a morte de Nosso Senhor, mas só a partir do século XII, o nome Ofício de Trevas passou a indicar a solenidade noturna que se realiza três dias antes do Domingo da Ressurreição.  Nessas ocasiões era usado um candelabro com 14 velas representando o número de salmos que compõem os dois ofícios; ao final de cada salmo uma vela é apagada. A décima quinta vela, colocada no ápice do candelabro em forma de triangulo, não se apaga, permanecendo acesa até o nascer do sol. A simbologia demonstra que as duas luzes, a da vela e a do sol, representam a luz de Cristo ressuscitado, que não se ofusca jamais. Ao final do Ofício de Trevas, com a igreja às escuras, ouve-se um ruído ensurdecedor provocado pelos fiéis que fecham os livros com força, batem os pés no chão, tentando reproduzir o terremoto que acompanhou a morte de Jesus e as trevas que cobriram Jerusalém. Saí do Ofício de Trevas abalada pela beleza mística dessa cerimônia religiosa, e com o coração pesado de dor pelos sofrimentos de Cristo, ainda me pergunto: - Como esses fatos puderam perdurar ao longo de mais de dois séculos, e ainda  provocar tamanha emoção? 

 

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Ao fazer o sinal da cruz lembre-se que invocamos a Santíssima Trindade escudo poderoso contra as forças do mal.

 

 

 

 

 

 

 

Tapetes de Rua

Cronistas e viajantes do século XIX registram a magnificência das festas religiosas em Minas Gerais. Vem daquele tempo o costume da ornamentação de fachadas e ruas para a passagem dos solenes cortejos. Desde o século XVIII, na sexta-feira da Paixão,  as casas acendem velas em lanternas, para a Procissão do Enterro. Na noite de Sábado Santo e na madrugada do Domingo da Ressurreição, a cidade se mobiliza para confeccionar tapetes de flores. Artistas da comunidade passam a noite trabalhando nos tapetes de rua que revestem os espaços sagrados por onde a procissão deve passar. Essa arte milenar, nascida em Jerusalém há mais de 5.000 anos, provavelmente chegou ao Brasil pelas mãos dos portugueses e Minas Gerais logo adotou essa antiga tradição religiosa. 


 

Cerimônia de Lava Pés - Quinta feira Santa

 

Nestes dias a programação de missas é interminável, as celebrações têm audiência extraordinária, com igrejas lotadas dia e noite. Quinta feira santa, depois da missa das cinco, à tarde, os membros da Irmandade de Nossa Senhora do Pilar dão uma volta completa ao redor da nave da Catedral, expondo o Santíssimo à adoração de todos. Envolto em nuvens de incenso, os passos cadenciados ao ritmo das matracas, o Santíssimo é transladado para a capela, em procissão solene. Jamais presenciei uma cerimônia revestida de tanto respeito e fé.

 

Lá fora, na Praça Francisco Neves, onde foi erguido o palco para a teatralização da cerimônia histórica do Lava Pés, uma multidão alegre de crianças, pipoqueiros, vendedores de balões coloridos, jovens e idosos, representam a parte profana da festa. A cena bíblica em que Jesus e seus discípulos, reunidos para a celebração da Páscoa, vivenciam a Última Ceia, é narrado no Evangelho. (Jo, XIII 1- 15)

 

4- Jesus levantou-se então da mesa, tirou o manto, tomou uma toalha e amarrou-a na cintura. 5-  depois, derramou água numa bacia e começou a lavar os pés dos discípulos e a enxugá-los com a toalha da cintura. 12- Depois de lavar-lhes os pés, vestiu o manto, pôs-se de novo à mesa e perguntou-lhes: "Sabeis o que vos fiz? 13- Vós me chamais Mestre e Senhor e dizeis bem, porque o sou. 14- Se pois eu, Mestre e Senhor, vos lavei os pés, também vós deveis lavar os pés uns dos outros. 15- Dei-vos o exemplo para que façais o mesmo que eu vos fiz."

 

 

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Como em todos os momentos da história de Jesus, ele se utiliza de exemplos para passar suas mensagens; a cerimônia do  Lava Pés  marcou a insistência de Jesus em um dos assuntos mais importantes do seu ministério: a humildade na vida do cristão. 

 

 

 

 

 

 

 

Sexta feira Santa

 

Em meus tempos de criança, a Sexta feira Santa era dia de silêncio, reflexão e abstinência; em nossa casa,  abstinência  se traduzia numa bela bacalhoada ao forno com cebolas e batatas, regada a azeite “bom”, como se dizia naquela época. Televisão não existia, rádio não se ligava, os carros não buzinavam, os trens não apitavam. Havia crendices de estarrecer! Quem olhasse no espelho na Sexta feira da Paixão, corria o sério risco de ver a face do demonio,  diziam que ele ficava às soltas  nesse dia, aproveitando que o  Senhor está morto. Minha tia mais velha não tomava banho, com  medo de ficar entrevada, e  jurava ter  presenciado o acontecido com a sua comadre.

Durante o período da agonia de Nosso Senhor Jesus Cristo na cruz, entre  meio dia e as três da tarde, eu costumava percorrer a Via Sacra na igreja mais próxima de nossa casa, rememorando os últimos momentos de Jesus na Terra.

Era um dia triste, de luto.

 

Vale Lembrar...

 

A tradição cristã nos conta também, que depois da morte de Jesus, enquanto a terra se aquietava do violento terremoto, entre as brumas do dia que se fizera noite, o vulto de dois homens se destacou no cenário da Crucificação - José de Arimatéia e Nicodemus- homens que não participavam do círculo de Jesus planejavam descê-lo da cruz e sepultá-lo. Como explicar que nesse momento de terror geral, de ruas desertas e silenciosas, de portas fechadas e corpos prostrados, quando os próprios apóstolos desapareceram com medo dos judeus, estes dois homens se unissem para realizar as cerimônias pós- morte de Cristo? 

Nicodemos ofereceu unguentos e ervas, material necessário ao embalsamento do corpo de Jesus, José ofereceu uma sepultura.  Foi ele também que, corajosamente, reivindicou a Pilatos o corpo de Jesus. No monte Calvário, na presença de soldados romanos, colocaram duas escadas encostadas na cruz e passando um pano largo preso a correias, prenderam sob os braços, o corpo de Jesus. Retirando os cravos das palmas de Suas mãos, cuidadosamente, permitiram que, uma a uma, as mãos de Nosso Senhor pendessem livres. A cabeça, ainda coroada de espinhos, se inclinava à direita, gotejando sangue.  Assim O desceram da cruz.

No silencio da hora, só o pranto amargo de algumas mulheres, entre elas Maria:

-Filho meu, que te fizeram? Que mais devias ter-lhes feito e não o fizeste?

 


 

A cena, de enorme impacto emocional, é representada em S.João Del Rey, na noite da Sexta feira da Paixão. A orquestra Ribeiro Bastos e centenas de figurantes, representando as figuras bíblicas do Antigo e Novo Testamento, complementam o espetáculo. Nesse exato momento os sinos da cidade se calam, e o único som a  cortar o silêncio é a batida seca da matraca anunciando a passagem da Morte.

Em Viagem...

Na manhã seguinte, muito cedo, saímos de S. João Del Rey, deixando nossa alma apegada ao som dos “sinos que falam” e ao coro de vozes da Orquestra Ribeiro Bastos.

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De repente, dentre montanhas, brota uma cidade, em cujas entranhas, adormecem há séculos, cristais e metais preciosos. Muitos deles depositados nas águas dos rios, vestem seu brilho de roupagem negra- é o Ouro Preto. Coisas da Natureza que sempre quis preservar seus tesouros.

 

 

A cidade de Ouro Preto, primeira capital de Minas Gerais, nasceu sob o signo da fé.

Chamada Vila Rica, a cidade sediou nos séculos XVII e XVIII a história do Ciclo do Ouro no Brasil. Dizem que o ouro era tanto, que em alguns riachos era mergulhar a bateia e ficar rico. A principal cidade mineira tinha nessa época 30.000 habitantes - muitos deles tão ricos, que mal sabiam o que fazer com seu dinheiro. Compravam escravos, construíam mansões e igrejas de altares recobertos de ouro.   Apesar da influência de mestres europeus, criaram um estilo próprio, marcado pela exuberância de elementos decorativos – Ouro Preto, é hoje, o maior conjunto arquitetônico barroco do Brasil.

Declarada pela Unesco Patrimônio Cultural da Humanidade, na Páscoa, a cidade  fica ainda mais bonita, com suas janelas ornadas de tecidos e panos roxos que remetem ao Drama da Paixão.

Domingo de Páscoa- A Ressurreição

Uma vez mais, segundo a tradição cristã, naquela Sexta feira, Jesus agonizou durante três horas antes de morrer. José de Arimatéia e Nicodemus, depois que o retiraram da cruz, tiveram pouco tempo para embalsamar o corpo adequadamente, pois o sábado judaico começava ao pôr do sol da noite de sexta-feira, e todos deveriam se recolher às suas casas. As mulheres de Jerusalém, que perambulavam por ali, fizeram planos para voltar no domingo, trazendo mais especiarias para completar o embalsamento. O corpo de Jesus foi colocado dentro de um túmulo em forma de caverna e o fecharam com uma pedra grande e pesada. Na manhã de domingo,quando chegaram as mulheres,encontraram o túmulo vazio. O Túmulo estava vazio!

Como isso teria acontecido, se a pedra enorme e pesada fechava a entrada da caverna  e os soldados romanos a haviam lacrado e permanecido em guarda durante toda a noite? Há mais de dois milênios essa questão é esmiuçada, analisada, conjecturada, por arqueólogos, teólogos, professores, historiadores.Várias hipóteses foram criadas para explicar esse mistério.

 

Só mesmo a leitura das Escrituras - que reproduzem passo a passo os acontecimentos daqueles tempos - acrescida de fé profunda, nos leva a crer que o Filho de Deus morreu voluntariamente na cruz para salvar nossos pecados e ressuscitou para nos dar a Vida Eterna.

Sobre essa convicção está baseada a doutrina cristã.

Uruguai

por Marilu Torres.

Li certa vez, não lembro onde, que uma viagem precisa de alguns elementos vitais, entre eles a paixão, a intuição, a curiosidade e a busca, isto é, a pesquisa e o planejamento.

 Só assim sua viagem poderá se tornar inesquecível.

Colônia do Sacramento

O Rio da Prata, companheiro inseparável da cidade de Buenos Aires, oferece aos viajantes imensas possibilidades náuticas. Do outro lado de sua margem, erguida no litoral do Uruguai, uma cidadezinha acolhedora e cheia de historias encanta aqueles que resolvem ir até lá – seu nome, Colônia do Sacramento.


Ponto estratégico do litoral uruguaio, a pequena Colônia do Sacramento, fundada pelos portugueses em 1680, durante muito tempo foi disputada pelas coroas de Portugal e Espanha. Hoje, quatro séculos passados, a cidade se mantêm com suas ruas e casas de pedra originais, as telhas moldadas nos joelhos dos escravos, os  muros intocados da antiga fortaleza, a religiosidade portuguesa preservada na igreja Matriz do Santíssimo Sacramento. Colônia do Sacramento é hoje um dos destinos turísticos mais importantes do Uruguai, recebendo milhares de visitantes por ano. A localização da cidade é privilegiada para receber turistas, uma vez que se encontra a uma hora de barco de Buenos Aires e a duas horas de carro de Montevidéu. A oferta turística inclui a cidade histórica, museus e praias do Rio da Prata, vinhedos datados do século 19. Por tudo isso, Colônia do Sacramento ganhou o título de Patrimônio Cultural de Humanidade pela UNESCO.

Atrações do Centro Histórico

Dentro do bairro mais antigo da cidade, também conhecido como “Casco Histórico”  percorremos os monumentos que fizeram a história da cidade: “o portão da cidadela”, que se abre entre as  muralhas que serviam de proteção à cidade.

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O velho Farol que guiava os barcos nas tempestades e nas noites escuras, os vários museus de Colônia do Sacramento, cujas construções simples mantêm acervos repletos de informações históricas e registros do passado.

 

 

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Das antigas ruas, a “Calle de los suspiros” (rua dos suspiros) uma das mais famosas da cidade, ganhou este nome porque era a última rua percorrida pelos escravos condenados à morte, antes de sua execução. Repare que as ruas mantêm o calçamento da época e construções que mesclam influências portuguesas e espanholas.

 

 

 

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A Plaza Real de San Carlos teve sua época áurea, quando chegavam de Montevidéo e Buenos Aires, ricos comerciantes e suas famílias para assistir aos espetáculos das "corridas de toros". Nessa época imperava o luxo e o glamour. 

 

 

Infelizmente esse ciclo de esplendor durou muito pouco. Em 1912, o Governo Uruguaio proibiu esse tipo de espetáculo e a Plaza, abandonada, se transformou em ruínas.

"Los Caminos Del Vino"

No Uruguai, o Turismo dedicado a conhecer regiões vinícolas através da degustação de seus vinhos e visitas aos vinhedos, recebeu um forte impulso nos últimos tempos, a exemplo de outros países onde a produção vitivinícola teve importante desenvolvimento, passando a ser considerada uma indústria de forte impacto na economia.


A Bodega Bernardi, fundada em 1892 por Don David Bernardi, hoje é uma grande empresa familiar onde se produz vinhos finos. Oferecem-se visitas guiadas e degustação de vinhos ao público em geral sem custos. As visitas são realizadas em espanhol e inglês para atender às necessidades dos visitantes. 

Como Chegar: Ruta 1-171.500/ Laguna de los Patos –  7 kms de Colônia do Sacramento

Para saber mais : www.bodegabernardi.com 

Los Cerros de San Juan tem uma longa história de 150 anos dedicada à produção de vinhos, o que faz dela a mais antiga vinícola do Uruguai. O estabelecimento recebe  turistas de segundas a sábados, embora tenham que reservar a data com antecedência. 

Como Chegar: Ruta 21/ km 213 a 500 metros da entrada principal da Estancia

Los Cerros de San Juan

Para saber mais : www.loscerrosdesanjuan.com.uy

Acesse também: www.bodegasdeluruguay.com.uy

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Ainda no centro histórico de Colônia do Sacramento há diversos ateliês e lojas de artesanato. É o momento de conhecer a colorida e original arte popular da região: tapeçarias, trabalhos em cerâmica, couro e artes têxteis.  

 

 

 

 

    

Nem bem o sol se esconde nas águas mansas do Rio da Prata, Colônia do Sacramento se veste do mesmo tom amarelo com que os lampiões iluminam a cidade.  É o momento de desvendar a noite, descobrindo bares e restaurantes.

Os mais cotados:

Restaurantes

El Buen Suspiro

Localizado na Calle de los Suspiros, a mais antiga de Colônia do Sacramento,o restaurante quase passa despercebido ao visitante distraído - uma porta estreita esconde o charme local. A atmosfera lembra uma caverna iluminada à luz de velas e decorada com belas peças de antiquários locais. Peça a tábua de queijos com vinho Tannet, o eleito da região, você não vai se arrepender.

Endereço: Calle de los Suspiros, 90, Barrio Sur, Colonia del Sacramento, Uruguay.

La Florida

De frente para o rio, instalado em um casarão antigo, La Florida é tido como o melhor restaurante de Colônia do Sacramento e o mais caro... 

Endereço: Calle Florida, 215 – Casco Histórico

Lentas Maravilhas

Pitoresco e acolhedor, o restaurante funciona na casa onde vive um casal de ingleses. Possui serviço de chá e oferece "brunch" aos domingos. A dica é sentar no jardim  degustando as deliciosas comidinhas locais.

Endereço:Calle Santa Rita, 61- Casco Histórico.

Hoteis

No Centro histórico:

 

Posada Plaza Mayor – 4 estrelas- www.posadaplazamayor.com

 

Posada del Virrey – 4 estrelas – www.posadadelvirrey.com

 

Hotel  La Misión – 31/2 estrelas- www.lamisionhotel.com

Com vista para o Rio da Prata

Radisson  Colonia Del Sacramento Hotel Colônia e Casino- 4 estrelas – www.redissoncolonia.com

Como Chegar: De Buenos Aires a Colônia do Sacramento

Empresa Buquebus Express (1 hora de travessia em barcos ultra confortáveis)

www.buquebus.com

Mi Buenos Aires Querida!

por Marilu Torres.

A Argentina é uma das nações mais desenvolvidas da América do Sul e sua capital, Buenos Aires - um orgulho para seus 13 milhões de habitantes. Batizada a Paris da America do Sul, pelo aspecto europeu de sua arquitetura, a cidade é uma impressionante mescla de passado e futuro.

Avenidas bem projetadas, bairros repletos de história resgatam antigas memórias, espelhadas no cristal de modernos edifícios. 


Um pouco de História

Os portenhos sempre viveram um caso de amor com seu rio quase mar- o Rio De La Plata.  Através de suas águas chegaram os colonizadores que fundaram a cidade. Aliás, descobri que Buenos Aires foi fundada duas vezes – a primeira por Pedro de Mendonza que instalou seus homens na região do atual Parque Lezama e ali fincou a bandeira espanhola em 1536. Nessa ocasião o local recebeu o nome imponente de Ciudad de La Santíssima Trindad y Puerto de Nuestra Señora  la Virgem  Maria de los Buenos Aires.Quarenta anos depois, pelo mesmo rio, chega Juan de Garay que instala seus homens no local da atual Plaza de Mayo e projeta a urbanização da cidade, iniciando o povoamento de Buenos Aires.


Desde então a Plaza de Mayo passou a ser cenário dos mais importantes acontecimentos cívicos da história da Argentina desde a Revolução de Mayo, em 1810. A Casa Rosada, sede da Presidência da Nação, é guardada pelo histórico regimento de Granadeiros do General San Martin. Espetáculo imperdível é a troca da guarda realizada todos os dias a cada duas horas (em horários impares).

Confeitarias e cafés são uma instituição à parte em Buenos Aires, estão sempre repletos a qualquer hora do dia. Seja para um "café com leche" como para uma refeição rápida. O mais famoso deles, fundado em 1858 na Avenida de Mayo, é o café Tortoni, reduto de famosos. Por lá passaram heróis da Guerra civil espanhola, filósofos e  poetas: Garcia Lorca, Borges e Carlos Gardel.


"Hoy como en el ayer, el Totoni brilla com luz propia, conserva  el fulgor de casi um siglo de oro..."

Uma viagem no tempo. É exatamente o que o Museu do Tango proporciona ao visitante. Uma mansão histórica do século 19, no bairro de Montserrat, serve como cenário para ambientar a história do tango e de seus principais intérpretes.


A sala de Gardel preserva trajes e fotos de seus filmes, instrumentos e uma expressiva coleção de seus objetos pessoais.

Personalidade cultuada na Argentina, Carlos Gardel nasceu em Toulouse, França, e aos 2 anos de idade veio para Buenos Aires com sua família. Abasto, o bairro em ele passou sua infância está repleto de referências ao ilustre morador. Onde há uma estátua de Gardel, haverá flores para homenagea-lo.

 

Nas décadas de 20 e 30 o Tango  tomou conta do mundo.Nascido na zona portuária de Buenos Aires o Tango tem origens obscuras, mas sabe-se que, em suas origens, ele era dançado entre marinheiros. A melodia do tango mescla lamentos do Flamenco espanhol e acordes do Candomblé, trazido da África pelos escravos.

O Bairro La Boca foi sede dos primeiros acordes e um dos principais redutos de Tango da cidade.

 

No início do século passado chegaram os imigrantes italianos e se instalaram nessa parte da cidade. Construíram suas casas com folhas de zinco e restos de cascos de navio. O lugar era pobre, mas frequentado por poetas, intelectuais, pintores. Quinquela Martins, grande pintor portenho, foi o responsável por transformar essa região numa explosão de cores.A antiga passagem de trens ganhou o nome de Caminito, em homenagem ao tango composto por Juan de Diós Feliperto. Nos finais de semana, Caminito se transforma em um pequeno museu ao ar livre e uma multidão vem admirar as obras dos artistas que retratam aspectos do bairro.


 
 
Todos os Domingos, das 10 às 17 horas, a feira de antiguidades de San Telmo, é um confuso museu de memórias, onde a ordem é Garimpar...

Recoleta

Uma das áreas residenciais mais elegantes de Buenos Aires- a Recoleta, possui  arquitetura em  estilo francês, grandes áreas verdes, avenidas exclusivas, bares e restaurantes de primeira categoria. Em suas origens, este bairro foi formado por pequenas fazendas e ranchos. No início do século XVII o local foi doado por um casal aos padres Recoletos. Além do nome, os monges contribuíram com o bairro com a construção do Convento e da Igreja de Pilar, os quais tiveram uma importância vital para o desenvolvimento da região.

 

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Uma epidemia de febre amarela atraiu à La Recoleta muitas famílias abastadas, o que determinou a definição do estilo do bairro com a construção de palácios e casas senhoriais, rodeados por majestosos jardins.

 

Não perca a Biblioteca Nacional, O Museu de Belas Artes e o Cemitério. Sério!

 

O cemitério de La Recoleta é um dos pontos turísticos mais procurados da cidade, lá está  o túmulo de Evita Perón, sempre cercado pelo carinho dos visitantes.

 

 
 
 

Circuito  Palermo Viejo, Palermo Soho, Palermo Hollywood

Nas últimas décadas, Buenos Aires tem anexado às suas atrações, novos bairros que nasceram de um movimento de transformação de antigos bairros residenciais. Os Bosques de Palermo constituem o grande pulmão de Buenos Aires e essa imensa área verde, guardava ruas e avenidas totalmente particulares. Pois foi ali que surgiram Palermo Viejo e  Palermo Soho, "hits" locais, disputados por designers, criadores de moda, boutiques sofisticadas, cafés e restaurantes descolados. A atmosfera do lugar é bárbara, perfeita para caminhar e descobrir novidades...A casa de Jorge Luis Borges vale uma visita.(Calle Jorge Luis Borges, 2135) ). O genial escritor passou sua infância em Palermo Viejo, tendo dedicado ao bairro o poema "Fundación Mítica de Buenos Aires". A casa tem visita guiada às 15 horas. A ferrovia marca o limite de Palermo Soho e o começo de Palermo Hollywood, apelidado assim graças aos seus vários estúdios e produtoras de televisão, cinema e rádio. O forte aqui são os restaurantes e bares de culinária regional (japonesa, vietnamita, mediterrânea, peruana, escandinava, etc.)


Puerto Madero

Puerto Madero foi um antigo porto de fins do século 19 que se tornou obsoleto. Totalmente repaginado em apenas duas décadas, Puerto Madero é considerado um dos projetos de renovação urbana mais bem sucedidos do mundo.  Abriga alguns dos maiores arranha céus argentinos, além de diversos monumentos, como a Puente de la Mujer, do arquiteto espanhol Santiago Calatrava e a Fragata Presidente Sarmiento, o primeiro navio da Argentina que atualmente é utilizado como museu.

As Docas foram transformadas em cinemas, lojas, hotéis e restaurantes. É uma delícia caminhar pelo calçadão ao anoitecer escolhendo a melhor "parrilha", o melhor vinho...

Pode haver coisa melhor?

Em nosso próximo encontro, vamos tomar o Tren de La Costa e conhecer os arredores de Buenos Aires. Combinado? Até lá !                                                              

 

São Paulo de Todos Nós

por Marilu Torres.

Muito já se escreveu sobre S. Paulo, a capital.
Muitos foram os ângulos mostrados desta cidade.
Nascida de um pequeno colégio, construído em taipa de pilão,
S. Paulo cresceu em barro e se estabeleceu em aço e cristal.
Quinta maior metrópole do mundo,
maior centro industrial, financeiro e cultural da América Latina.
Nenhum desses títulos, no entanto, livrou a cidade da fama de
Metrópole hostil e cinzenta.
Não será esse o perfil da “minha” S. Paulo.
Vamos desvendar passo a passo esta cidade
Descobrindo alguns de seus segredos.
Vamos saborear, não apenas a nossa festejada gastronomia,
Resultado de imensa diversidade cultural.
Vamos revelar rostos anônimos ou não,
Histórias de vida e trabalho, sonhos e fracassos.
Que ao longo dos séculos teceram a extraordinária História desta
S. Paulo de Todos Nós.
 
O Centro Velho
 
Se você é um cidadão do mundo, gosta de viajar, deve saber que toda grande capital da Europa, África ou América, tem a sua “old town”, o centro velho,local onde a cidade nasceu, cresceu e onde se encontram  preservadas  suas referências históricas. 
A nossa “old town”, está localizada no antigo triângulo histórico, definido entre as Igrejas de S. Francisco, Sé e o Mosteiro de S. Bento, onde a cidade nasceu. 
Outro dia, resolvi percorrer a pé esse triângulo, identificando prédios e ruas, que ainda hoje, contam um pouco da história de S. Paulo. E não é que gostei do passeio?  Gostei tanto que convido vocês a me acompanhar. É um roteiro a pé pelas origens da cidade. Pode ser feito em apenas um dia. Comece onde nasceu S. Paulo.
 
Pátio do Colégio
 
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Em 1554, ano de sua fundação, S. Paulo era apenas uma colina alta e quase plana, delimitada por dois cursos d’água: os rios Tamanduateí e o Anhangabaú. No local da pequena cabana construída pelo índio Tibiriçá, padres jesuítas vindos de Portugal, construíram um colégio para catequizar os índios da região. 
Ali, num altar improvisado numa cabana de pau a pique, o jesuíta Manuel de Paiva, rezou a primeira missa no planalto - 25 de Janeiro, data da fundação da cidade.
Em torno desse colégio foram se formando as primeiras construções de taipa, cercadas por uma amurada, que protegia a área central do povoado de ataques indígenas.  O local até hoje é conhecido como Pátio do Colégio. 
Vale visitar o museu Anchieta, cujo acervo é constituído de obras de arte sacra, peças retiradas do antigo colégio dos jesuítas, telas de pintores famosos e uma maquete que mostra o início da cidade de S. Paulo. 
Na Capela, estão expostas as relíquias do Beato José de Anchieta. 
 
Museu Padre Anchieta
Endereço: Praça Pátio do Colégio, 2 -Centro
Tel : ( 0**11- 3105 6899)
Horário:de Terça a Domingo das 9:00 às 17:00 hrs.
Agenda de eventos- www.pateodocolegio.com.br
 
Solar da Marquesa de Santos
 
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Não é preciso caminhar muito para chegar ao velho solar de altas janelas, onde viveu  de 1822 a  1826, Domitila de Castro do Canto e Mello -jovem dama elegante e formosa,  amante de D. Pedro I - quando recebeu o título de Marquesa de Santos. 
A ligação entre eles foi definitivamente rompida em 1829, depois da morte de D. Leopoldina, primeira esposa do monarca. Sua presença na Corte criava dificuldades para o segundo casamento de D. Pedro I.
O Solar, um raro exemplar de residência urbana do século 18 foi cenário de saraus literários e bailes de máscaras promovidos por Domitila.
A Marquesa de Santos morreu em 1867 e foi enterrada no cemitério da Consolação cujas terras foram doadas por ela ao Município. Estas e outras histórias estão documentadas no segundo andar do Solar.
 

 
 Solar da Marquesa de Santos
Endereço: R. Roberto Simonsen, 136 - Centro
Tel: (0**11- 3105 – 6118)
Horário: de Terça a Domingo das 9:00 às 17:00 hrs.
 
Em algum lugar do passado
 
Imagine tílburis trafegando pelas ruas do velho centro, ao som dos violinos que tocavam à tarde no Bar Viaduto,  rua Direita.
Minha mãe viveu essa época de ouro da S. Paulo chic e refinada.
Ela contava que em suas vindas do interior trazia enxoval completo. 
Para ir ao Centro (o transporte era em bondes puxados a burro!) era preciso usar chapéu e luvas, que eram retiradas cerimoniosamente, para tomar chá na Vienense, em xícaras de porcelana francesa ou para ir à missa celebrada em latim na Catedral da Sé.
 
Catedral e Praça da Sé
 
A construção da Igreja da Sé, Matriz de S. Paulo, data da época da fundação da cidade. Imagine que as paredes da primeira Matriz foram erguidas em 1591, em taipa de pilão. Como parte de um plano de reurbanização da cidade, outra igreja foi construída no mesmo local e ficou conhecida como a Velha Sé.
 
catedral
 
O desenvolvimento da cidade e o aumento da imigração para as lavouras de café
contribuiram para despertar a necessidade da construção de uma nova catedral. 
Dom Duarte Leopoldo e Silva, primeiro arcebispo de S. Paulo, e algumas das famílias paulistanas mais abastadas encamparam o projeto.
Mas foram precisos 40 anos para que a Catedral Metropolitana fosse entregue à população, em 25 de Janeiro de 1954, data do aniversário da cidade.
111 metros de comprimento, 46 de largura, 65 de cúpula, 5 naves !!!
Na Cripta, traçada em forma de cruz latina, repousam os restos mortais do cacique Tibiriçá, Pe. Diogo Feijó e D. Duarte Leopoldo e Silva.
A imponente fachada em estilo gótico, projeto do arquiteto Max Hehl, ergue-se ao fundo da Praça da Sé, fechando um vasto espaço ladeado de palmeiras imperiais.
 
Catedral Metropolitana de São Paulo
Endereço: Praça da Sé, s / nº
Tel: (11) 3107-6832
 
Programação de Natal
Dia 24/12 (Segunda-feira) – 23h – Concerto Natalino
Dia 24/12 (Segunda-feira) – 24h – Missa da Vigília do Natal
Dia 25/12 (Terça-feira) – 9h, 11h e 17h – Missas de Natal
 
A Bagdá Paulistana- Rua 25 de Março
 
Conhecida como a “Bagdá Paulistana”, a região da Rua 25 de Março, era o reduto de imigrantes sírios e libaneses que aqui chegaram no começo do século XX. Estabeleceram - se com suas famílias, nos andares superiores de pequenas lojas, e  transformaram a região no maior mercado atacadista da América Latina. 
Com o passar dos anos , a 25 foi perdendo suas características mais marcantes- os comerciantes já não moram no andar de cima de suas lojas, suas mulheres não mais frequentam a Igreja Ortodoxa de Nossa senhora,nem suas crianças brincam na várzea do Glicério depois que o curso do rio Tamanduateí foi desviado.
 
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Já não se ouve o alarido do idioma árabe falado pelos  mascates, já não existem mais os laços de amizade entre os primeiros "patrícios" que buscavam no apoio mútuo o consolo de viver longe de sua terra natal.
 
 
 
 
 
 
 
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Hoje, invadida por camelôs, a região perdeu muito de sua tradição, assim mesmo é uma autêntica aventura percorrer a 25, tentando driblar o transito, os camelôs, as sacoleiras, que substituíram os antigos  mascates.
 
 
 
Se você se perder no emaranhado das ruas - de olho nas pechinchas das lojas de tecidos e armarinhos que fizeram a fama local - pergunte onde fica o Mercadão, assim mesmo, com a intimidade de quem já conhece o maior templo de gastronomia da cidade .Ele fica logo ali, na rua da Cantareira.
 
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Tombado pelo Patrimônio Histórico, o majestoso edifício do Mercado Municipal de São Paulo, foi projetado no início da década de 30, pelo arquiteto Ramos de Azevedo. Seus 55 vitrais criados por Conrado Sogernicht Filho, representam cenas da produção agrícola e pecuária do interior do estado.
O Mercadão movimenta por dia, 20 toneladas de alimentos e recebe  até 15.000 pessoas, entre as compras em atacado e varejo. Caminhar pelas 23 “ruas” do Mercado é descobrir aromas e sabores desconhecidos: de frutas saborosas e coloridas ao antipasto “próprio all’uso nostro” como anuncia o empório Chiapetta família que está presente no mercado desde a sua fundação.
 
Endereço : R. da Cantareira, 306 - Centro
Tel : ( 0**11) 228 – 0673
Horário : de 2a a Sábado das 5h às 16h
 
Café Girondino
 
Quatro da tarde.  Bateu a fome? Não me diga que você não beliscou queijos e salames no Mercadão! Calma, o Café Girondino - um dos mais famosos cafés literários da velha S. Paulo,fica bem pertinho.  As tortas são irrepreensíveis, os sanduíches criativos, o café expresso quente e saboroso.
Do café dá até para você ouvir, pontualmente às 17:15 hs., o toque de sinos que anuncia as vésperas no Mosteiro de S. Bento. 
(na liturgia católica, vésperas significam horário canônico, ao cair da tarde). 
 
Mosteiro de São Bento
 
Fundado em Julho de 1598, pelo discípulo do padre José de Anchieta, Frei Mauro Teixeira, o Mosteiro de S. Bento assistiu à trajetória histórica da cidade de S. Paulo. O prédio atual surgiu em 1650 graças ao bandeirante Fernão Dias Paes Leme, que está enterrado na nave principal da Igreja. Repare nas esculturas de madeira, nos altares de granito italiano, nos belos vitrais do Mosteiro.
Os padres beneditinos são também responsáveis pela fundação do Colégio de S. Bento, da primeira Faculdade de Filosofia do Brasil e da primeira abadia de monjas beneditinas da América.
 
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Gastronomia no Mosteiro
 
Há séculos, os monges beneditinos guardam uma tradição que nasceu da primeira regra da ordem de S. Bento - Ora et Labora ( reze e trabalhe). Para S. Bento, a ociosidade é inimiga da alma, por isso, na Europa muitos mosteiros beneditinos são conhecidos por suas produções gastronômicas e os monges em S. Paulo, não fogem à regra.Na cozinha do mosteiro são manipulados quase 100 kg. de farinha por semana, na confecção de bolos e pães. Depois das missas, na lojinha do Mosteiro há filas para disputar o Bolo dos Monges, o de Santa Escolástica, o de São Bernardo, além de mel e geleias artesanais.
 
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Mosteiro de São Bento
Endereço: Largo de  São Bento,s /nº
Tel: 3325- 8799
Loja de Doces à esquerda da entrada principal
 
Programação de Natal
 
De 17 a 22 de Dezembro
17h30 Vésperas Solenes – Antífonas do “Ó”
 
Natal de Nosso Senhor Jesus Cristo
Dia 24 de Dezembro – Segunda-feira
17h I Vésperas Solenes e Bênção do Presépio
22h20 Vigílias de Natal (leituras cantadas)
Meia-noite: Missa da Noite do Natal
 
Dia 25 de Dezembro - Terça-feira
7h30 Laudes Cantadas
8h30 Missa
10h Missa do Dia do Natal
16h45 II Vésperas Pontificais e Bênção do Santíssimo
 
Festa da Sagrada Familia
Dia 30 de Dezembro – Domingo
8h30 Missa
10h Missa Solene 
17h Vésperas Solenes e Bênção do Santíssimo
 
Caminhada Noturna
 
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As ruas da região central da cidade de São Paulo ficam mais animadas às quintas-feiras, a partir das 20h. De 50 a 100 pessoas participam todas as semanas do projeto Caminhada Noturna, que promove um percurso cultural e gratuito, de duas horas, pelas imediações do Teatro Municipal - seu ponto de início e fim.
A Caminhada Noturna é um presente aos paulistanos e a todos os turistas interessados nos aspectos históricos e arquitetônicos da cidade. O Centro é berço da cidade, que tem 555 anos de história: foi pela região que os jesuitas "de gatinhas", subiram a escarpada serra do mar e escolheram este planalto, atingindo a área depois chamada Pateo do Colegio - marco inicial do nascimento da cidade.
A Caminhada, que já ultrapassou a marca de 300 edições, conta com a participação de especialistas e personalidades de segmentos como Arquitetura, Artes Plásticas, Administração Pública, História e Urbanismo. É uma oportunidade para todos aqueles que desconhecem o centro de São Paulo e neste passeio, o simples ato de caminhar, observar e contar histórias nos revelam o significado e a grandiosidade desta metrópole. 
 

Istambul

por Marilu Torres.

 
Há anos venho idealizando minha primeira viagem à Istambul, Turquia.
Finalmente, em Abril deste ano de 2012, me vi sobrevoando as colinas daquele país, suas ilhas e mares. Paisagem assombrosa, que há anos vem mexendo com minha imaginação- terra de sultões, haréns, heroicas batalhas entre cristãos e muçulmanos. A Grande Istambul possui hoje 14 milhões de habitantes, e continua crescendo ao longo das duas margens do estreito de Bósforo, que separa a Europa da Ásia - Ocidente e Oriente - dois mundos fascinantes que reúnem uma história antiquíssima e um surpreendente movimento de expansão e modernidade. Nesta cidade de múltiplas personalidades, em um único dia, você pode observar dervixes rodopiando, visitar uma cisterna bizantina, tomar chá em um café art nouveau, ouvir a convocação de um muezim para as orações... Tudo isso em uma das cidades mais antigas do mundo.
 
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O estreito de Bósforo é o grande protagonista da geografia de Istambul. Suas águas unem o mar Negro e o mar de Mármara, formando ainda um estuário, chamado Chifre de Ouro, que divide o lado europeu do asiático. 
Um cruzeiro pelo Bósforo é passeio obrigatório para quem visita a cidade pela primeira vez.  A viagem dura perto de duas horas e tem sabor de aventura.
 
                 
Estreito de Bósforo 
 
 
 
 Cruzeiro pelo Estreito de Bósforo
 
 Porto de Eminönü
 
Do Porto de Eminönü costumam sair os cruzeiros pelo Bósforo. Extremamente movimentado, daqui saem também os "ferry boats" para a Istambul asiática. Os sons dos apitos dos barcos se misturam ao pregão dos vendedores ambulantes que anunciam suas mercadorias - de milho torrado a sucos de melancia e romã. Os pequenos barcos ancorados servem sanduiches de peixe e outras especialidades turcas. Centro comercial da cidade velha e porto desde os tempos da Grécia antiga, seu agitado beira-mar esconde um labirinto de vielas, mesquitas e o Bazar Egípcio ou Bazar das Especiarias- importante centro de abastecimento e comercio entre o Oriente e a Europa - uma festa para os olhos e o olfato.
 
Bazar das Especiarias
 
As águas do Bósforo assistiram a muitas batalhas, principalmente entre cristãos e muçulmanos, quando Istambul era chamada Constantinopla, a cidade mais rica do mundo.E são muitas as referências que desfilam aos nossos olhos: pontes,palácios, museus, fortalezas.
 
Fortaleza de Rumeli Hisari – Situada na margem européia
Do estreito de Bósforo, defendia a cidade de navios inimigos
 
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A Torre Gálata é um ponto de referência na paisagem da cidade. Construída no século VI para orientar a navegação local, hoje é um posto de observação da cidade. Suba até o topo, a visão da cidade é deslumbrante.
O bairro à sua volta é chamado Beyoglu e durante séculos foi o lar dos estrangeiros em Istambul – gregos, genoveses, árabes e armênios, ajudaram a reconquistar a cidade dos latinos em 1261. O perfil do bairro mudou pouco através dos séculos, ainda hoje, Beyoglu fervilha com atividades comerciais, artísticas e religiosas. Aí estão belas mesquitas, o museu de Arte Moderna, moveis artesanais, bares de jazz e restaurantes.
 
 
Torre Gálata
 
 
 
 
Devido a geografia e  história da cidade, podemos considerar  três ou quatro centros urbanos em Istambul: dois no lado europeu, um em cada uma das margens  do Corno de Ouro, no lado asiático do Bósforo. Na verdade, Istambul é uma mescla de passado e futuro: do sistema financeiro global aos dervixes, de bares descolados a mosaicos bizantinos, do Grande Bazar a modernos "shopping centers".
Partindo do pequeno assentamento em uma de suas sete colinas, onde fica o Palácio Topkapi, a metrópole hoje se espalhando tanto pelo litoral asiático quanto pelo europeu, indo tão longe que engoliu cidades e vilarejos vizinhos. Istambul será a maior cidade da Europa caso a Turquia consiga entrar na União Europeia. 
 
Sultanahmet – o coração de Istambul
 
Sultanahmet, sem dúvida, é o coração da antiga Istambul, cartão postal da capital turca. A região é uma faixa de terra cercada pelo mar por três lados. Em torno de suas famosas mesquitas há palácios, museus e diversos monumentos históricos, testemunhando a herança milenar de dois grandes impérios: o Bizantino e o Otomano.
O labirinto de ruas estreitas, os belos tapetes turcos expostos nas ruas, as casas de chá, o ritual dos banhos turcos, tudo nos transporta ao mundo das Mil e uma Noites.
 
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Em frente a larga Praça de Sultanahmet ergue-se, como num sonho, a Mesquita Azul, uma das construções religiosas mais famosas do mundo, obra prima do mundo islâmico. A decoração de suas paredes internas é composta por azulejos azuis, (daí a origem de seu nome). 
 
 
 
 
 
  
 
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Pinturas adornam as partes altas das paredes, bem como inscrições extraídas do Corão. 
A luz natural entra pelas 260 janelas de suas 36 cúpulas, azulejos cobrem as colunas, o piso é forrado com tapetes turcos doados por peregrinos
 
 
 
 
 
 
 
 
 
   
 Cinco vezes ao dia , seguindo tradição milenar do Islamismo, o muezin sobe ao minarete da mesquita para chamar os fiéis à oração. É um momento de grande emoção.
 
Santa Sophia
 
 Santa Sofia ou Ayasofya é uma das maiores realizações arquitetônicas do mundo
 
Santa Sofia foi construída no século VI e, há mais de 1.400 anos, resiste como um legado da história de Istambul. Inaugurada em 537 pelo imperador Justiniano (o que decretou o Cristianismo religião oficial do império romano) a Basílica de Santa Sofia , no século XV, foi transformada em mesquita e vários sultões estão ali enterrados. Transformada em museu, recebe visitantes de todo o mundo. À noite, iluminada pela luz de "spots" estrategicamente colocados, é uma visão quase sobrenatural.
 
Seus famosos mosaicos ficaram escondidos durante os 500 anos em que a Basílica foi transformada em Mesquita
 
Palácio Topkapi
 
 Entrada Monumental do Palácio topkapi  
                 
Pouco depois da conquista de Constantinopla o Sultão Mehmet II construiu o Palácio Topkapi e fez dele sua residência. Por quase 3 horas, percorremos os imensos pátios, seus vários museus e pavilhões, admirando uma sucessão de tesouros- desde pratarias e cristais preciosos, trajes imperiais, armas e estandartes, manuscritos, até o o Pavilhão do Manto Sagrado, onde estão expostas algumas das relíquias mais importantes do Islã, como o manto sagrada usado pelo profeta Maomé.  
 
           
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Mas, para mim, o ponto alto da visita ao Palácio Topkapi é o Harém, palavra que vem do árabe e quer dizer "proibido".
No  labirinto de salas e corredores ricamente decorados, viviam  as esposas, filhos e concubinas do sultão guardados por soldados eunucos.
As mulheres do harém eram escravas, trazidas de todos os cantos do Império Otomano e fora dele. Todas, sem exceção, almejavam tornar-se a favorita do sultão e dar-lhe um filho.
A concorrência era grande, no harém de Topkapi chegaram a viver  mais de mil concubinas.
A mãe do sultão era a mulher mais poderosa do harém e tinha os melhores aposentos.Muitas histórias de intrigas palacianas, tinham a sultana mãe como protagonista.
As últimas mulheres deixaram o harém em 1909.
 
 
 
 
 
                                                                  
O Grande Bazar
 
 
Não se pode falar de Istambul sem incluir em suas principais atrações o Grande Bazar. Fundado por Mehemet II, o mesmo sultão que construiu o Palácio Topkapi,o grande Bazar abriga cerca de 4.000 lojas cobertas, cafés, bancos, correio, delegacia, e uma mesquita que servem  àqueles que trabalham ou fazem compras. 
Esse fascinante complexo de ruas cobertas por abóbodas pintadas tem várias entradas, um labirinto onde é fácil se perder. Esteja atento às placas de sinalização e se prepare para resistir ou não, à sedução dos vendedores.
 
 
Dicas:
 
- Hospede-se em Sultanahmet .Você ficará próximo da maioria das atrações:
Há hotéis e pousadas que atendem a todas as preferências e orçamentos.
 
-Experimente o chá da tarde do restaurante Konyali nos jardins do Palácio Topkapi
Os sabores favoritos de chá  em Istambul são: maçã, tília,brotos de rosa e menta..
 
- Se você curte histórias policiais visite o "Pera Palace Hotel", no bairro de Pera, construído para hospedar os viajantes do Orient Express na virada do século. Ágata Christie ficou hospedada no hotel ao escrever "O Assassinato no Orient Express".
 
- Museus que valem uma visita: Museu Arqueológico, Museu da Caligrafia, Museu de Artes Turcas e Islãmicas.
 
-Se puder, assista a uma apresentação dos dervixes rodopiantes, seguidores de antigos mestres turcos que habitavam o deserto. Informações no Mosteiro Mevlevi, bairro Beyoglu.
 
- Beyoglu é o centro principal de entretenimento na cidade. O bairro concentra cinemas, restaurantes e cafés com música ao vivo. No último andar da Torre Gálata, há shows de danças tradicionais turcas que incluem dança do ventre.